<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605</id><updated>2011-10-24T19:03:03.452-02:00</updated><category term='COSTUMES'/><category term='POLÍTICA'/><category term='COMPORTAMENTO SOCIAL'/><category term='PROUST'/><title type='text'>O FIO DAS PALAVRAS</title><subtitle type='html'>Artigos, contos, crônicas, poemas.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>73</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-599126748315782957</id><published>2010-08-19T22:09:00.001-03:00</published><updated>2010-08-19T22:12:27.862-03:00</updated><title type='text'>A VERDADE SOBRE A CAMPANHA CONTRA AS REPARAÇÕES A PERSEGUIDOS POLÍTICOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TG3WRIfzP1I/AAAAAAAAAGU/bhjbdLoT9UI/s1600/lamarca.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 304px; FLOAT: left; HEIGHT: 168px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507293509170970450" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TG3WRIfzP1I/AAAAAAAAAGU/bhjbdLoT9UI/s400/lamarca.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Ter, 29 de Junho de 2010 19:37&lt;br /&gt;Celso Lungaretti (*)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por três dias seguidos, o vetusto jornalão O Estado de S. Paulo faz lobby descarado contra o programa de reparações às vítimas da ditadura de 1964/85, pressionando o Tribunal de Contas da União a acatar uma proposta de redução de benefícios identificada com as posições dasviúvas da ditadura, dos sites goebbelianos e das correntes virtuais de extrema-direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a velha tabelinha entre uma determinada autoridade e a imprensa afinada com sua ideologia, tentando empurrar os acontecimentos na direção que agrada a ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata nem da repetição da História como farsa, embora o Estadão já tenha feito idêntica tentativa de detonar a anistia federal em 2004, daquela vez acompanhado em alto estilo pela imprensa burguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que já era uma cruzada farsesca, pois distorcia totalmente os fatos para encaixarem-se na imagem demagógica que se queria passar ao público. Então, o que temos agora é, isto sim, a repetição da farsa como encenação de mafuá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campanha começou com o destaque exageradíssimo dado ao assunto no domingo (27/06): matéria de capa, com direito a página inteira e nada menos do que cinco retrancas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No texto principal, ficamos sabendo que Marinus Marsico, procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, quer que sejam revistos, "por ora", 9.371 benefícios já concedidos desde a promulgação da lei respectiva em 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque "a revisão poderá gerar uma economia de milhões de reais aos cofres públicos", diz o procurador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, isto não é nem nunca foi argumento aceitável numa democracia. Reduzem-se benefícios quando são injustificados, não para amenizar problemas de caixa dos governos. E em nenhum dos textos do Estadão são honestamente apresentados os critérios do programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratou-se de uma iniciativa pioneira no Brasil, seguindo as recomendações da Organização das Nações Unidas para países que saem de ditaduras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Comissão de Anistia foi constituída em 2002 para identificar os cidadãos que sofreram graves danos de ordem física, psicológica, moral e profissional como consequência do arbítrio instaurado no Brasil entre 1964 e 1985, recomendando ao ministro da Justiça a reparação adequada em cada caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As regras do programa são as seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• para quem comprova terem seus direitos sido atingidos apenas em termos físicos e/ou psicológicos e/ou morais, é concedida uma indenização em parcela única (que o procurador Marsico não questiona);&lt;br /&gt;• quem, ademais, teve sua trajetória profissional comprometida pelo estado de exceção, faz jus a uma pensão mensal e a uma indenização retroativa referente às décadas transcorridas entre a lesão a seus direitos e o início do recebimento da reparação.&lt;br /&gt;Isto se aplica, principalmente, àqueles que foram afastados do serviço público, de instituições subordinadas ou vinculadas ao Estado e das Forças Armadas por terem opiniões diferentes das dos golpistas encastelados no poder. Tal caça às bruxas, inconcebível e inaceitável no século XX, privou dezenas de milhares de cidadãos do seu emprego legítimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E houve também casos de indivíduos que perderam seu trabalho na iniciativa privada em função de perseguições políticas, como o jornalista Carlos Heitor Cony (o Correio da Manhã foi obrigado a demiti-lo) e os também jornalistas Jaguar e Ziraldo, cujo Pasquim foi sufocado pela ditadura por meio de prisões arbitrárias dos integrantes da equipe, censura que atingia as raias do grotesco e terríveis pressões econômicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por se referirem a cidadãos prósperos e famosos, estes três casos chocaram a opinião pública. Mas, a página virtual do programa está à disposição de todos e uma análise criteriosa das reparações já aprovadas permitirá a qualquer interessado verificar que os benefícios duvidosos nem de longe são 9.731. Não chegam sequer a uma centena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O procurador Marsico e o Estadão pinçam casos isolados para dar a impressão de que os demais seguem todos o mesmo diapasão, O QUE NÃO É VERDADE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu caso foi considerado, pelo então presidente da Comissão da Anistia, Marcello Lavènere, o mais dramático que o colegiado já havia julgado até aquele final de 2005. Exatamente por isto, tive de ficar conhecendo em profundidade o programa, pois não tinha como pagar advogado e travei minha luta sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirmo, com total conhecimento de causa, que houve distorções e equívocos, como em todas as ações humanas, mas numa escala imensamente inferior à que o procurador alega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O QUE SE DIZ E O QUE SE OMITE&lt;br /&gt;SOBRE A PENSÃO DA VIÚVA LAMARCA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O viés ideológico desse ataque ao programa salta aos olhos quando procurador e jornalão questionam o benefício concedido a Maria Pavan Lamarca, viúva do ex-capitão Carlos Lamarca, que "desertou do Exército, virou guerrilheiro e foi morto em 1971", segundo a reportagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os cidadãos civilizados, foi o Exército que desertou da democracia, passando a prestar serviços de jagunçada para os golpistas que usurparam o poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao voltar-se contra os que tornaram as Forças Armadas um instrumento do arbítrio, Lamarca honrou o compromisso que assumira, de defender a ordem constitucional do País. Foi preso e covardemente executado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está na reportagem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lamarca foi promovido a coronel, quando a promoção correta seria a capitão, argumenta a representação. Os valores pagos à viúva equivalem ao vencimento de general, completa o texto. 'A remuneração mensal de R$ 11.444, bem como o pagamento retroativo de R$ 902,7 mil deveriam ser reduzidos', diz [o procurador Marsico]".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, capitão ele já era. Caso as instituições não tivessem sido golpeadas em 1964, Lamarca, militar tão brilhante a ponto de haver sido escolhido para integrar a Força de Paz da ONU no canal de Suez, atingiria inevitavelmente as culminâncias do oficialato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ao trombetear que haveria irregularidade nesse caso, um procurador jamais poderia omitir o que o presidente da Comissão de Anistia Paulo Abrão Pires Jr., esclareceu irrefutavelmente em 2007, respondendo à grita falaciosa da direita:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• quem reconheceu a responsabilidade do Estado brasileiro pela morte de Carlos Lamarca foi a Comissão de Mortos e Desaparecidos, vinculada à Secretaria de Direitos Humanos, em 1996;&lt;br /&gt;• quem primeiramente reconheceu a condição de anistiado político a Lamarca, afastando a tese da deserção, foi a Justiça Federal de São Paulo, em decisão transitada em julgado e confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça;&lt;br /&gt;• quem o promoveu a coronel foi a 7ª Vara Federal de São Paulo, em 2006;&lt;br /&gt;• a Comissão de Anistia não acatou o pedido da viúva requerente, que solicitava a progressão para general-de-brigada, mantendo apenas a decisão proferida anteriormente pela Justiça, que concedeu a Lamrca o posto de coronel;&lt;br /&gt;Então, o que realmente fez a Comissão de Anistia foi:&lt;br /&gt;• estender a Lamarca o privilégio de que desfrutam todos os oficiais ao passarem à reserva, de receber pensão equivalente ao soldo da patente imediatamente superior;&lt;br /&gt;• considerar Maria e seus filhos César e Cláudia também anistiados, concedendo a cada um deles uma indenização de R$ 100 mil, em parcela única.&lt;br /&gt;Quem quiser saber mais, é só reler meu artigo de três anos atrás, Caso Lamarca: muito barulho por nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, o editorial do Estadão de 3ª feira (29/06), A indústria da reparação, repete a desinformação da reportagem de dois atrás, até com as mesmas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O procurador Marinus Marsico cita três exemplos de reparações claramente impróprias. O primeiro é o benefício pago à viúva do capitão Carlos Lamarca, que desertou do Exército para se tornar guerrilheiro e foi morto na Bahia em 1971. Depois da anistia, Lamarca foi promovido post-mortem a coronel, acima dos postos de major e tenente-coronel. Com isso, a viúva Maria Pavan Lamarca recebe o equivalente ao soldo de um general".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornal parece estar voltando aos idos de 1964, quando a família proprietária assumidamente conspirou para a derrubada do governo constitucional de João Goulart, ponto de partida do festival de horrores que a União agora está sendo obrigada a reparar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justiça seja feita, recuou quando a sucessão de abusos e atrocidades atingiu seu auge, passando a questionar aspectos do regime que ajudou a instaurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, deveria reconhecer que sua posição no caso não é nem um pouco isenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que não tem autoridade moral nenhuma para questionar a reparação das injustiças do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Jornalista, escritor e ex-preso político com lesão permanente provocada por torturas, anistiado pelo ministro da Justiça em 2005. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-599126748315782957?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/599126748315782957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=599126748315782957&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/599126748315782957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/599126748315782957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2010/08/verdade-sobre-campanha-contra-as.html' title='A VERDADE SOBRE A CAMPANHA CONTRA AS REPARAÇÕES A PERSEGUIDOS POLÍTICOS'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TG3WRIfzP1I/AAAAAAAAAGU/bhjbdLoT9UI/s72-c/lamarca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-961837810629130605</id><published>2010-08-14T23:00:00.002-03:00</published><updated>2010-08-14T23:07:51.535-03:00</updated><title type='text'>NOTA DE OPINIÃO DA COMISSÃO DE ANISTIA SOBRE A DECISÃO DO TCU</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Comissão de Anistia tomou conhecimento, por meio da imprensa, de decisão do TCU que acolheu solicitação do procurador Marinus Marsico para que todas as indenizações concedidas como prestações continuadas sejam reapreciadas pelo Tribunal, com fulcro em suposto caráter previdenciário das mesmas e em possíveis ilegalidades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como contribuição ao debate democrático junto à sociedade e às instituições públicas brasileiras, a Comissão de Anistia manifesta preocupação no sentido de que a decisão do TCU incorra em um equívoco jurídico, político e um retrocesso histórico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;1. Do ponto de vista jurídico importam dois registros.&lt;br /&gt;O primeiro o de que, para tentar comprovar a possível existência de “ilegalidades” nas indenizações utilizaram-se de 3 casos emblemáticos: Carlos Lamarca, Ziraldo Alves Pinto e Sérgio Jaguaribe. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que a decisão não abrangeu informações fundamentais. No caso do Coronel Carlos Lamarca, assassinado na Bahia, faltou a informação de que o direito devido à sua viúva é objeto de decisão da Justiça Federal meramente atualizada pelo Ministério da Justiça. Faltou registrar também que recentemente a Justiça Federal do Rio de Janeiro confirmou a correição da decisão da Comissão de Anistia no caso do jornalista perseguido Ziraldo e que possui situação idêntica a de Jaguar. Estaria a Justiça Federal cometendo ilegalidades? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos três casos, os critérios indenizatórios estão previstos na Constituição e na lei 10.559/2002. Vale ressaltar que o artigo 8º do ADCT prevê que a anistia é concedida “asseguradas as promoções, na inatividade, ao cargo, emprego, posto ou graduação a que teriam direito se estivessem em serviço ativo”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A segunda impropriedade reside em possível exorbitância das competências do TCU, que abrangem a apreciação da: “III -legalidade dos atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadorias, reformas e pensões civis e militares” nos termos do art. 71 da Constituição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que a lei 10.559/2002, criada por proposição do governo Fernando Henrique e aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, em seu art. 1º, criou o específico “regime jurídico do anistiado político”, compreendendo como direito: “II -reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, asseguradas a readmissão ou a promoção na inatividade, nas condições estabelecidas no caput e nos §§ 1o e 5o do art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias;”. Ainda, o artigo 9º, caracteriza de forma inequívoca a reparação como parcela indenizatória, destacando que “Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, a caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias”. Avançando ainda mais, a lei prevê, em seu parágrafo único que “os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se a equiparação entre a indenização reparatória e a previdência social fosse o objetivo da Lei n.º 10.559, não teria ela em seu artigo 1º estabelecido de forma expressa o referido “regime do anistiado político” em oposição aos regimes especiais da previdência já existentes à época. Justamente o oposto: o 9º artigo da lei determina que todos os benefícios decorrentes de anistia sob tutela previdenciária do INSS sejam convertidos para a modalidade indenizatória e pagos pelos Ministérios do Planejamento e da Defesa: “O pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, que vem sendo efetuado pelo INSS e demais entidades públicas, bem como por empresas, mediante convênio com o referido instituto, será mantido, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído por esta Lei”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, questão basilar no direito brasileiro, os direitos indenizatórios não se confundem com os direitos previdenciários. A tentativa de igualar as prestações mensais a um benefício de natureza previdenciária é um exercício imaginativo forçado, cujo resultado inadequado seria uma assimetria entre as reparações de prestação única e as reparações de prestação mensal. Conforme a decisão, os perseguidos políticos que recebem reparação em prestação única seriam “indenizados” e os que recebem prestação mensal seriam titulares de “beneficio previdenciário”. A lei brasileira não estabelece esta distinção, ao contrário, dispõe que ambas reparações são resultantes do mesmo fato gerador, são reguladas pelos mesmos requisitos, com regime jurídico próprio e, óbvio, sob o teto de uma mesma lei. Neste sentido, estabelecer uma analogia entre a indenização em prestação mensal e a previdência social seria francamente exorbitante e ilegal, pois que procura, por meio do controle de contas, redefinir a natureza jurídica do regime do anistiado político, previsto na Constituição e regulamentado na Lei n.º 10.559/2002. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;2. Do ponto de vista político, o temerário gesto do TCU ao se “autoconceder” uma competência explicitamente inexistente na Constituição pode enfraquecer a própria democracia. Incorre em erro a idéia difundida de que “[...] quem paga não foi quem oprimiu. É o contribuinte. Não é o Estado quempaga essas indenizações. É a sociedade.”, expressa recentemente pelo patrocinador da causa. Todo o direito internacional e as diretivas da ONU são basilares em afirmar que é dever de Estado, e não de governos, a reparação a danos produzidos por ditaduras. O dever de reparação é obrigação jurídica irrenunciável em um Estado de Direito. Mais ainda: o sistema jurídico nacional reconheceu esta responsabilidade nas Leis n.º 9.140/1995 e n.º 10.559/2002 e o Supremo Tribunal Federal definiu de forma claríssima que tais reparações fundamentam-se na “responsabilidade extraordinária do Estado” absorvida dos agentes públicos que agiram em seu nome (ADI 2.639/2006, Relator Min. Nelson Jobim). Deste modo, os critérios de indenização foram fixados pela Constituição de 1988 e pela Lei 10.559/2002 e qualquer alteração nestes critérios cabe somente ao poder Legislativo ou ao poder constituinte reformador, e não a órgãos de fiscalização e controle. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;3. Do ponto de vista histórico tem-se que a anistia é um ato político onde reparação, verdade e justiça são indissociáveis. O dado objetivo é que no Brasil o processo de reparação tem sido o eixo estruturante da agenda ainda pendente da transição política. O processo de reparação tem possibilitado a revelação da verdade histórica, o acesso aos documentos e testemunhos dos perseguidos políticos e a realização dos debates públicos sobre o tema. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Estado brasileiro demorou em promover o dever de reparação. Os valores retroativos devidos aos perseguidos políticos somente são altos em razão da mora do próprio Estado em regulamentar as indenizações devidas desde 1988. O somatório da inafastável dívida regressa é proporcionalmente igual à demora no processo de reparação. Questionar as “altas indenizações” tomando por base os valores dos retroativos, e não das prestações mensais em si importa em distorção dos fatos e do direito. Como a Constituição determina, os efeitos financeiros iniciam-se em outubro de 1988, o cálculo de retroativos que conduz aos altos valores é simplesmente aritmético, aplicada a prescrição qüinqüenal das dívidas do Estado. Não há, neste sentido, qualquer juízo administrativo sobre esse valor que possa ser corrigido sem flagrante desrespeito à Constituição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas agendas das transições políticas, as Comissões de Reparação cumprem um duplo papel: juridicamente sanam um dano e, politicamente, fortalecem a democracia, restabelecendo o Estado deDireito e recuperando a confiança cívica das vítimas no Estado que antes as violou. É por esta razão que legislações especiais, como a Lei n.º 10.559, criam processos diferenciados para a concessão de reparações, com simplificação das provas (muitas vezes, como no caso brasileiro, parcialmente destruídas pelo próprio Estado) e critérios diferenciados de indenização (que não a verificação do dano moral e material). São órgãos públicos específicos para promover um amplo processo de oitiva das vítimas, registrar seus depoimentos, processar as suas dores e traumas, em um ambiente de resgate da confiança pública da cidadania violada com o Estado perpetrador das violações aos direitos humanos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após 10 anos de lenta e gradual indenização às vítimas, o anúncio público por parte do Estado brasileiro de revisar as impagáveis compensações decorrentes do “custo ditadura”, ou seja, dos desmandos cometidos pelo Estado nos períodos ditatoriais – como torturas, prisões, clandestinidades, exílios, banimentos, demissões arbitrárias, expurgos escolares, cassações de mandatos políticos, monitoramentos ilegais, aposentadorias compulsórias, cassações de remunerações, punições administrativas, indiciamentos em processos administrativos ou judiciais – pode implicar em quebra do processo gradativo de reconciliação nacional e de resgate da confiança pública daqueles que viram o seu próprio Estado agir para destruir seus projetos de vida. Tantos anos depois, torna-se inoportuno e injustificável para as vítimas, o Estado valer-se da criação de procedimentos de revisão diferentes daqueles inicialmente estipulados, estabelecendo uma instância revisora com um controle diferenciado, impondo ao perseguido político mais uma etapa para a obtenção de direito devido desde 1988, ampliando a flagrante violação ínsita na morosidade do Estado em cumprir com seu dever de reparar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É importante destacar que a Comissão de Anistia não se opõe que o TCU promova fiscalização de legalidade concreta. A propósito, o Ministério da Justiça já observou algumas destas recomendações em outras oportunidades. O que não se pode concordar, neste momento é com o fato de que a Corte de Contas abandone seu papel de fiscal de contas arvorando-se verdadeiramente em nova instância decisória para a concessão dos direitos reparatórios. O sentido das Comissões de Reparação é o de estabelecer um procedimento mais simples, célere e homogêneo que o procedimento judicial, como forma de garantir a restituição dos direitos às vítimas ainda em vida ou aos seus familiares. Não guarda qualquer relação com este objetivo remeter ao TCU o trabalho arduamente realizado por 7 diferentes Ministros da Justiça ao longo de 10 anos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A inclusão de um procedimento revisor nos dias de hoje pode abalar a confiança cívica que as vítimas depositaram no Estado democrático e a própria reparação moral consubstanciada no pedido oficial de desculpas a ele ofertado pelo Estado, prejudicando o processo de reconciliação nacional. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de um grave retrocesso na agenda da transição política e da consolidação dos Direitos Humanos no Brasil. Em outros países que enfrentaram regimes de exceção a agenda nacional move-se no sentido de avançar, com o Chile abrindo a integralidade dos arquivos disponíveis, a Espanha retirando estátuas e denominações de espaços públicos alusivas à ditadura de Franco, a Argentina condenando torturadores, e todos os países (desde o fatídico episódio nazista na Alemanha) estabelecendo programas de reparação às vítimas e depurando do serviço públicos aqueles que promoveram violações graves aos direitos humanos. Esta decisão no Brasil orienta-se no sentido oposto: recoloca sob o plano da incerteza e da insegurança as reparações destinadas às vítimas ao invés de lançar-se sobre a investigação dos perpetradores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É imperativo avançar com a localização e abertura dos arquivos das Forças Armadas; com a proteção judicial das vítimas, com uma reforma ampla dos órgãos de segurança; com a localização dos restos mortais dos desaparecidos políticos entre outras tantas medidas já dadas pelo exemplo dos países que viveram experiências similares à nossa e pelo que está disposto nos tratados internacionais sobre a matéria. Caberia agora ao Brasil debruçar-se sobre os arquivos das vítimas, não para querer rever os critérios criados pelo legislador democrático diante do incomensurável custo-ditadura, mas sim para encontrar-se com os milhares de relatos das atrocidades impostas aos anônimos que os meios de comunicação ainda não se interessaram em propalar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por fim, a Comissão de Anistia reconhece a legitimidade do TCU para o controle de contas pontual e concreto, mas opõe-se ao extrapolamento ora em curso que pretende identificar o regime indenizatório com o regime previdenciário e proclamar uma nova instância revisora de todas as indenizações mensais. A Comissão de Anistia ainda reconhece todas as demais formas de controle da Administração Pública a que está submetida, como as esferas de controle interno e o próprio Ministério Público Federal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se há algum ponto positivo a ser extraído da decisão de ontem no caso desta ser mantida por instâncias recursais superiores, trata-se da possibilidade reaberta para que o Estado, uma vez mais, possa através de um órgão público dar publicidade às histórias de violações praticadas durante os anos de exceção no Brasil. Numa eventual reapreciação de todo o conjunto de processos julgados espera-se que o Tribunal de Contas, não transforme um processo de reparação política em processo meramente contábil e saiba ouvir e divulgar os relatos das vítimas, verificando com a devida sensibilidade histórica a legalidade de todas as concessões empreendidas pelo Ministério da Justiça. Somente deste modo a atual medida poderá contribuir para o fortalecimento da democracia e dos direitos humanos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Brasília, 12 de agosto de 2010.&lt;br /&gt;Paulo Abrão Pires Junior&lt;br /&gt;Presidente da Comissão de Anistia Ministério da Justiça&lt;br /&gt;Sueli Aparecida Bellato&lt;br /&gt;Vice-Presidente da Comissão de Anistia Ministério da Justiça &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-961837810629130605?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/961837810629130605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=961837810629130605&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/961837810629130605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/961837810629130605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2010/08/nota-de-opiniao-da-comissao-de-anistia.html' title='NOTA DE OPINIÃO DA COMISSÃO DE ANISTIA SOBRE A DECISÃO DO TCU'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-5831424179084482560</id><published>2010-08-11T22:12:00.004-03:00</published><updated>2010-08-11T22:24:58.608-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POLÍTICA'/><title type='text'>LEANDRO E SEU VÍDEO</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KOKS_apCwzA?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/KOKS_apCwzA?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ERA UMA VEZ um índio chamado Juruna. Ele escandalizou o país no fim dos anos 70 com um simples gravador. O xavante ia aos gabinetes de Brasília, apresentava seus pleitos, ouvia o blá-blá-blá dos burocratas e gravava. Quando Juruna tocou suas fitas, o Brasil percebeu que não era só ele quem estava sendo feito de bobo e tratado como um estorvo. Juruna transformou-se numa celebridade e, em 1982, tornou-se o primeiro índio a sentar na Câmara dos Deputados. Deu-se à bebida e morreu no anonimato em 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para felicidade geral, existem hoje internet e YouTube. O garoto Leandro dos Santos de Paula, que vive no conjunto Nelson Mandela, em Manguinhos, perto de uma área conhecida como "Faixa de Gaza", gravou em vídeo uma breve conversa com Lula e Sérgio Cabral durante uma visita dos dois ao bairro e tornou-se um Juruna 2.0.&lt;br /&gt;Leandro queixou-se ao Nosso Guia de que na área esportiva da obra que os maganos visitavam não podia jogar tênis. Tomou a primeira, de Lula: "Isso é esporte da burguesia, porra". (Se Leandro tivesse o chassis de Serena Williams, ele não arriscava uma cortada dessas.) Na condição de pai dos pobres, aconselhou: "Por que você não faz natação?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Porque a gente não pode entrar na piscina." Por quê? "Porque não abre para a população."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso Guia virou-se para o governador Sérgio Cabral e ensinou: "No dia em que a imprensa vier aqui e pegar um final de semana com essa porra fechada, o prejuízo político será infinitamente maior do que colocar dois guardas aqui".&lt;br /&gt;Maravilha. A patuleia paga a piscina, não pode entrar, e Lula se preocupa com a possibilidade de a imprensa flagrar a cena. Sem imprensa, tudo bem. Ademais, o que ele teme é o "prejuízo político". O da Viúva é desprezível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leandro reclamou do barulho que o "Caveirão" (o blindado com que a PM demonstra sua força) faz à noite na sua rua. Entrou em cena o governador Sérgio Cabral, chamando Leandro de "otário" e "sacana". A intervenção de Cabral foi claramente intimidatória, mas o jovem não baixou a bola. Afinal, como no caso de Juruna, sua ação foi premeditada. Ele é freguês das comemorações triunfalistas do governador. À diferença do índio, ele faz o registro em vídeo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabral sustenta que Leandro está sendo usado por interesses eleitorais. Engano. Foram ele e Nosso Guia que usaram a autoridade que a choldra lhes confere para desfilar vulgaridades, o resto é registro. Como diria o bandido Elias Maluco, "não esculacha". Em seu benefício, foi arrogante, mas não chamou Leandro para a briga, como fez Ciro Gomes em Tianguá, nem estapeou um eleitor em Campo Grande, como fez o governador André Puccinelli. (Nos dois casos, os doutores haviam sido chamados de "ladrão".)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem-aventurados os leandros desta vida, bem-aventurado o YouTube e glória eterna ao Juruna. O xavante, depois de eleito deputado, fez um discurso chamando todos os ministros do governo João Figueiredo de "ladrões". O general invocou os sentimentos do ministro do Exército e quis que o ministério o processasse: "Eu quero todos! Quem não fizer, eu demito!" Onze fizeram, e chegou-se a temer uma crise com o Congresso. Deu em nada. O Brasil tinha começado a melhorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELIO GASPARI - Leandro e seu vídeo são o Juruna 2.0&lt;br /&gt;Jornal o Globo de 11/08/2010 &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-5831424179084482560?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/5831424179084482560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=5831424179084482560&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/5831424179084482560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/5831424179084482560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2010/08/leandro-e-seu-video.html' title='LEANDRO E SEU VÍDEO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-1070639859692872880</id><published>2010-06-05T00:11:00.000-03:00</published><updated>2010-06-05T00:12:02.861-03:00</updated><title type='text'>SEIO DE MINAS</title><content type='html'>&lt;div style="'width:233px;'"&gt;&lt;object width="233" height="187"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9tS24x7nzR4&amp;amp;autoplay=0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9tS24x7nzR4&amp;amp;autoplay=0" type="application/x-shockwave-flash" width="233" height="187"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;object width="233" height="181"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.letras.com.br/flash/widget_letra.swf?***&amp;amp;lid=1443222&amp;amp;ltipo=0"&gt;&lt;embed src="http://www.letras.com.br/flash/widget_letra.swf?***&amp;amp;lid=1443222&amp;amp;ltipo=0" quality="high" bgcolor="#ffffff" width="233" height="181" align="middle" allowscriptaccess="sameDomain" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.adobe.com/go/getflashplayer"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style="font-size:11px"&gt;monte sua &lt;a href="http://www.letras.com.br" target="_blank"&gt;rádio no letras.com.br&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-1070639859692872880?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/1070639859692872880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=1070639859692872880&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/1070639859692872880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/1070639859692872880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2010/06/seio-de-minas.html' title='SEIO DE MINAS'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-6965417425692392984</id><published>2009-10-05T20:26:00.000-03:00</published><updated>2009-10-05T20:28:36.711-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PROUST'/><title type='text'>MEUS TRECHOS PREFERIDOS DE "EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO"</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;“Se então meu avô necessitava chamar a atenção das duas irmãs, tinha de recorrer a essas advertências físicas de que servem os alienistas para com certos maníacos da distração: golpes repetidos em um copo, com a lâmina da faca, coincidindo com uma brusca interpelação da voz e do olhar, meios violentos que esses psiquiatras empregam muitas vezes no trato corrente com as pessoas sãs, ou por hábito profissional, ou porque julgam todo mundo meio louco” (p.27)&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;MARCEL PROUST&lt;br /&gt;em Busca do Tempo Perdido – No Caminho de Swann&lt;br /&gt;Tradução de Mário Quintana&lt;br /&gt;15º edição. São Paulo: Globo - 1993&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-6965417425692392984?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/6965417425692392984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=6965417425692392984&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/6965417425692392984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/6965417425692392984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2009/10/meus-trechos-preferidos-de-em-busca-do.html' title='MEUS TRECHOS PREFERIDOS DE &quot;EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO&quot;'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-3706841319842920776</id><published>2009-09-14T12:24:00.002-03:00</published><updated>2009-09-14T12:25:33.285-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='COMPORTAMENTO SOCIAL'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='COSTUMES'/><title type='text'>PORQUE QUE MUITA COISA NO BRASIL NÃO FUNCIONA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“(...) Se se quiser mudar os costumes e o comportamento social dos cidadãos, não se deve legislar. Os costumes só podem ser alterados pela introdução de outros costumes. Ora, isso é obra exclusiva da educação, não das leis.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Montesquieu (citado por COMPARATO)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;COMPARATO, Fábio Konder, Dos princípios éticos em geral. In___ Ética: direito, moral e religião no mundo moderno. Companhia das Letras: São Paulo. 2006. p. 498&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-3706841319842920776?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/3706841319842920776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=3706841319842920776&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/3706841319842920776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/3706841319842920776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2009/09/porque-que-muita-coisa-no-brasil-nao.html' title='PORQUE QUE MUITA COISA NO BRASIL NÃO FUNCIONA'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-8261943314131924324</id><published>2009-09-06T22:05:00.002-03:00</published><updated>2009-09-06T22:11:30.824-03:00</updated><title type='text'>DOR E ARTE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando se fala da relação entre a dor e a arte, deve-se distinguir a dor física da dor moral. Na minha opinião - e até onde posso afirmar baseado em experiência própria - a dor física tende a anular as condições psicológicas propícias à geração da obra de arte. Se não é impossível que alguém, atacado de forte dor física, seja levado, por efeito dela, a elaborar um poema, tal ocorrência seria uma exceção. Uma exceção porque a dor física, se de forte intensidade, tem o poder de anular momentaneamente nossa capacidade intelectual, reduzindo-nos ao nosso corpo - o corpo que dói. E quem produz a arte é o corpo que pensa, que inventa, sonha, fantasia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O filósofo inglês Alfred North Whitehead, autor com Bertrand Russell, de um livro importante para a filosofia do século 20, intitulado "Principia Mathematica - observou que “quando nos damos conta do funcionamento de nossas vísceras, alguma coisa vai mal. O mesmo Whitehead, desenvolvendo esse ponto de vista, já afirmara, noutra ocasião, que o que caracteriza o corpo vivo é a não percepção dos elementos que o constituem, enquanto integrantes desse organismo. Exemplifico; se minha mão toca em minha perna, percebo a mão e a perna. Mas não percebo os contatos que eventualmente ocorram entre os músculos, tendões e ossos que constituem minha mão; sei que esses músculos, ossos e tendões, existem, mas não os percebo; se sinto a existência de qualquer deles - o que em geral se manifesta pela sensação desagradável a que chamamos dor - é que ali a máquina do corpo deu defeito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pode ser esclarecedor compararmos, neste caso, o corpo humano com, digamos, um aparelho de televisão. Se em determinado ponto dele, de repente, começam a ocorrer estalos e faíscas, é que algum defeito está interferindo no funcionamento normal do aparelho. Se o aparelho de TV fosse um ser vivo, certamente sentiria dores. Talvez se possa então afirmar que a dor é o sintoma do mau funcionamento do organismo vivo - o sinal indicativo de que alguma coisa vai mal naquele ponto que dói. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou noutro ponto, como parece ocorrer com certas dores de cabeça que são reflexo do mau funcionamento do estômago, por exemplo. Mas, qualquer que seja o caso, a dor física tem a capacidade de tornar o nosso corpo anormalmente presente em nossa consciência, até mesmo de ocupá-la a tal ponto que mal conseguimos pensar em outra coisa. Nessas condições, é impossível criar uma obra de arte. Logo, se alguma dor efetivamente provoca o surgimento da obra de arte, terá que ser a dor moral.A relação entre a dor - o sofrimento, a infelicidade - e a arte parece geralmente admitida, embora não se saiba se essa relação existe e, no caso de que exista, de que tipo é. Uma relação causal? Uma relação sublimatória? Uma relação meramente temática?Por outro lado, parece certo que os momentos de tranqüilidade satisfeita não são estímulos habitualmente geradoras da obra de arte. As pessoas extrovertidas, que se satisfazem com atividades esportivas ou semelhantes - caracterizadas mais pela ação do que pela reflexão -, não costumam se dedicar à atividade artística. Mas não só essas; de modo geral, qualquer pessoa que se sinta vivendo um momento de felicidade e plenitude, dificilmente sentirá necessidade de produzir arte, mesmo sendo artista.Isso não significa que esses próprios momentos de plenitude não são, eles próprios, geradores de arte. André Gide afirmou, certa vez, que “a arte nasce quando viver não é suficiente para exprimir a vida". Ou seja, se concordarmos com Gide, a arte é feita para suprir uma carência; nos momentos plenos - quando a máquina da vida parece funcionar satisfatoriamente bem - a arte é desnecessária. Talvez assim se explique a tendência a associar-se a criação artística com o sofrimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aqui podemos estabelecer um paralelo entre a dor física e a dor moral. Do mesmo modo que o organismo vivo, quando está funcionando bem, por assim dizer, ignora-se a si mesmo, as pessoas também, na sua vida cotidiana, se tudo corre bem, vivem o presente pelo presente, sem qualquer preocupação com seus problemas e muito menos com o problema fundamental da vida humana: a inevitável morte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, do mesmo modo que, se o estômago anda mal, o homem se dá conta de que tem estômago porque ele dói, também se algum drama lhe ocorre - a perda de um ente querido, por exemplo -, ele é subitamente chamado a refletir sobre sua própria condição humana. Essa reflexão pode conduzir à necessidade da obra de arte.Neste paralelo que estabelecemos entre a dor física e a dor moral, fica evidente uma diferença essencial: até mesmo porque envolve questões existenciais, filosóficas, afetivas, morais, a dor moral - ao contrário da dor física, que nos reduz à condição de ``corpo" - nos coloca diante de nossos valores e de nosso destino. Enquanto a dor física tende a nos diminuir por entorpecer a reflexão, a dor moral tende a nos ampliar, por nos obrigar a ela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, tanto a dor física quanto a dor moral nos levam a tomar consciência da realidade. Detenhamo-nos um instante neste ponto. Se quando meu estômago está funcionando bem, não tomo conhecimento dele e só o tomo quando funciona mal, isso nos leva inevitavelmente a concluir que o normal é possuir estômago sem saber que o possui. E não se daria o mesmo, no plano da dor moral? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A normalidade não consistiria em ignorar a realidade da mesma maneira que ignoramos o nosso estômago? Acredito que, se se tratasse de uma simples opção, dificilmente alguém, saudável, preferiria viver com a certeza sempre presente de que está condenado à morte, de que o amor que vive agora não vai durar, de que dentro de alguns anos estará velho e achacado de doenças. O homem não quer sofrer. Se meu estômago dói, não posso ignorá-lo, mas farei o possível para me livrar dessa dor. Se a minha vida dói, a opção é mudar de vida ou, se não posso fazê-lo, descobrir um modo de fugir da realidade dolorosa: pelo misticismo ou pela bebida ou pela droga, etc. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A dor, portanto, além de ser um sintoma, é uma exigência do corpo - e da vida - para tomarmos consciência dos problemas e procurarmos resolvê-los. Se uma dor de cabeça pode ser eliminada com analgésico, para a dor da existência muitas vezes não existe remédio. E é diante da dor sem remédio, do problema sem solução, que surge a necessidade do poema ou da sinfonia: a arte é, de certo modo, uma solução para os problemas sem solução. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cumpre observar, no entanto, que, se não é a dor física, tampouco é a dor moral que gera a obra de arte. A dor moral nos obriga a encarar a realidade, a redescobri-la na sua verdade, e essa redescoberta é que gera a obra. Sendo assim, devemos concluir que, não apenas a dor, mas qualquer outro fator de vida, que nos tire do equilíbrio em que nos mantemos à beira do abismo existencial, pode funcionar como espoleta do poema ou da sinfonia. Platão dizia que o conhecimento nasce do espanto. A arte também. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um filósofo alemão, que teve grande influência sobre os artistas da segunda metade do século 19 e mesmo sobre artistas e pensadores que viveram depois. Arthur Schopenhauer, estabeleceu uma ligação estreita entre a dor, chegando a considerar a arte uma espécie de redenção do ser humano, condenado, segundo ele, desde que nasce até que morre, ao sofrimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Schopenhauer pinta o destino humano em cores negras. “Na primeira mocidade - diz ele - somos colocados em face do destino que se vai abrir diante de nós, como as crianças em frente ao pano de boca de um teatro, na expectativa alegre e impaciente das coisas que vão passar-se em cena; é uma felicidade não podermos saber nada de antemão. Aos olhos daquele que sabe o que realmente se vai passar, as crianças são inocentes condenados não à morte mas à vida, e que todavia ainda não conhecem o conteúdo de sua sentença." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em seu modo de ver, a causa de todo sofrimento do ser humano é a necessidade de querer, a que está submetido. O homem sofre por querer o que não tem e, quando o consegue, sofre porque a satisfação do desejo é ilusória e efêmera. Diz Schopenhauer: "Querer é essencialmente sofrer e, como o viver é querer, toda a existência é essencialmente dor." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu livro "Dores do Mundo” começa assim: “Se a nossa existência não tem por fim a dor, pode dizer-se que não tem razão nenhuma de ser. Porque é absurdo admitir que a dor sem fim, que nasce da miséria inerente à vida e enche o mundo, seja apenas um mero acidente, e não a própria finalidade da existência. Cada desgraça particular parece, é certo, uma exceção, mas a desgraça geral é a regra." E acrescenta adiante: “pode se considerar a nossa vida como um episódio que perturba inutilmente a beatitude e o repouso do nada." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O caminho que ele aponta para o ser humano enfrentar sua miserável condição é, logicamente, a renúncia ao desejo, ao querer: “O homem seduzido pela ilusão da vida individual, escravo do egoísmo, só vê as coisas que o tocam pessoalmente, e encontra aí motivos incessantemente renovados para desejar e querer, já aquele que penetra a essência das coisas, que domina o conjunto, encara, pelo contrário, com tranqüilidade todo o desejo e de todo o querer. Daí em diante, a sua vontade desvia-se da vida, repele os gozos que a perpetuam. O homem chega então ao estado da renúncia voluntária, da resignação, da tranqüilidade verdadeira, e da ausência absoluta da vontade".Dentro dessa concepção, a arte assume para Schopenhauer um papel fundamental: por ser contemplação desinteressada - livre de todo propósito egoísta, ela nos dá o sentimento de paz em toda a sua plenitude. E de todas as artes a música é, segundo ele, a que melhor cumpre essa função: “Quando ouço música, a minha imaginação compraz-se muitas vezes com o pensamento de que a vida de todos os homens e a minha própria vida não são mais do que sonhos dum espírito eterno, bons e maus sonhos, de que cada morte é o despertar." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dentro de sua concepção filosófica, a arte funcionaria como expressão dessa necessidade de fugir às contingências da vida, um equivalente à renúncia ao desejo. “O que dá ao trágico um impulso particular para o sublime - diz ele na obra `O Mundo como Vontade e Representação' - é a revelação deste pensamento, de que o mundo, a vida, não pode satisfazer completamente, e por conseqüência não é digna de que fiquemos presos a ela: é nisto que consiste o espírito trágico - em conduzir-nos à resignação". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É fato indiscutível que o sofrimento e a morte são dados consubstanciais à existência humana, ou seja, ignorá-los é simplesmente falar de alguma coisa que não é a vida.A maior parte do tempo de nossa vida é constituída de fatos banais, mesmo porque não se suportaria viver com a permanente intensidade dramática de uma peça de Shakespeare ou de uma tragédia de Sófocles. Felizmente, o dia-a-dia é corriqueiro e banal, com grandes tumultos e dramas. Isso torna a existência monótona e, por essa razão, as pessoas buscam meios e modos de quebrar-lhe a monotonia, já seja promovendo festas, bailes, jogos, espetáculos, enfim, toda a série de entretenimentos, como os que encontramos em nossa época: a televisão, o cinema, o teatro, o show musical, o esporte, a leitura de jornais, de revistas e livros, etc.De acordo com a classe social a que pertence e as circunstâncias da época, o indivíduo experimenta uma vida mais ou menos tranqüila ou atormentada: por exemplo, os moradores das favelas do Rio de Janeiro vivem em permanente sobressalto, numa atmosfera de drama quase equivalente às tragédias e dramas do teatro ou do cinema: são fatos freqüentes, em seu cotidiano, tiroteios e mortes, agressões, crueldades, uma permanente situação de pânico e insegurança. Nem por isso as pessoas que enfrentam essa vida atormentada escrevem peças de teatro, poemas, ou fazem filmes sobre tais coisas. Nem mesmo os sambas, que os artistas dessas comunidades compõem, versam sobre esses problemas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A tese de Schopenhauer de que a vida humana ou é dor ou é monotonia, já que a felicidade dura pouco e o que prepondera é o sofrimento, pressupõe que as pessoas não suportam o cotidiano e que, por essa razão, aspiram à morte. Não é isso, porém, o que a experiência nos mostra: as pessoas, mesmo as que têm uma vida de privações e sofrimentos, querem continuar vivas e mantêm acesas a esperança de uma vida melhor no futuro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa que o filósofo alemão parece não ter percebido é que a gente mais pobre - que experimenta, além do sofrimento natural da existência, as privações da miséria - tem mais disposição para se divertir, é mais alegre, efusiva e vital que a maioria dos que desfrutam de melhores condições materiais de vida. O desencanto, que a filosofia de Schopenhauer reflete, encontra-se mais facilmente em integrantes da classe média e da classe rica - à qual ele próprio pertencia - entediados e temerosos de arriscar o que conseguiram. O que parece mostrar que a relação entre o sofrimento e a vontade de viver não é tão simples quanto ele imaginava, e que a renúncia a todo o desejo e a aspiração ao nada não são a única resposta possível às dores do mundo.A intuição dessa complexidade encontramos na visão de outro filósofo alemão, Friedrich Nietzsche. Indagando a razão do surgimento da tragédia na civilização grega, marcada pelo desejo da beleza, da festa, da alegria, responde que, talvez, aquela inclinação para o mito trágico, venha exatamente, da força, da saúde exuberante, enfim, do excesso de vitalidade do povo grego. Identificando o pessimismo com a racionalidade socrática, Nietzsche, em prefácio a seu livro “A Origem da Tragédia", afirma que a existência do mundo só se justifica como fenômeno estético, criação de um Deus puramente artista, absolutamente destituído de escrúpulos e de moral, para quem a criação e a destruição, o bem e o mal, são manifestações de seu capricho indiferente e de sua onipotência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nietzsche observa que nada se opõe mais a essa interpretação puramente estética do mundo do que a doutrina cristã que, com seu moralismo, relega a arte ao reino da mentira, isto é, nega-a e a maldiz. A essa visão moralista - que reprime as paixões, teme a beleza e a volúpia - Nietzsche contrapõe o espírito dionisíaco, o êxtase dionisíaco, a identificação com o que ele chama de “a incomensurável alegria primordial da existência".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não resta dúvida que a dor, o sofrimento, é com freqüência a matéria-prima do teatro, do romance, do cinema, das novelas de televisão. Mas isso não significa que as pessoas desejem viver no sofrimento ou que prefiram o sofrimento (o drama, a tragédia), ao cotidiano tranqüilo e rotineiro. Pelo contrário, a rotina é condição necessária à preservação da tranqüilidade e segurança interior. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há aqui um detalhe que deve ser considerado: uma coisa é viver na tragédia, outra coisa é vê-la no teatro ou lê-la no livro. O teatro, o romance, a poesia, o cinema, foram criados pelo homem exatamente para quebrar a monotonia da vida. Do mesmo modo, que antigamente, nas tribos, o contador de histórias distraía os demais com narrativas às vezes assustadoras, às vezes misteriosas, dramáticas ou engraçadas, hoje quem nos distrai, nos assusta ou nos diverte é o teatrólogo, o poeta, o romancista, o cineasta, o novelista de televisão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aristóteles já havia compreendido que a tragédia cumpre uma função social (cultural), quando definiu o seu papel catártico sobre o espectador. Goethe considerava que essa catarse se fazia igualmente sobre o autor. De qualquer modo, a experiência simbólica ou fictícia do sofrimento é uma necessidade do ser humano. O espectador não vai ao teatro ou ao cinema porque aspira a mais sofrimento em sua vida: ele vai para viver uma vida de graça, para experimentar a emoção dos dramas humanos, sem pagar o preço que se paga na vida real. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando a luz do cinema acende, o sofrimento se revela fictício, provocando um alívio equivalente ao que experimentamos ao acordar de um sonho mau. Exatamente o contrário do que ocorre na vida, onde o sofrimento é real, a perda é real, a luz não acende ao final do espetáculo nem os atores, que “morreram" em cena, se levantam, vivos outra vez, para agradecer os aplausos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não obstante, e por isso mesmo, a vocação do homem é para a felicidade. E a arte é, contraditoriamente, uma afirmação dessa irrenunciável necessidade. Já dizia o poeta paraibano Augusto dos Anjos - que aliás era leitor de Schopenhauer - que “a mais alta expressão da dor estética/ consiste essencialmente na alegria". De fato, o próprio Schopenhauer reconhece, quando fala da música, que através dela o compositor consegue superar a vontade (o querer) que implica sempre em sofrimento.A relação entre a dor e a expressão artística deve ser examinada na sua complexidade. Uma obra de arte, mesmo a que mais cruamente expresse o sofrimento humano, não é igual a um grito de dor. Um grito de dor não é arte. Noutras palavras, a dor pode ser matéria-prima da arte - em muitos casos - mas a obra mesma resulta da elaboração complexa da emoção e da linguagem estética, visando criar uma totalidade cujo significado transcende a experiência que a motivou. A própria atitude do poeta ou do dramaturgo, quando se dispõe a transformar uma experiência dolorosa em obra de arte, já indica uma superação da dor mesma, tornada objeto de reflexão. Um necessário distanciamento estabeleceu-se entre o homem que sofreu e o seu sofrimento para que ele tenha sido capaz de transformá-lo numa peça ou num poema.Certamente a experiência existencial está viva nele, mas já não é a mesma, porque a dor real, se nos atinge profundamente, nos incapacita de, enquanto a sofremos, transformá-la em prazer estético. A formulação, na obra, do sofrimento experimentado guarda, conforme o caso, diferentes distâncias com respeito à dor vivida. Mas nunca é a dor mesma que aparece na obra, pelo fato de que a obra é a superação da dor, a sua transformação alquímica em alegria, em prazer estético. Como disse Fernando Pessoa: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O poeta é um fingidor&lt;br /&gt;Finge tão completamente&lt;br /&gt;Que chega a fingir que é dor&lt;br /&gt;A dor que deveras sente &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O homem, por sua própria natureza, hesita entre a segurança e a aventura, a tranqüilidade e a emoção. Por isso, ao mesmo tempo que aceita a rotina do cotidiano, é induzido a violá-la; preserva seu casamento tedioso e busca no cinema ou na novela de televisão a paixão fictícia que não pode viver. Isso tanto vale para o expectador e leitor como para o autor: de algum modo, através dos personagens que cria, das melodias que concebe, o artista vive uma outra vida, experimenta outras emoções, em suma, escapa à pobreza e aos limites de sua vida banal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E é precisamente o grau em que essa necessidade se manifesta no individuo - somado certamente a outras qualidades - que determina se ele será um consumidor ou um criador de obras de arte. Deve-se observar, porém, que o que caracteriza o artista não é a simples necessidade de fugir à realidade banal e dolorosa, mas a capacidade de criar, com sua arte, um universo simbólico próprio, dentro do qual o mundo e a vida, com suas incongruências e enigmas, se tornam de algum modo assimilável.Albert Einstein, num discurso pronunciado por ocasião do sexagésimo aniversário do físico Max Planck, afirmou que “o homem procura formar, de alguma maneira, mas segundo a própria lógica, uma imagem simples e clara do mundo. Para isso, ultrapassa o universo de sua vivência, porque se esforça em certa medida por substituí-lo por essa imagem. A seu modo, é esse o procedimento de cada um, quer se trate de um pintor, de um poeta, de um filósofo ou de um físico. A essa imagem e à sua realização, consagra o máximo de sua vida afetiva para assim alcançar a paz e a força que não pode obter nos estreitos limites da experiência agitada e subjetiva". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De fato, a experiência estética é essencialmente diversa da experiência real. A experiência real tem, obviamente, o peso da vida, a densidade, a complexidade específica e a irreversibilidade da vida. A experiência estética não. Trata-se de uma experiência “fictícia". Nela, o homem-autor lida com significações e não com fatos; o terreno no qual se move não é o chão do planeta, mas a linguagem; o tempo que “vive" na obra não corresponde ao tempo real da vida transcorrido enquanto a elaborava. Por isso mesmo, a dor que eventualmente experimentou em sua vida e que teria motivado a obra, nela deixa de ser a dor real, perde a especificidade da dor real; transforma-se, pela reflexão e assimilação ao universo simbólico do poeta, em puro significado, ainda que ligado à experiência vital. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E aqui há um outro ponto a sublinhar: a significação poética não é da mesma natureza que, por exemplo, a significação matemática ou filosófica. A significação poética nunca alcança o nível de abstração e generalidade que aquelas alcançam. Ela se nega a tornar-se conceito, lei ou princípio teórico. A poesia, a arte, é um tipo de realização intelectual que se situa entre a experiência direta do mundo e a formulação conceitual abstrata: o artista rejeita a experiência imediata do real, na medida em que a transforma em linguagem, mas também rejeita a sua transformação em conceito abstrato porque deseja preservá-la como vivência individual e afetiva. Essa é a razão por que não seria descabido afirmar que, se o artista, como todo ser vivo, necessita escapar à dor, não quer fazê-lo ao preço de renunciar à própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FERREIRA GULLAR&lt;br /&gt;em Jornal Folha de São Paulo&lt;br /&gt;Caderno MAIS! Página: 5-11&lt;br /&gt;07/05/1995&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-8261943314131924324?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/8261943314131924324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=8261943314131924324&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/8261943314131924324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/8261943314131924324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2009/09/dor-e-arte.html' title='DOR E ARTE'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-7000746175245924369</id><published>2009-09-04T18:10:00.001-03:00</published><updated>2009-09-04T19:52:04.061-03:00</updated><title type='text'>MEUS TRECHOS PREFERIDOS DE EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mas nem mesmo com referência às mais insignificantes coisas da vida somos nós um todo materialmente constituído, idêntico para toda a gente e de que cada qual não tem mais do que tomar conhecimento, como se se tratasse de um livro de contas ou de um testamento; nossa personalidade social é uma criação do pensamento alheio. Até o ato tão simples a que chamamos “ver uma pessoa conhecida” é em parte um ato intelectual. Enchemos a aparência física do ser que estamos vendo com todas as noções que temos a seu respeito; e, para o aspecto total que dele nos representamos, certamente contribuem essas noções com a maior parte. Acabam elas por arredondar tão perfeitamente as faces, por seguir com tão perfeita aderência a linha do nariz, vêm de tal modo nuançar a sonoridade da voz, como se esta não fosse mais que um transparente invólucro, que, a cada vez que vemos aquele rosto e ouvimos aquela voz, são essas noções o que olhamos e escutamos. (p.24)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARCEL PROUST&lt;br /&gt;em Busca do Tempo Perdido – No Caminho de Swann&lt;br /&gt;Tradução de Mário Quintana&lt;br /&gt;15º edição. São Paulo: Globo - 1993&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-7000746175245924369?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/7000746175245924369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=7000746175245924369&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/7000746175245924369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/7000746175245924369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2009/09/meus-trechos-preferidos-de-em-busca-do.html' title='MEUS TRECHOS PREFERIDOS DE EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-1237692241315056686</id><published>2009-08-18T21:34:00.003-03:00</published><updated>2009-08-18T21:34:43.642-03:00</updated><title type='text'>VIOLAÇÃO</title><content type='html'>Acorrentado ao rochedo,&lt;br /&gt;desde eras estou.&lt;br /&gt;Em um ciclo sem fim,&lt;br /&gt;minha víscera é regenerada,&lt;br /&gt;enquanto a minha criatura se degrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De alma oca,&lt;br /&gt;a vejo vagar pelo mundo.&lt;br /&gt;Enfurecida tenta domar a phisis,&lt;br /&gt;Desertificando o universo.&lt;br /&gt;Prolifera-se feito um câncer.&lt;br /&gt;Caminha destruindo por metástase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz tempo que tenho medo.&lt;br /&gt;Em nenhum outro animal,&lt;br /&gt;em nenhum deus,&lt;br /&gt;vi um olhar tão assustador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fracassei como criador.&lt;br /&gt;Cometi o excesso&lt;br /&gt;de dar vida ao homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-1237692241315056686?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/1237692241315056686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=1237692241315056686&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/1237692241315056686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/1237692241315056686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2009/08/violacao_18.html' title='VIOLAÇÃO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-3075530979977844997</id><published>2009-07-01T22:11:00.001-03:00</published><updated>2009-07-01T22:13:51.544-03:00</updated><title type='text'>ESTRANHEZA</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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 &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;nem tão pouco o futuro,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;mas o passado longínquo;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;luzes emitidas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;antes da minha existência,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;e que por puro acaso,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;os meus olhos as captam,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;essas mortas viajantes;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;em segundos apreendo a morte,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;a tantos anos luz. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Apurar a contundência do Nada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;de que somos herdeiros,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;humano morrer é assustador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Seriamos o Nada,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;mesmo se como estrelas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;morrêssemos,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;viajando em forma de luz, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;no fluxo infinito do universo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Somos um corpo opaco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Somos filhos póstumos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Morrer para o homem,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;é uma sentença sem pós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-3075530979977844997?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/3075530979977844997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=3075530979977844997&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/3075530979977844997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/3075530979977844997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2009/07/estranheza.html' title='ESTRANHEZA'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-6054687752519696471</id><published>2009-06-08T23:07:00.000-03:00</published><updated>2009-06-08T23:09:33.665-03:00</updated><title type='text'>OBSTÁCULOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;Cristóvão buscava&lt;br /&gt;a Cidade do Céu.&lt;br /&gt;Pintada pela pena de Marco Polo.&lt;br /&gt;Saiu o genovês navegando&lt;br /&gt;para o ocidente.&lt;br /&gt;Mas, como tudo na vida:&lt;br /&gt;tinha uma pedra no meio do caminho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-6054687752519696471?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/6054687752519696471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=6054687752519696471&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/6054687752519696471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/6054687752519696471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2009/06/obstaculos.html' title='OBSTÁCULOS'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-4011199324754165514</id><published>2009-05-27T16:54:00.002-03:00</published><updated>2009-08-18T21:37:22.557-03:00</updated><title type='text'>PARODIANDO</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;SAÍNDO DA CAVERNA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até alguns anos atrás eu vivia presa no fundo de uma caverna, imobilizada pelas correntes que me atava, a olhar sempre para a parede em minha frente. Enxergava apenas as sombras dos objetos, que alguns prisioneiros carregavam para lá e para cá, sobre suas cabeças: estatuetas de homens, de animais, vasos, bacias e outros objetos. Estas sombras surgiam e se desfaziam diante de mim. Acreditava que as imagens fantasmagóricas que apareciam diante de meus olhos eram verdadeiras, tomava esses espectros pela realidade. A minha existência era inteiramente dominada pela ignorância. Estava condicionada pelo lusco-fusco da caverna, crendo, iludida que as sombras eram realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto um dia, um Sábio, de uma das mais sublimes artes: a literatura, entrou dentro da caverna e libertou esta pobre diaba de sua pesarosa ignorância e me levou com todo o cuidado para longe daquela caverna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num primeiro momento, quando cheguei do lado de fora, nada enxerguei, os meus olhos doíam pela extrema luminosidade do sol. Mas depois, comecei a desvendar aos poucos, com a ajuda daquele Sábio, as manchas e as imagens. Hoje sei que é doloroso chegar ao conhecimento e que tenho que percorrer caminhos bem definidos para alcançá-lo. Sendo preciso, que eu a todo instante rompa a inércia da minha ignorância e isso, requer muitos sacrifícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda me encontro, na primeira etapa que passa os que saem da caverna. Não consigo captar na totalidade a realidade. Vejo apenas algo impressionista flutuar na minha frente, mas persisto com um olhar inquisidor, na tentativa de ver o objeto na sua integralidade, com os seus perfis bem definidos. Na tentativa de atingir o conhecimento, de ficar extasiada ao me deparar com um outro mundo, totalmente oposto ao do subterrâneo em que fui criada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo que o universo da ciência; das artes, principalmente a literatura e do conhecimento geral se escancarem perante a mim, para que eu possa então vislumbrar com o mundo das formas perfeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero mais pertencer ao território do homem comum, presa às coisas do cotidiano. Prefiro ser hostilizada por eles, que não acreditem em mim, que imaginem ser eu uma excêntrica, uma extravagante, uma retardada. Formas estas, que são tratados aos que saem da caverna e tentam dizer o que descobriram fora dela.&lt;br /&gt;&lt;span style="DISPLAY: block" id="formatbar_Buttons"&gt;&lt;span style="DISPLAY: block" id="formatbar_JustifyFull" onmouseup="" onmouseover="ButtonHoverOn(this);" title="Justificar" onmouseout="ButtonHoverOff(this);" onmousedown="CheckFormatting(event);FormatbarButton('richeditorframe', this, 13);ButtonMouseDown(this);"&gt;&lt;img class="gl_align_full" border="0" alt="Justificar" src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-4011199324754165514?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/4011199324754165514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=4011199324754165514&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/4011199324754165514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/4011199324754165514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2009/05/parodiando.html' title='PARODIANDO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-7969209091016217724</id><published>2008-09-20T22:17:00.001-03:00</published><updated>2009-02-12T17:11:34.553-02:00</updated><title type='text'>MEUS POEMAS FAVORITOS</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CMARIA%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; 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Uma delas é a do Rio Grande do Sul, onde há uma câmara especializada do Tribunal de Justiça para julgar prefeitos e vereadores. Não há estado no país que tenha mais prefeitos e vereadores punidos que o Rio Grande do Sul, porque lá houve especialização e os desembargadores têm apoio técnico no tribunal para julgar esses casos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A gente percebe que a elite brasileira nunca se preocupou com a exposição do preso de calção, sem camisa, sendo puxado pelo cabelo para ser exposto à televisão. Agora, com a mudança de foco da polícia, as pessoas começaram a se questionar se não deve haver proteção da intimidade. As pessoas passam a ter uma conduta diferente porque estão, sendo atingidos segmentos que eram protegidos pela polícia e pelo judiciário.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-3983994793349267037?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/3983994793349267037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=3983994793349267037&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/3983994793349267037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/3983994793349267037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2007/09/dias-para-se-pensar-e-fazer-um-brasil.html' title='IDÉIAS PARA SE PENSAR E FAZER UM BRASIL MELHOR I'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-308972281894380311</id><published>2007-08-31T20:08:00.001-03:00</published><updated>2009-02-12T17:28:10.969-02:00</updated><title type='text'>A DITADURA DO MÉTODO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/RtigtPRLI-I/AAAAAAAAACc/MntgWhNrors/s1600-h/bruger.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105006876677579746" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/RtigtPRLI-I/AAAAAAAAACc/MntgWhNrors/s200/bruger.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; No Brasil, um dos principais conflitos, não explicitados, que se manifestam na educação é entre professores e os ditos especialistas que atuam na educação (pedagogos, psicólogos, supervisores, inspetores, etc). A causa principal dessa desavença é quanto ao método, que em vez de ser utilizado pelo professor de acordo com seus interesses pedagógicos ou mesmo pela afinidade que tem com um ou outro método, é imposto a ele pelas instituições de ensino, visando homogeneizar o “processo de aprendizagem” dos seus alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É intensamente divulgado aos profissionais de educação, ficando até saturado a expressão, que a “missão fundamental de quem ensina é ajudar os alunos a pensarem por si próprios”. Fico pensando como! Pois se não é permitido a liberdade ao professor de escolher quais as estratégias, métodos, a didática mais adequada para ensinar determinado conteúdo, como ele poderá ensinar algo que ele não tem? A liberdade da escolha desses processos que envolvem a mediação do conhecimento do professor para o aluno é tão importante quanto a liberdade teórica da discussão entre docente e o discente dos conteúdos em que o professor é especializado. Uma expressão colhida num dos livros estruturadores do pensamento ocidental, pode representar bem esse imbróglio educacional, implantado com a supremacia dos especialistas sobre o ato de ensinar: “por ventura pode um cego guiar outro cego? Não cairão ambos no barranco?”&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=7767605#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; que é a meu ver essa  expressão muito bem representada pelo quadro de Pieter Brueghel (ao lado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os professores reclamam e com razão que especialistas que nunca pisaram numa sala de aula, porém dominam um certo número de teorias que norteiam os rumos da educação, tiraram-lhes a liberdade. Liberdade que é a essência da profissão do professor, se ele não se sentir livre para ensinar, dificilmente os objetivos serão atingidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é mais grave, é que normalmente esses especialistas, com respaldo institucional, impõem ao professor o método da moda, ou aquele com a qual a instituição sente certa afinidade. Em contrapartida os especialistas, juntamente com as faculdades de educação, fincam pé nas suas “verdades absolutas”, partem para desqualificação dos professores que reagem a ditadura do método de ensino, ou são indiferentes a eles. Aí o resultado é esse que nós estamos acompanhando de camarote, dentro e fora das escolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo, percebe-se que esses profissionais não se entendem, um acha que manda e os outros fingem que obedecem e os alunos no meio disso, principalmente aqueles que não querem saber de nada, infelizmente a grande maioria, saem ano após ano tão ignorante quanto quando entraram na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Professor que é professor não precisa de nenhuma babá pseudo-intelectual direcionando o seu trabalho. Ele é capaz de discernir qual o método é mais adequado para utilizar em sala de aula. Os profissionais da educação, devem ser suporte para esse professor e para os alunos. Os atores principais são professor e alunos o resto são apenas coadjuvantes do processo educacional. Porém quando tentam assumir um papel que não lhes são oportunos a educação sai perdendo em muito. E com isso toda a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos fazer uma analogia: um hospital, um médico, um paciente. De repente, José (paciente) não se sentindo bem, resolve procurar um hospital e marca uma consulta com um especialista. É atendido e o médico utiliza todos os procedimentos que ele julga necessários para curar o José. Até aqui tudo bem, não é! Pois vejamos o que poderia acontecer com José se neste tripé fosse aplicado o princípio gerencial atual que é aplicado nas escolas, com alunos e professores. José procura o hospital, marca a consulta com determinado especialista, este lhe atende, faz o diagnóstico, vêm um monte de especialistas, que não são médicos, e obrigam o médico que atendeu José a adotar determinados procedimentos. Esses procedimentos foram homogeneizados para todos os pacientes que qualquer médico venha atender, ou seja, é como indicar uma única medicação independente da moléstia que o paciente apresente. Se um paciente encontra-se num quadro de hipertensão e um outro tem câncer, os médicos, mesmo tendo especialidade distinta são obrigados a utilizar os mesmos medicamentos, os mesmos exames, o mesmo tratamento. Entendeu o que vem ocorrendo nas escolas brasileiras já há muito tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma solução simples para isso é proporcionar a liberdade essencial para o professor de utilizar o método que lhe for mais conveniente. Quanto aos especialistas que vão para a sala de aula dos cursos de formação de professores e aplicam lá o método que desejarem. Isso é a chamada práxis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=7767605#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Novo Testamento, Lucas, 6:39.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-308972281894380311?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/308972281894380311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=308972281894380311&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/308972281894380311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/308972281894380311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2007/08/ditadura-do-mtodo.html' title='A DITADURA DO MÉTODO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/RtigtPRLI-I/AAAAAAAAACc/MntgWhNrors/s72-c/bruger.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-4993582089966935965</id><published>2007-07-08T22:36:00.000-03:00</published><updated>2007-08-31T20:08:06.274-03:00</updated><title type='text'>A MORTE POR INANIÇÃO INTELECTUAL DE UMA CIÊNCIA</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/g-EePosmgdU" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A antropologia, dentro dos diversos modelos de análise que desenvolveu ao longo de sua estruturação epistemológica, chegou a conclusão que não é prudente fazer a análise de um ‘objeto’ fora do seu contexto. No entanto, não acatarei essa premissa. Farei a crítica do vídeo aqui exposto, desconsiderando todo o seu contexto, do qual desconheço. Por este motivo poderei cometer equívocos, porém ao assisti-lo vi que era um bom exemplo para discorrer sobre os erros cometidos pela psicologia, o que vem fazendo com que perca a sua identidade, e o pior, passando a atuar de maneira banalizada e medíocre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ver o filme tive um acesso de horror, misturado com pena e decepção. Espera-se que um psicólogo, ao fazer uma intervenção num grupo, que tenha o mínimo de compreensão sobre os indivíduos do qual vai atuar. Quando vejo como se trabalha com grupos que se encontram dentro de instituições, muitas vezes desprovidos de tantas coisas essenciais e simples, no caso de asilos, por exemplo, é muito comum, perceber-se com poucos minutos de observação, como normalmente são grupos fragmentados. Eles se isolam do contato entre eles próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, com o intuito de inverter esse quadro, muitos profissionais da psicologia costumam ignorar que nós seres humanos vivemos fases de vida, e isso é muito significativo para a nossa subjetividade. Não há coisa mais grotesca com o sujeito que ignorar isto. As crianças querem ser crianças; os adolescentes querem ser adolescentes; adultos querem ser adultos; e quando chega-se na velhice, o saudável é que se valorize essa nova etapa da evolução do indivíduo. As pessoas ao confundir, muitas vezes, velhice com morte e decadência procuram criar alternativas que exclua essa etapa da vida e passam a sugerir a regressão às pessoas, para um tipo, principalmente, adolescente contemporâneo. Traduzindo a mensagem que pude perceber com o vídeo, “olha, esqueça a velhice e vamos ser eternamente jovens”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu duvido muito que esses senhores e senhoras que aparecem no vídeo, se fosse perguntados que tipo de comemoração que gostariam de fazer, se eles sugeririam esse tipo de festa que foi apresentada. Eles têm uma história do qual viveram e vivem e com certeza gostariam de expressá-la, porém são coibidos dentro desse modelo de sociedade de viver essa fase, junto com outras gerações, pois a velhice incomoda os jovens e os adultos e eles não querem saber de nada que os façam lembrar dela. O asilo é na verdade um local de exclusão de um fato que a nossa sociedade não suporta: a finitude. E como se confunde velhice com isso, escolheu-se um lugar em que pudessem afastar para bem longe a realidade que tanto se ignoram. Desta forma, senhores e senhoras são coagidos em nome da inclusão, a passar por esses constrangimentos de dançar um protótipo da "dança da garrafa brasileira".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A principal ferramenta de trabalho do psicólogo é a escuta. Porque é por meio dela que se pode compreender o sujeito, e assim, a partir daí, indicar algumas alternativas que visem a promover o potencial individual de cada um. O papel do psicólogo num primeiro momento é anular-se como sujeito, colocar-se em condições de igualdade ao sujeito ou grupo que se apresenta, para desta maneira iniciar o tratamento ou a intervenção. E não ficar reproduzindo estereotipo que a tantos faz sofrer, ao invés de libertar as pessoas, aumentam ainda mais o número de algemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lamentável, mas a psicologia vem prestando um desserviço às pessoas. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-4993582089966935965?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/4993582089966935965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=4993582089966935965&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/4993582089966935965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/4993582089966935965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2007/07/morte-por-inanio-intelectual-de-uma.html' title='A MORTE POR INANIÇÃO INTELECTUAL DE UMA CIÊNCIA'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-3101911225932164907</id><published>2007-06-28T19:22:00.000-03:00</published><updated>2007-06-28T19:25:04.706-03:00</updated><title type='text'>CITAÇÕES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Uma fronteira não é o ponto onde algo termina, mas, como os gregos reconheceram, a fronteira é o ponto a partir do qual algo começa a se fazer presente.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Martim Heidegger, OLHAR, p. 194&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-3101911225932164907?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/3101911225932164907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=3101911225932164907&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/3101911225932164907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/3101911225932164907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2007/06/citaes.html' title='CITAÇÕES'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-1323854566228833717</id><published>2007-04-25T14:32:00.000-03:00</published><updated>2007-05-17T22:24:09.433-03:00</updated><title type='text'>FESTA PARA PÁ E LUTO PARA CÁ</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nós aqui no Brasil, diante de diversos problemas, muito deles herdados do país que inspirou o Chico na composição de "Tanto Mar" (abaixo), estamos precisando fazer a nossa própria festa de libertação do povo brasileiro, na construção de uma nação próspera e sem tantas discrepâncias sociais. Que tenhamos uma elite (seja financeira, industrial, comercial...), mas uma que se preocupa com o desenvolvimento e o bem estar do país; que tenhamos trabalhadores, mas também comprometidos com o mesmo ideal. Quero que seja "primavera" aqui. São 507 anos, que comemoramos no dia 22 de abril, de invernos tenebrosos de EXPLORAÇÃO. Aqui não se comemora muito essas datas, ainda não somos um povo, infelizmente, não temos orgulho de nosso país e sim vergonha. Os 507 anos, nem se quer foi lembrado pelo povo, pois estamos preocupados com mais um escândalo de corrupção e acompanhando as mesmas estratégias de canalhas corporativistas, para que nenhum dos suspeitos seja punido, da mesma forma que tantos outros do poder legistativo e do executivo sairam ilesos de um escândalo que ainda nem esfriou. As instituições públicas aqui, estão cada vez mais corruptas. Não se discute melhorar nada, parece que o projeto de povo se encontra anestesiado vendo os atuais abutres criando estrátegias para manter um sistema doente que impede que sejamos um povo brasileiro. Estamos carentes, será que ainda tem um pouco de alecrim para nos mandar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/PsJpeR2K-is" width="425" height="350" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1975&lt;br /&gt;(primeira versão)*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que estás em festa, pá&lt;br /&gt;Fico contente&lt;br /&gt;E enquanto estou ausente&lt;br /&gt;Guarda um cravo para mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria estar na festa, pá&lt;br /&gt;Com a tua gente&lt;br /&gt;E colher pessoalmente&lt;br /&gt;Uma flor do teu jardim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que há léguas a nos separar&lt;br /&gt;Tanto mar, tanto mar&lt;br /&gt;Sei também quanto é preciso, pá&lt;br /&gt;Navegar, navegar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá faz primavera, pá&lt;br /&gt;Cá estou doente&lt;br /&gt;Manda urgentemente&lt;br /&gt;Algum cheirinho de alecrim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Letra original,vetada pela censura; gravação editada apenas em Portugal, em 1975.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda versão - 1978&lt;br /&gt;Foi bonita a festa, pá&lt;br /&gt;Fiquei contente&lt;br /&gt;E inda guardo, renitente&lt;br /&gt;Um velho cravo para mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já murcharam tua festa, pá&lt;br /&gt;Mas certamente&lt;br /&gt;Esqueceram uma semente&lt;br /&gt;Nalgum canto do jardim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que há léguas a nos separar&lt;br /&gt;Tanto mar, tanto mar&lt;br /&gt;Sei também quanto é preciso, pá&lt;br /&gt;Navegar, navegar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canta a primavera, pá&lt;br /&gt;Cá estou carente&lt;br /&gt;Manda novamente&lt;br /&gt;Algum cheirinho de alecrim&lt;br /&gt;CHICO BUARQUE DE HOLANDA&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-1323854566228833717?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/1323854566228833717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=1323854566228833717&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/1323854566228833717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/1323854566228833717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2007/04/festa-para-p-e-luto-para-c.html' title='FESTA PARA PÁ E LUTO PARA CÁ'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-607227013551880149</id><published>2007-04-25T14:30:00.000-03:00</published><updated>2007-04-25T14:31:11.429-03:00</updated><title type='text'>25 DE ABRIL EM PORTUGAL</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/BgaNXtq4VLM"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/BgaNXtq4VLM" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-607227013551880149?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/607227013551880149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=607227013551880149&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/607227013551880149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/607227013551880149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2007/04/25-de-abril-em-portugal.html' title='25 DE ABRIL EM PORTUGAL'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' 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height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-6966138935054600057?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/6966138935054600057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=6966138935054600057&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/6966138935054600057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/6966138935054600057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2007/04/foi-bonita-festa-p.html' title='FOI BONITA A FESTA, PÁ'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-6897605099567686250</id><published>2007-04-11T15:19:00.000-03:00</published><updated>2007-04-11T15:28:58.125-03:00</updated><title type='text'>O PARASITISMO HUMANO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Retomo, depois de algum tempo sem postar, as minhas impressões sobre as pessoas, o mundo e os objetos que vinha registrando nesse espaço já há algum tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultimamente venho tentando com grande esforço, por circunstâncias muito particulares, observar o comportamento de pessoas que tendem para um grau elevado daquilo que Machado de Assis, por meio do Bentinho, ao se referir injustamente à Capitu, chamou de “dissimulada” (encobrir, ocultar com astúcia; fingir; disfarçar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas com esse perfil são extremamente meticulosas em suas decisões, pois não querem ceder nada daquilo que inicialmente planejaram como sendo o fim último de suas ações, sejam elas gerais ou específicas, buscando o mínimo de trabalho para si e explorando o máximo de outras pessoas. O pior defeito moral desse tipo de indivíduo, é que normalmente este fim último, só interessa a eles próprios. No senso comum, seriam designados como aqueles que são capazes de vender até a mãe em proveito próprio. Quando percebem alguma resistência para atingir o que almejam, dão voltas, feitos gatos rabugentos até conseguirem do outro o que eles desejam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma descrição mais simplista, porém esclarecedora, sobre a forma e a tipologia dos seus comportamentos é o que a biologia definiu como parasitas (comensal), ou seja, &lt;a name="conteudo"&gt;organismo que vive à custa de outro (o hospedeiro); pessoa que vive à custa de outrem; que vive à custa alheia. Em alguns casos, o parasita suga toda a vitalidade do hospedeiro, inviabilizando a sua sobrevivência. Lembrando que o Bruxo de Cosme Velho, também explorou bastante esta conotação na descrição comportamental e psicológica de alguns de seus personagens.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, espero que tenha estômago para sobreviver a essa espécie que vinha tentando evitar de maiores proximidades comigo, mas como em tudo sempre há um lado bom, posso aprender bastante, principalmente com as artimanhas efetuadas por esses organismos, para atingirem os objetivos habilmente premeditados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dica de leitura:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Viana era um parasita consumado, cujo estômago tinha mais capacidade que preconceitos, menos sensibilidade que disposições. Não se suponha, porém, que a pobreza o obrigasse ao ofício; possuía alguma coisa que herdara da mãe, e conservara religiosamente intato, tendo até então vivido do rendimento de um emprego de que pedira demissão por motivo de dissidência com o seu chefe. Mas estes contrastes entre a fortuna e o caráter não são raros. Viana era um exemplo disso. Nasceu parasita como outros nascem anões. Era parasita por direito divino.” Ressurreição (Capítulo I: No dia de ano bom) por Machado de Assis&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-6897605099567686250?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/6897605099567686250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=6897605099567686250&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/6897605099567686250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/6897605099567686250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2007/04/o-parasitismo-humano.html' title='O PARASITISMO HUMANO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-5237695156186346250</id><published>2007-02-24T12:59:00.000-02:00</published><updated>2008-12-11T07:02:35.068-02:00</updated><title type='text'>FLORES BRASILEIRAS</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/ReBVSR6EYzI/AAAAAAAAAAM/AE_dqV9KIDs/s1600-h/saopaulo001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5035118155933180722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/ReBVSR6EYzI/AAAAAAAAAAM/AE_dqV9KIDs/s320/saopaulo001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  A DELICADEZA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-5237695156186346250?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/5237695156186346250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=5237695156186346250&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/5237695156186346250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/5237695156186346250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2007/02/flores-brasileiras.html' title='FLORES BRASILEIRAS'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/ReBVSR6EYzI/AAAAAAAAAAM/AE_dqV9KIDs/s72-c/saopaulo001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-116113684926225676</id><published>2006-10-17T22:54:00.000-03:00</published><updated>2006-12-29T23:49:52.666-02:00</updated><title type='text'>Sete Lagoas - MG - indo embora</title><content type='html'>&lt;div class="flickr-frame"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/mariaramim/272673492/"&gt;&lt;img class="flickr-photo" style="WIDTH: 423px; HEIGHT: 321px" height="371" alt="" src="http://static.flickr.com/98/272673492_0c85bcb534.jpg" width="415" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/mariaramim/272673492/"&gt;Sete Lagoas - MG - indo embora&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/mariaramim/"&gt;mariaramim&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;São ruas tristes as ruas do sertão...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-116113684926225676?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/116113684926225676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=116113684926225676&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/116113684926225676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/116113684926225676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2006/10/sete-lagoas-mg-indo-embora.html' title='Sete Lagoas - MG - indo embora'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-115980902225846039</id><published>2006-10-02T14:05:00.000-03:00</published><updated>2007-05-18T15:39:05.613-03:00</updated><title type='text'>CLARICE – UMA APRENDIZAGEM OU O LIVROS DOS PRAZERES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Há alguns anos, aprendi que o texto literário é composto de camadas. Num primeiro plano ele se apresenta de uma forma. A medida que o depuramos, cada uma de suas camadas vão se definindo e assim, descobrimos um mundo de significados e a sua essência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;No caso do livro "Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres", de Clarice Lispector, é um bom exemplo, em que se é possível confirmar o perfil estratificado do texto literário.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Em sua primeira camada, o livro é chato, artificial, meio que auto ajuda (o próprio título do livro – uma aprendizagem), seu conteúdo filosófico não poderia ser pior, sem falar na forma como o personagem Ulisses, tenta moldar o comportamento de Lory, para que ela aprenda a amar, ficando desta forma, uma mulher criada para ele. Na leitura imediata do livro, fiquei sem entender como uma escritora no nível de Clarice pôde escrever algo tão esquisito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Porém, no aprofundamento de suas camadas, percebemos que o livro é uma obra prima, uma jóia cuidadosamente lapidada. Ela fez, por meio da literatura, um excelente tratado sobre a linguagem. Foi uma das discípulas que escreveu as aulas do famoso lingüista Saussure, de maneira magistral.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pois, existe coisa mais artificial e chata, que a língua expressa obedecendo todos os padrões lingüísticos da forma culta. Sem nenhum deslize, com todos os pontos, conjugações e concordâncias perfeitas. Um exemplo é o Marco Aurélio de Melo (Ministro do Supremo Tribunal Federal) falando. No início, fica-se encantado com o seu discurso, no entanto depois de algum tempo, vai nos entediando com a sua perfeição no uso do vernáculo. A Clarice concretizou isso, na construção do personagem Ulisses, o homem perfeito. Em grau tão elevado, que o tornou artificial, não humano. Desta forma, Ulisses é a língua, um amontoado de códigos gráficos e fônicos que nada têm haver com o referente, ou seja com aquilo que consideramos realidade. A língua, é abstração pura, no universo humano, é Deus, pois Ele não passa disto. É claro que Ulisses não é a língua do povo, bagunçada, criativa, cheia de distorções gramaticais, gírias, modismos, mas sim, a da academia, manipulada pelos deuses do olímpo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não é a toa que o seu personagem, seja um professor universitário de filosofia, homem maduro, culto, de alma marcada pelas cicatrizes da vida de que conseguiu superá-las, que escolhe uma mulher professora primária, imatura, sexualmente quase selvagem, infantil, para prepará-la para o amor. Lory é oposto de Ulisses. E para conhecer este outro extremo, ele sugere que ela escreva-lhe, tudo o que gostaria de dizer-lhe e que a falta coragem, porém, quando ela tenta relatar os seus sentimentos, tem medo do que poderá revelar. Escolhe as palavras, mas as palavras são insuficientes para que possa relatar os seus sentimentos, tenta desistir do que escreve e dele, mas não consegue. Parece não querer transformar no que ele deseja, no entanto segue em frente no relacionamento, acreditando que os seus encantos, a sua sensualidade sejam mais forte e possa seduzi-lo, sem ser preciso passar pela transformação a que ele exige: de que ela esteja pronta para ele, para amar. Portanto, este conflito entre eles, não aparece de forma gratuita, visto que no discurso entre pessoas, que não falam a mesma língua, não têm o mesmo padrão lingüistico, uma terá que ceder, e ajustar-se à língua do outro. Desta forma, uma relação de poder se estabelece e no caso desses dois personagens, Ulisses propõe a descer até a primariedade de Lory, mas para que ela consiga elevar-se, desenvolver-se, para que seja possível haver uma comunicações entre eles, ajustada a sua linguagem aprimorada, para paradoxalmente, a uma definição de amor dada por um brilhante professor de literatura, "amar é descer até objeto abjeto para amá-lo e compreendê-lo, porém Ulisses desce até o objeto não para compreendê-lo e amá-lo, mas para ajustá-lo aos seus padrões. A aprendizagem dos preceitos culturais é isso, um ajustamento dos instintos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Logo, as camadas deste romance são diversas, apenas tentei abordar uma delas. A literatura é livre para a hermenêutica. Sem dizer que a própria autora, no título, deixa livre a interpretação ao dar dois títulos para o livro: "Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres"&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-115980902225846039?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/115980902225846039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=115980902225846039&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/115980902225846039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/115980902225846039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2006/10/clarice-uma-aprendizagem-ou-o-livros.html' title='CLARICE – UMA APRENDIZAGEM OU O LIVROS DOS PRAZERES'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-115331520684929357</id><published>2006-07-19T10:18:00.000-03:00</published><updated>2006-07-19T10:20:06.863-03:00</updated><title type='text'>A BATALHA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quando levantares tuas armas&lt;br /&gt;contra meu corpo,&lt;br /&gt;não lutarei.&lt;br /&gt;Na nevasca angustiante de Kurosawa,&lt;br /&gt;tu perdeste,&lt;br /&gt;mas comigo tu vencerás.&lt;br /&gt;Contigo não usarei jogar xadrez&lt;br /&gt;em troca de alguns anos.&lt;br /&gt;Ao contrário de Bergman,&lt;br /&gt;entre a vida e a morte&lt;br /&gt;escolherei a morte,&lt;br /&gt;pois viver é morrer um pouco a cada dia.&lt;br /&gt;Tu sempre venceste os que jogam para viver...&lt;br /&gt;Quando enviares o corvo de Allan Poe,&lt;br /&gt;não perderei tempo com indagações ao emissário.&lt;br /&gt;Abrirei a porta e aceitarei a sentença.&lt;br /&gt;De que servirá fazer anamnese&lt;br /&gt;entre meus últimos suspiros,&lt;br /&gt;se de tudo que vier a descobrir&lt;br /&gt;nada levarei?&lt;br /&gt;Se o relógio do meu tempo&lt;br /&gt;perderá os ponteiros?&lt;br /&gt;Se a vida que pulsa no meu corpo&lt;br /&gt;lentamente sucumbirá?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-115331520684929357?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/115331520684929357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=115331520684929357&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/115331520684929357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/115331520684929357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2006/07/batalha.html' title='A BATALHA'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-114558282720572112</id><published>2006-04-20T22:25:00.000-03:00</published><updated>2006-04-23T10:52:21.066-03:00</updated><title type='text'>ELEFANTE DO SÉCULO XXI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Atualmente, estou ainda mais desconectada dos rituais culturais e das formas como a sociedade atual é organizada. Vejo o mundo hoje, apesar de todo o avanço tecnológico, mais para a Idade Média ou com tendência ao barroco degradado e empobrecido.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Vejam só a desconexão. Acredito no modelo familiar clássico, no tripé composto por pai, mãe e filhos (caso o casal desejar tê-los), tendo como assento que dá sustentação a relação: o amor, sendo este uma forma de oferecer suporte cultural e estrutura psíquica para que o sujeito consiga sobreviver na civilização. Lembro que esse modelo não é o burguês, em que o vínculo é criado por meio de contrato e talvez seja aí que as coisas começam a complicar, a relação íntima passou a ser essencialmente um negócio e nem o amor é a banalidade exposta em camisetas e rotado por todos os lados.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Desta forma, aquilo que São Paulo diz em relação ao trabalho prestado pelo escravo ao senhor, que trabalhasse pelo amor e não pela servidão, hoje não tem mais sentido. O casamento, o trabalho, os comportamentos das pessoas são tudo um comércio, em que o sujeito se tornou um escravo sem autenticidade, virou um robô alimentado pela mídia, pelos livros de receitas de Como isso e Como aquilo....&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu mim sinto um verdadeiro elefante drummondiano na selva do século XXI.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-114558282720572112?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/114558282720572112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=114558282720572112&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/114558282720572112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/114558282720572112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2006/04/elefante-do-sculo-xxi.html' title='ELEFANTE DO SÉCULO XXI'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-114089380997707568</id><published>2006-02-25T15:46:00.000-03:00</published><updated>2006-02-25T15:58:12.256-03:00</updated><title type='text'>PARAÍSOS ARTIFICIAIS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Publico a entrevista abaixo, por ser um assunto que venho estudando e a forma como o entrevistado argumenta as suas idéias é muito interessante, além de que nos ajuda a compreender melhor um dos fenômenos que tanto presenciamos em nosso conturbado cotidiano: a patologização pela medicina do comportamento humano. Espero que gostem!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Entrevista com Moacyr Scliar&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Falta de serotonina, excesso de dopamina, falhas nas fendas sinápticas - a bioquímica cerebral está na ordem do dia desde que os médicos passaram a anunciar a descoberta de causas orgânicas para males da alma. A saber: depressões, angústia e pessimismo. O entusiasmo é tanto que nesse pacote de doenças entra o que até ontem era considerado traço de personalidade, como mau humor e melancolia. Chega-se a ter a impressão de que o objetivo de tais pesquisas é formular um remédio que propicie um estado de felicidade imune aos psiquismos, imperturbável diante das vicissitudes da vida. Essa pílula mágica seria mesmo formidável, e não só para o faturamento dos laboratórios farmacêuticos. Mas é preciso ir devagar com o andor, acredita o escritor gaúcho Moacyr Scliar, 60 anos e 44 livros publicados, ele próprio médico. Scliar, que tem na medicina um dos temas de sua literatura, diz nesta entrevista a VEJA que a ambição de controlar quimicamente todos os aspectos do comportamento humano, além de ser um desdobramento previsível da onipotência médica, camufla tentações totalitárias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Se traços de caráter passaram a ser distúrbios de personalidade, que fazer para não acabar num asilo de loucos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Ter em mente que a atual situação também é resultado da cumplicidade entre o criminoso e a vítima. Hoje, as pessoas buscam na medicina as soluções para todos os seus problemas. É o que Ivan Illich chamou de medicalização da vida. (*) Ele levanta a hipótese de que os médicos, ao tentar controlar uma série de aspectos da vida, serviam como instrumento de engenharia social. Aliás, no século XIX essa idéia ainda em esboço estava bem representada no asilo de alienados, satirizada por Machado de Assis em O Alienista.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;- A melancolia e outros estados de espírito tidos como negativos podem ser produtivos?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- É claro que sim. Muitas pessoas encontram na tristeza, no inconformismo, no mau humor material para criar na literatura, na música, na pintura. Isso não só diminui como humaniza o seu sofrimento e os seus sentimentos. Quando lemos um livro de um melancólico como o escritor checo Franz Kafka, que teve uma vida de intenso sofrimento psicológico, nós partilhamos de sua angústia - o que nos torna melhores. Toda arte encontra sua expressão na metáfora da garrafa do náufrago que atira sua mensagem ao mar sem saber a quem ela chegará. Essa mensagem tem chegado a bem poucos, é verdade, mas em inúmeros casos talvez ela pudesse ser um substituto para os artifícios químicos. As pessoas que lêem, que se nutrem de arte, sabem que nenhum homem é uma ilha e que todos padecem, em maior ou menor grau, das limitações da condição humana.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Como o senhor vê a tentativa da medicina de encontrar respostas químicas para quase todos os comportamentos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Há nessa atitude um componente da onipotência que por vezes contamina a pesquisa e a prática médicas. De uma perspectiva histórica, o fenômeno é explicável pelo fato de a medicina científica ser algo recente, que ainda inspira um entusiasmo desmedido como qualquer brinquedo novo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;- Mas a medicina não foi sempre uma ciência?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Não. Durante séculos, em diferentes culturas, a arte de curar foi uma prática mágico-religiosa. Quem tratava das doenças eram pajés e sacerdotes, e o instrumento básico para a cura era a fé do doente no xamã que o atendia. Com Hipócrates, na Antiga Grécia, teve início a visão empírica, em que algumas doenças passaram a ter origens naturais. Mas só no final do século passado a medicina entrou realmente na sua fase científica, que pode ser resumida da seguinte forma: há uma causa para a doença e existe uma maneira de enfrentá-la no campo de combate que é o corpo do paciente. Quem inaugurou essa etapa, que pode ser considerada a primeira revolução na medicina, foi o francês Louis Pasteur, o descobridor dos microorganismos. Em sua época, Pasteur chegou a ser mais popular do que Napoleão Bonaparte, o que dá a medida do seu feito. Neste fim de século, estamos vivendo uma segunda revolução, representada por procedimentos como a engenharia genética, o estudo da bioquímica cerebral e novos métodos de diagnóstico e tratamento. É o apogeu da visão científica da medicina, que agora tenta ampliar seu raio de ação para questões comportamentais, por meio da psiquiatria. Vingou a idéia da pílula mágica - de que para cada sofrimento físico ou mental existe um remedinho milagroso.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Por que a idéia da pílula mágica faz sucesso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Porque parece ser o caminho mais fácil para preencher esse vazio interior que tomou conta das pessoas neste final de século - vazio este que causa uma ansiedade exasperante. A busca da pílula mágica corresponde ao afrouxamento das relações interpessoais, que ficaram muito tênues, difícies. Em geral, tem-se poucos amigos, a família é uma chateação e os colegas de trabalho só querem saber de puxar o seu tapete. É preciso ver, ainda, que certas doenças e tipos de condicionamento ficaram estigmatizados. Depressão, por exemplo. As pessoas simplesmente não toleram a depressão em si mesmas e nos outros. Como em nossa sociedade os indivíduos são constantemente instados a mover-se, a fazer coisas, a tomar decisões, a agir, quem fica sozinho num canto é visto com suspeição. É curioso notar que a forma de considerarmos a doença bipolar, em que existe um pólo maníaco e outro depressivo, obedece a uma determinação social.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- O pólo maníaco é muito mais aceito pelas sociedades competitivas do que o pólo depressivo. O sujeito que diz que pretende construir um prédio de 500 andares ou que formará uma frota de espaçonaves para fazer pacotes turísticos até a Lua é visto como um empreendedor. Mas se alguém ficar quieto, ensimesmado, não faltará quem diga que algo não está bem, que ele deve tomar alguma providência. E daí o sucesso de drogas como o Prozac.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Essas drogas não representam evolução notável?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- É claro que existem distúrbios mentais com diagnóstico bem definido. A depressão, em muitos casos, pode ser uma doença grave, capaz de levar à invalidez e ao suicídio. Nesses casos, ela precisa ser tratada com remédios. Noto, porém, que é grande o número de pessoas que procuram médicos não porque estejam doentes, mas porque desejam mudar o seu humor, a sua personalidade. Querem fazer uma maquilagem de seu psiquismo, de seu estado de espírito. O bem de consumo prometido por muitos psiquiatras é um comportamento standard, de uma alegria plastificada que não dá margens a alterações de humor. Acho interessante que a substância mágica deste final de século sejam os antidepressivos. Podia ser um analgésico poderoso, um tranqüilizante muito forte, mas não. Isso mostra como a depressão é o espectro da modernidade. Para os gregos, a melancolia era um distúrbio dos humores, um excesso do que eles chamavam de bile negra, curável por dietas e purgas. Nada de preocupante. É a modernidade que vê na melancolia uma ameaça à inserção social do indivíduo, à capacidade produtiva. Evidentemente, quem busca em remédios e drogas uma máscara para a alma precisa lembrar que são paraísos artificiais, para usar uma expressão do poeta francês Baudelaire. Essas substâncias podem fazer com que o sujeito se afunde de vez e, o que é pior, com prescrição médica.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Falta formação humanística aos médicos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Falta. E essa lacuna prejudica sobremaneira a relação com o paciente. As pessoas que hoje vão a um médico o fazem com a mesma expectativa de seus antepassados: encontrar alguém que as ouça. Muitas vezes basta isso. No entanto, o diálogo deu lugar a uma batelada de exames. O resultado é que o médico conversa cada vez menos com o paciente, toca menos na pessoa que o consulta. Houve ganho porque não há toque que substitua uma tomografia computadorizada no caso de um tumor no cérebro. Mas, ao deixar de ouvir e examinar com as próprias mãos o paciente, o profissional da saúde também perdeu sua humanidade. A cultura do médico do passado, que tinha noções de antropologia, era um leitor ávido e muitas vezes escritor, foi substituída pela formação estritamente tecnológica. Nesse caso, houve perda, porque não existe tomografia computadorizada que detecte a infelicidade de um paciente como origem daquele aperto no coração que se traduz em incômodos físicos. Nos Estados Unidos, algumas universidades esboçam uma reação, com um currículo composto de matérias como história da medicina, sociologia e ética. Tentam, assim, alargar o horizonte do estudante e, por tabela, melhorar a comunicação com seu futuro paciente.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Apesar da busca de&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;um comportamento padrão, nunca se fez tanto a apologia das diferenças individuais. Como o senhor interpreta essa contradição?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Essas diferenças são apenas um detalhe, funcionam como um acessório de moda. O que se propõe é uma pitada de individualidade combinada com uma grande dose de homogeneidade. No fundo, o que está por trás das mensagens publicitárias, da ênfase na criatividade no trabalho, é uma espécie de slogan esquizofrênico: "Seja diferente: seja igual". As ditaduras exercem o totalitarismo mediante a prisão, a tortura, a censura, as máquinas de extermínio. Já o que vou chamar de totalitarismo democrático se dá por meio do consumo, que homogeneíza padrões estéticos, de comportamento, de gosto. Arrisco dizer que essa necessidade de padronizar tudo guarda íntima relação com o prolongamento da adolescência, um fenômeno visível a olho nú.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- O que é isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Na adolescência, todos querem pertencer à mesma tribo, falar a mesma língua, experimentar os mesmos sentimentos. Como tais necessidades satisfazem mais às exigências do mercado, essa fase da vida vem sendo esticada no plano cultural e social. Esse modelo do adolescente cheio de energia, com vontade de unir-se indissoluvelmente a um grupo, rápido no gatilho, encanta a sociedade contemporânea. No passado, a figura que servia de modelo era do velho experiente. Isso terminou porque a sabedoria foi substituída pela informação mastigada. Hoje, ninguém está interessado em ruminar o sentido da vida. Uma figura representativa deste nosso tempo é Bill Gates. Ele é o eterno adolescente, o prestidigitador capaz de fornecer respostas e sensações instantâneas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Qual o lugar da literatura em um mundo tão juvenil e apressado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- As pessoas têm necessidade de ficção. É verdade que a literatura é apenas uma das formas que atendem a essa necessidade - na televisão, principalmente, a ficcionalização da realidade é um fato. Acho que a palavra que sintetiza a situação atual da literatura é perplexidade. Voltando ao final do século XIX, a literatura tinha o papel fundamental de ensinar as pessoas a viver. Recorria-se a grandes autores, como Balzac, Tolstoi e Dostoievski, para extrair lições, refletir sobre os fatos da vida e educar-se para o convívio humano. Essa função a literatura perdeu indelevelmente. Ao longo deste século, ela perdeu uma outra: a de doutrinação política. Essa deixou de ter sentido com o fim do comunismo, que lhe dava suporte. Na maioria das vezes, ser escritor era ser escritor de esquerda. O que sobrou para a literatura neste final de século? Acho que o modesto prazer de contar histórias, de ser veículo de emoções um pouco diferentes das proporcionadas pela indústria cultural.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- O senhor é um pessimista?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Não se confundam minhas observações com passadismo ou saudosismo, duas das vias de acesso para o pessimismo. Ao chegar aos 60 anos, constato que existe um mecanismo de correção de rumo que sempre salva a sociedade do colapso. A história humana obedece a ciclos que alternam euforia e tranqüilidade. Estamos vivendo uma fase furiosa em que procuramos fugir dos próprios fantasmas, em que tentamos nos integrar a essa realidade chapada que é oferecida de bandeja pela economia de mercado e pela indústria do entretenimento. Tenho certeza, porém, de que um novo período está por vir. Nele, as pessoas voltarão a dar mais valor à vida interior e às relações interpessoais. Se fosse um pessimista, deixaria de escrever.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;- Qual o tema do livro que o senhor pretende lançar até o final do ano?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Estou escrevendo uma novela que gira em torno do médico sanitarista Noel Nutels, um judeu-russo que ainda criança imigrou para o Recife. Na capital pernambucana, ele formou-se em medicina e, não demorou muito, embrenhou-se no Xingu. Era um apaixonado pelos índios. Depois de presenciar as perseguições terríveis a judeus que antecederam e sucederam a Revolução Russa. Nutels identificou-se com esse grupo humano que também estava sendo massacrado. Ele morreu no início da década de 70, aos 59 anos, deixando um trabalho notável como sanitarista e indigenista. Atribui-se a Nutels, que era homem de esquerda, uma das melhores piadas com militares que este país já produziu. Depois do golpe de 64, já muito doente, ele foi visitado por cinco generais que o tinham em alta conta pelos serviços prestados no Xingu. "Como você está, Nutels?", perguntou um dos militares. "Como o Brasil: na m...e cercado de generais"., respondeu Nutels. É símbolo de uma época em que as pessoas tinham uma causa a se dedicavam a ela com paixão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Entrevista dada para Mário SabinoPáginas amarelas da VEJA, de 28 de maio de 1997&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(*)Nota da redação do PECO:Némesis Médica, de Ivan IllichPrimera edición en español, junio de 1978D.R.© Editorial Joaquin Mortiz, S.A.Grupo Editorial Planeta - Tabasco 106, México 7, D.F. Título original: Medical Nemesis© 1976, Random House, Inc - Pantheon Books Némesis MédicaEditora Nova Fronteira1976 - Rio de Janeiro / RJ&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-114089380997707568?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/114089380997707568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=114089380997707568&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/114089380997707568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/114089380997707568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2006/02/parasos-artificiais.html' title='PARAÍSOS ARTIFICIAIS'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-113847790197525977</id><published>2006-01-28T17:46:00.000-02:00</published><updated>2006-01-28T17:51:42.000-02:00</updated><title type='text'>UM BELO CAPÍTULO DE THOMAS HARDY</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;DE NOVO EM CHRISTMNSTER &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;               Quando chegaram, a estação estava muito animada. Rapazes de chapéu de palha esperavam moças que com eles tinham notável semelhança e usavam alegres e claros vestidos de verão.&lt;br /&gt;              - O lugar parece alegre – disse Sue. – É o dia das Comemorações!... Judas... como você é esperto... Chegou neste dia de propósito!&lt;br /&gt;             - Cheguei – disse Judas calmamente, tomando o menino mais moço nos braços e recomendando ao filho de Arabela que não se afastasse deles, enquanto Sue tomava conta da menina mais velha.&lt;br /&gt;             -  Pensei que pudéssemos chegar hoje, tão bem quanto em outro qualquer dia.&lt;br /&gt;             -  Mas, tenho medo que isso deprima você! – disse Sue, olhando-o ansiosamente dos pés à cabeça.&lt;br /&gt;             - Ah! É preciso não deixar que isso interfira na nossa vida. Temos muito que fazer antes de nos instalarmos aqui. E, antes de mais nada, precisamos procurar alojamento.&lt;br /&gt;             Tendo deixado a bagagem e as ferramentas na estação, foram a pé pela rua que lhes era tão familiar, misturados com a multidão que seguia na mesma direção. Na esquina dos Quatros Caminhos, preparavam-se para tomar o lado onde havia probabilidades de encontrar o que procuravam, quando, olhando o relógio e a multidão que se apressava, Judas disse:&lt;br /&gt;            - Vamos ver a procissão. E não nos preocupemos com o alojamento. Cuidaremos disso depois.&lt;br /&gt;            - Você não acha que deveríamos primeiro tratar de arranjar um teto? – sugeriu Sue.&lt;br /&gt;            - Contudo, Judas estava com o espírito na comemoração. Desceram a rua principal, o bebê nos braços de Judas, Sue segurando pela mão a meninazinha, enquanto o filho de Arabela seguia silenciosamente ao lado deles, com ar pensativo. Grupos de meninas bonitas, usando vestidos leves, e grupos de pais ignorantes que não haviam cursado nenhum colégio em sua juventude, seguiam na mesma direção, ladeados por irmãos ou filhos, cujas expressões revelavam nitidamente a opinião de que nenhum ser digno do nome de homem tinha jamais vivido neste mundo antes deles o terem vindo adornar com suas presenças.&lt;br /&gt;            - Meu fracasso pesa sobre mim à vista de cada um desses jovens – disse Judas. – Uma lição sobre a presunção me esperava hoje aqui! É um dia de humilhação para mim!... Se você, minha querida Sue, não tivesse vindo em meu socorro, teria ido para o diabo, por desespero!&lt;br /&gt;            - Sue viu, pela expressão de Judas, que ele estava numa terrível disposição de espírito.&lt;br /&gt;            - Melhor seria que nos tivéssemos ocupado logo de nossos afazeres, querido – disse Sue. – Tenho certeza que esse espetáculo despertará em você velhas tristezas e não lhe fará nenhum bem.&lt;br /&gt;            - Bem, estamos perto, vamos cuidar disso agora – disse Judas.&lt;br /&gt;            Viraram à esquerda da igreja de pórtico italiano, cujas colunas torsas eram guarnecidas por trepadeiras, e continuaram até que chegaram diante do teatro circular onde se encontrava o famoso lanternim: símbolo, para Judas, das suas ambições abandonadas. Era ali que tinha contemplado a cidade dos Colégios, na tarde de sua grande meditação. Era aí que tinha ficado enfim convencido da futilidade de suas esperanças de ser um filho da Universidade.&lt;br /&gt;            Naquele dia, no espaço livre que se estendia entre esse monumento e o colégio mais próximo, comprimia-se, em expectativa, uma multidão numerosa. Uma passagem havia sido reservada, no centro, entre a porta do colégio e a do grande edifício do teatro.&lt;br /&gt;           - É aqui o lugar. Vão passar já – gritou Judas de repente, muito excitado. Forçando caminho, chegou até a grade, tendo sempre o menino nos braços. Sue e as outras crianças o seguiam. A multidão se fechou atrás deles, conversando, brincando, rindo, enquanto os carros, um após outro, paravam diante da pequena porta do colégio e deles desciam personagens solenes, vestidos de vermelho cor de sangue.&lt;br /&gt;            O céu se tornara nublado e lívido e, de quando em quando. Ouvia-se o trovão.&lt;br /&gt;            O Pequeno Pai do Tempo teve um arrepio.&lt;br /&gt;            - Dir-se-ia o dia do julgamento final – murmurou ele.&lt;br /&gt;            - São apenas eruditos Doutores – Disse Sue.&lt;br /&gt;            Enquanto esperavam, grandes pingos de chuva caíam sobre suas cabeças e ombros. A espera se tornava enfadonha e Sue pediu mais uma vez para partir.&lt;br /&gt;            - Não tardará muito, agora – respondeu Judas, sem voltar a cabeça.&lt;br /&gt;            Contudo, a procissão continuava a não aparecer e alguém, na multidão, para passar o tempo, olhando a fachada do colégio mais próximo, disse que gostaria de saber o que queriam dizer com a inscrição latina que se encontrava no meio da parede. Judas, que estava perto, explicou. E percebendo que todos à volta dele o ouviam com interesse, começou a descrever as esculturas da frisa e a comentar alguns detalhes de arquitetura dos outros colégios da cidade.&lt;br /&gt;            A multidão de desocupados, inclusive os dois policiais que guardavam as portas, arregalavam os olhos, tal como os Licaonianos diante de S. Paulo, posto que Judas facilmente se entusiasmava com qualquer assunto. Pareciam admirados pelo fato daquele estrangeiro conhecer melhor que eles os edifícios da cidade. Por fim, um deles disse:&lt;br /&gt;            - Mas, eu conheço esse homem. Trabalhava aqui há muitos anos. Seu nome é Judas Fawley. Vocês não se lembram que lhe tinham dado o apelido de Pregador dos Miseráveis? Não se lembram? Tinha idéias nesse sentido. Ao que suponho, está casado e é o filho que carrega nos braços. Taylor o reconhecerá, ele que conhece todo mundo.&lt;br /&gt;            Quem falava era um homem que se chamava Jack Stagg. Tinha trabalhado com Judas, restaurando colégios antigos. Tinker Taylor estava por perto. Essas palavras atraíram sua atenção. Gritou por cima da grade:&lt;br /&gt;            - Sentimos-nos muito honrados em recebê-lo, meu amigo! Judas fez um sinal com a cabeça.&lt;br /&gt;            - Você não parece ter lucrado muito saindo daqui, não? Judas teve um gesto de assentimento.&lt;br /&gt;            - A não ser novas bocas para nutrir. – Isso foi dito por uma nova voz que Judas reconheceu como a do Tio Joe, um outro pedreiro de que se lembrava.&lt;br /&gt;            Retrucou com bom humor que não podia dizer o contrário. E, de réplica, estabeleceu-se uma conversa geral entre ele a multidão. Tinker Taylor lhe perguntou se se lembrava de uma noite, no “cabaret”, durante a qual tinha sido desafiado a recitar o Credo em latim.&lt;br /&gt;            - Mas a fortuna não se encontrava no seu caminho, não? – interveio Joe. – Você não era bastante forte para chegar ao fim, não?&lt;br /&gt;            - Não responda mais nada – suplicou Sue.&lt;br /&gt;            - Acho que não gosto de Christminster – murmurou tristemente o Pequeno Pai do Tempo, invisível e abafado pela multidão circunvizinhante.&lt;br /&gt;Sentido-se alvo de toda aquela gente curiosa, Judas não se achava disposto a recuar diante de uma declaração franca de que não tinha a menor razão de se sentir envergonhado. E, pouco depois, sentiu-se impelido a dizer, com voz forte aos que o escutavam:&lt;br /&gt;- é um problema difícil, amigos, para todos os jovens... problemas aos quais me atirei e sobre os quais milhares de outros refletem atualmente, nestes tempos novos. Deve cada um seguir cegamente o caminho em que se acha, sem considerar seus dotes pessoais, ou deve, pelo contrário, pesar as aptidões, as preferências que possa ter, e mudar a direção de sua vida? Foi o que tentei fazer e fracassei. Mas, não admito que o meu fracasso valha como prova de que estava errado, do mesmo modo como não admitiria que o sucesso justificasse o bem-fundado do meu ponto de vista. E é assim, entretanto, que, muitas vezes, julgamos os esforços, não pelo seu valor essencial, mas pelo seu resultado acidental. Se me tivesse tornado um desses senhores vestidos de vermelho e preto que estamos vendo descer, ali, todos diriam: “vejam como este homem agiu sabiamente, seguindo o pendor de sua natureza!” Mas, não tendo acabado melhor do que comecei, dizem: “Vejam como este homem agiu estupidamente, seguindo um capricho de sua imaginação!” No Entanto, foi minha pobreza e não a minha vontade que determinou a minha derrota. São precisas duas ou três gerações para fazer o que eu tentei fazer em uma só. Meus instintos, minhas paixões, talvez devesse dizer: meus vícios, eram fortes demais para não obstruir o caminho de um homem sem recursos. Precisaria ter um sangue de peixe e um egoísmo de porco para ter realmente uma probabilidade de me tornar um homem importante! Vocês podem me ridicularizar – permito que o façam. – Presto-me bem a isso, não há dúvida. Mas, creio que se soubessem de tudo por que passei, nesses últimos anos, vocês teriam, antes pena de mim. E se eles soubessem – indicava com um gesto de cabeça o colégio onde Doutores estavam chegando – fariam possivelmente o mesmo.&lt;br /&gt;            - Realmente ele tem um ar doente e exausto – disse uma mulher.&lt;br /&gt;            O rosto de Sue exprimia a sua emoção. Mas embora estivesse ao lado de Judas, ficava escondida por ele.&lt;br /&gt;            - Talvez eu seja útil, antes de morrer, como um terrível exemplo do que não se deve fazer, uma espécie de ilustração de uma história edificante – continuou Judas, não sem certo amargor, se bem que tivesse começado da falar com serenidade. – Não sou, afinal de contas, senão uma desprezível vítima desse espírito de inquietude moral e social que faz tantos desgraçados na nossa época.&lt;br /&gt;            - Não lhes diga isso – murmurou Sue, com lágrimas nos olhos, compreendendo o estado de espírito de Judas – Não é isso o que você é. Você lutou nobremente para se instruir e só almas muito baixas poderiam censurar isso.&lt;br /&gt;            Judas mudou a criança para uma posição mais cômoda, nos braços, e conclui:&lt;br /&gt;            - E o que vocês vêem, um homem pobre e doente, não é o que há de pior em mim. Estou num caos moral. Procurando às apalpadelas, no escuro. Agindo por instinto e sem modelo algum. Há oito ou nove anos atrás, quando aqui vim pela primeira vez, tinha um perfeito estoque de opiniões estabelecidas, que foram caindo, uma a uma. E, quanto mais caminho menos me sinto seguro. Pergunto-me se, presentemente, tenho outra regra de vida a não ser a de seguir pendores que não sejam nocivos nem a mim nem aos outros, e fazer prazer às pessoas de quem gosto. Aí está, senhores: queríeis saber o que eu me tinha tornado, disso tudo. Possa isso vos ser útil! Não posso me explicar mais longamente, aqui. Percebo que deve haver qualquer coisa de errado nas nossas fórmulas sociais: para descobri-lo, haveria necessidade de homens ou mulheres mais clarividentes do que eu – se é que alguém o possa fazer, em nossos dias. Porque quem é que sabe o que é bom para o homem neste mundo? E quem pode dizer a um homem o que haverá, depois dele, debaixo do sol?&lt;br /&gt;            - Escutem, escutem! – gritava o povo.&lt;br /&gt;            - Bom sermão! – disse Tinker Taylor. E, dirigindo-se a seus vizinhos:&lt;br /&gt;            - Certamente que um desses pastores que andam por toda a parte, oficiando quando os Reverendos estão de férias, não teria discursado sobre tantas questões de doutrina por menos de uma guinea. Não acham? Aposto que nenhum! E ainda, teriam tido de preparar o sermão. E, no entanto, ele não é senão um operário!&lt;br /&gt;            Como uma espécie de comentário objetivo ao discurso de Judas, chegou neste momento, um carro conduzindo um Doutor, pomposamente vestido e ofegante. Como o cavalo não parasse no lugar oportuno, saltou do carro e caminhou até o Colégio. O cocheiro pulou no chão e pôs-se da dar ponta-pés na barriga do animal.&lt;br /&gt;            - Se se pode fazer isso no portão de um Colégio – disse Judas – na própria cidade da Religião e da Instrução, quem poderá dizer até que ponto chegamos.&lt;br /&gt;            - Silêncio! – disse um dos policiais que, junto com seu companheiro, acabara de abrir as duas grandes portas defrontes ao colégio – cale-se, homem, durante o desfile do cortejo.&lt;br /&gt;            A chuva começou a cair com mais força, e todos os que tinham guarda-chuvas, os abriram. Judas não possuía nenhum e Sue, apenas um pequeno guarda-sol. Esta última tinha empalidecido muito, sem que Judas o tivesse notado.&lt;br /&gt;            - Partamos, Judas querido – murmurou, tentando abrigá-lo. – Não temos ainda alojamento e todas as nossas coisas estão na estação. De mais a mais, você está todo molhado, tenho medo que fique doente!&lt;br /&gt;            - Estão chegando, agora. Só um momento e, depois, iremos embora – disse.&lt;br /&gt;            Um carrilhão de seis sinos começou a tocar, cabeças aparecem em todas as janelas e o cortejo dos Provedores e dos novos Doutores começou a desfilar. Suas silhuetas, vestidas de preto e vermelho, passavam no campo de visão de Judas como planetas inacessíveis diante de uma objetiva.&lt;br /&gt;            A medida que desfilavam, pessoas bem informadas iam dizendo-lhes os nomes, e, quando atingiram o velho teatro circular de Wren, levantaram-se vivas aclamações.&lt;br /&gt;            - vamos até lá! – exclamou Judas.&lt;br /&gt;            Chovia agora torrencialmente, mas ele parecia não perceber nada e arrastava os seus para o lado do teatro. Ficaram ali, em pé sobre a palha que tinha sido posta para abafar o ranger das rodas. Os bustos de pedra, pálidos e estranhos, corroídos pelas geadas, pareciam contemplar a cerimônia e olhar particularmente Judas, Sue e as crianças, encharcadas, como se fossem personagens grotescas que nada tivessem que fazer ali.&lt;br /&gt;            Queria tanto entrar! – disse Judas com fervor. – Espere: daqui posso ouvir algumas palavras do discurso em latim: as janelas estão abertas.&lt;br /&gt;            Todavia, com o barulho do órgão, os gritos e as hurras que acompanhavam cada discurso, Judas, molhado, não pode ouvir grande coisa. Mal distinguia, de vez em quando, uma palavra sonora terminada em um ou ibus.&lt;br /&gt;            - Ah! Ficarei sempre de fora, até o fim de minha vida! – disse, por fim suspirando.&lt;br /&gt;                           &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;THOMAS HARDY – &lt;strong&gt;JUDAS, O OBSCURO&lt;/strong&gt; – ED. ITATIAIA, 1958, PAG. 319-325&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-113847790197525977?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/113847790197525977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=113847790197525977&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/113847790197525977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/113847790197525977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2006/01/um-belo-captulo-de-thomas-hardy.html' title='UM BELO CAPÍTULO DE THOMAS HARDY'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-113672466222409700</id><published>2006-01-08T10:48:00.000-02:00</published><updated>2006-01-08T10:52:34.256-02:00</updated><title type='text'>RABISCO I</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;PRONOMES&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não importa o eu,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;o tu,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;o ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mas sim, o nós,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;o vós,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;o eles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A busca do singular é cômoda e&lt;br /&gt;estéril.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Porém, o plural abre caminho para o&lt;br /&gt;amor,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;o ódio,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;o insólito,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;a fertilidade e&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;o caos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-113672466222409700?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/113672466222409700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=113672466222409700&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/113672466222409700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/113672466222409700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2006/01/rabisco-i.html' title='RABISCO I'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-113494735479047464</id><published>2005-12-18T21:05:00.000-02:00</published><updated>2005-12-18T21:09:14.800-02:00</updated><title type='text'>PÉTALAS DE ROSA II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Como já dito em outra postagem, estou viajando já faz alguns dias ao “&lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;”. Neste percurso, venho encontrando perolas que desejo compartilhar com alguns poucos visitantes que freqüentam este espaço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Senti pena daqueles pobres, cansados, azombados, quase todos sujos de sangues secos – se via que não tinham esperança nenhuma decente (...). O que demasia na gente é a força feia do sofrimento, própria, não é a qualidade do sofrente.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O livro é de uma beleza, além de trazer uma séria de definições perfeitas, próprias do humano, que não se encontram em nenhum dicionário, ou mesmo em livros teóricos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-113494735479047464?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/113494735479047464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=113494735479047464&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/113494735479047464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/113494735479047464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/12/ptalas-de-rosa-ii.html' title='PÉTALAS DE ROSA II'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-113430464743313790</id><published>2005-12-11T10:36:00.000-02:00</published><updated>2005-12-11T10:54:26.993-02:00</updated><title type='text'>DESABAFO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Antes de começar a reclamar de um item do edital do vestibular da UFMG, gostaria de deixar bem claro, que não compartilho das opiniões que hoje estão em voga de: “cotas raciais”, “cota pobreza” (porque no Brasil, público se confunde com pobreza), e outras tantas idiotices que a reforma universitária vem tentando implantar no ensino público superior. Neste caso, poucos pobres e negros não tem acesso a universidade pública, não porque ele seja pobre ou negro, mas porque teve uma péssima educação básica, esta sim, sem nenhuma perspectiva de melhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou da opinião que para se ter igualdade no ingresso do ensino superior público, deve-se investir pesado na educação básica: com muitos laboratórios de física; química; biologia (desde o anos iniciais do ensino fundamental); ensino de matemática; ou seja álgebra e geometria, pois os professores dessa matéria ensinam os 11 anos, apenas álgebra e quase sempre o B A BÁ, até Hitler sabia que para emburrecer um povo, não se deve ensiná-los matemática, apenas álgebra; português com muita produção de texto (diversos), eu mesma, raras foram as vezes que um professor mandava fazer uma produção de texto, normalmente no início do ano mandavam fazer uma com o tema ”as férias”, isto porque redação dá trabalho para corrigir, e os professores com o péssimo salário que recebem, para sobreviver têm que trabalhar em até três turnos, em escolas diversas, e realmente não tem como corrigir nada, apenas dão aulas. É a educação no Brasil, em frangalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos ao que interessa, depois do Estado me oferecer a pior educação possível e mais os atropelos da vida, concluí o ensino médio precisando de voltar para o primário. Nos onze anos estudados, no meu tempo ainda havia retenção, o que garantia um mínimo de qualidade, não houve um ano se quer, que o processo não era interrompido por greves, que rara as vezes duravam menos de 60 dias. Nunca foi feito uma reposição de verdade dos dias parados, para os professores fingir que foram feitas a reposição das aulas é uma espécie de greve branca, visto que em quase todas as greves saem derrotados, então o jogo passa a ser o seguinte: “o governo exigi a reposição”, a escola monta um calendário de reposição, que normalmente é aos sábados, aí quase ninguém aparece nessas aulas, nem professor, nem aluno. Então, levando-se em consideração a LDB, que exige duzentos dias letivos, se houve uma greve de 60 dias letivos, o Estado passa a oferecer apenas 140 dias letivos. Outro agravante são as malditas reuniões feitas nas escolas dentro do horário de aula, que leva a dispensar os alunos e passam outra vez a “comer” os míseros dias letivos, como regra nas escolas, toda sexta-feira têm reunião, então a semana escolar passa a ser de quatro dias, ao invés de 5 dias. Como falar em qualidade na educação depois de relatar uma situação destas. E sem nenhum exagero, isto ocorre de norte a sul, em todo o Estado de Minas Gerais, tanto na esfera estadual quanto na municipal, sem exceção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, mesmo tendo concluído o ensino médio semi-analfabeta, consegui ingressar em uma faculdade privada. No entanto, como as mensalidades não são nada baratas, tive que parar o curso e resolvi estudar para o vestibular na UFMG. Qual foi a minha conclusão no início dos meus estudos, não tinha a menor condições de concorrer no vestibular, se realmente não fizesse toda a educação básica de novo: onze anos jogados fora no esgoto. Não sabia nada de química, física (não pasmem, mas sinceramente, nunca tive uma aula sequer dessas duas matérias nos onze anos de estudos), biologia, matemática (geometria/função), não sabia nem sequer escrever, coisa que venho aprendendo ainda hoje. Passei os anos de 2003, 2004 e 2005 estudando o que podia para conseguir concorrer a uma vaga do curso de direito da egrégia Universidade Federal de Minas Gerais. No vestibular de 2003, como seqüelas de toda a minha educação, fiz uma péssima prova na primeira etapa, realmente não tinha a menor condições de ir para a segunda etapa do vestibular. Mas em 2004 e 2005, considero ter sido vítima da burrice do edital dessa instituição, que tem como regra para ir para a segunda etapa no caso do curso de direito (muito concorrido) “que os candidatos que fizer 72 pontos ou mais, e pelo menos cinco pontos em cada matéria são classificados para a lista prioritária e são chamados até que haja, no máximo, três concorrentes por vaga”. A conseqüência dessa regra é a seguinte: vai para a segunda etapa pessoas que em total de pontos tirou menos que você. Veja só o absurdo: são distribuídos 120 pontos na primeira etapa, 15 para cada disciplina (matemática, português, história, geografia, língua estrangeira, química, física e biologia), caso você tire 15 pontos, em 7 disciplina e em uma delas você tem a infelicidade de tirar apenas 4 pontos, você está eliminado, no caso do curso de direito para a segunda etapa do vestibular. Ou seja, neste caso, a pessoa tirou em total de pontos 109 em 120 distribuídos e não foi para a segunda etapa. Outro, que tirou 72 pontos no total e não tirou em nenhuma matéria menos de 5 pontos foi. Este foi o meu caso em 2004, fui de muito bom a excelente em 7 disciplinas e em matemática tirei 4 pontos e por isto não consegui ir para a segunda etapa do vestibular da UFMG, depois de vários meses a universidade divulgou a nota de corte desse ano, e verifiquei que quem foi para a segunda etapa tirou em total de pontos, nota muito menor do que a minha. Neste ano, por infelicidade o fato voltou a ocorrer, e provavelmente irá para segunda etapa um candidato, no geral, menos preparado do que eu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sinceramente, gostaria que as pessoas que são responsáveis por discutir as mudanças no vestibular das instituições públicas, estivessem discutindo regras idiotas como esta relatada e não uma forma de destruir a qualidade do ensino oferecido por essas instituições.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-113430464743313790?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/113430464743313790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=113430464743313790&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/113430464743313790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/113430464743313790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/12/desabafo.html' title='DESABAFO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-113089660745393530</id><published>2005-11-01T23:51:00.000-02:00</published><updated>2005-11-25T14:56:40.310-02:00</updated><title type='text'>FILME - "VOZES INOCENTES"</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4689/494/1600/vozesinocentes.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 186px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" height="287" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4689/494/320/vozesinocentes.0.jpg" width="274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;Que triste se ouve a chuva&lt;br /&gt;nos tetos de papelão.&lt;br /&gt;Que triste vive minha gente&lt;br /&gt;nas casas de papelão.&lt;br /&gt;Crianças com a cor da minha terra&lt;br /&gt;com as mesmas cicatrizes,&lt;br /&gt;milionários de lombrigas.&lt;br /&gt;Olhe quanto sofrimento.&lt;br /&gt;Olhe como pesa o sofrimento.&lt;br /&gt;Lá em cima&lt;br /&gt;deixo a minha mulher prenha.&lt;br /&gt;Abaixo, está a cidade&lt;br /&gt;que  se perde em sua confusão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Música de André Abujamra, no belo filme "&lt;/span&gt;&lt;a href="http://foxfilm.terra.com.br/vozes/trailer/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Vozes Inocentes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-113089660745393530?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/113089660745393530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=113089660745393530&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/113089660745393530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/113089660745393530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/11/filme-vozes-inocentes.html' title='FILME - &quot;VOZES INOCENTES&quot;'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-113067736544619880</id><published>2005-10-30T10:58:00.000-02:00</published><updated>2005-10-30T11:23:06.946-02:00</updated><title type='text'>PÉTALAS DE  ROSA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Uma coisa é pôr idéias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias... Tanta gente – dá susto se saber – e nenhum se sossega: todos nascendo, crescendo, se casando, querendo colocação de emprego, comida, saúde, riqueza, ser importante, querendo chuva e negócios bons...” (pág. 17)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“amor vem de amor” (pág. 25)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;João Guimarães Rosa – &lt;strong&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/strong&gt; – José Olympio Editora – 2° edição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-113067736544619880?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/113067736544619880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=113067736544619880&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/113067736544619880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/113067736544619880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/10/ptalas-de-rosa.html' title='PÉTALAS DE  ROSA'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-112977322337142485</id><published>2005-10-19T23:51:00.000-02:00</published><updated>2005-10-24T21:27:30.896-02:00</updated><title type='text'>LIVROS DE ROSA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Os livros são como vulcões adormecidos, enquanto não são lidos. Quando os lemos, um amontoado de sensações nos provocam e fazem um maravilhoso desastre em nossas almas. Estou para ler em breve o &lt;strong&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/strong&gt;, de João Guimarães Rosa. Sinceramente não sei se conseguirei sobreviver a este derramamento de lava incandescente, tenho medo, pois provavelmente não terei nenhum menino, como no irônico conto de Clarice: &lt;strong&gt;Feliz Aniversário&lt;/strong&gt;, para trazer-me de volta a insignificância de nossas vidas e do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-112977322337142485?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/112977322337142485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=112977322337142485&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112977322337142485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112977322337142485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/10/livros-de-rosa.html' title='LIVROS DE ROSA'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-112706638594624143</id><published>2005-09-18T14:57:00.000-03:00</published><updated>2005-09-18T14:59:45.953-03:00</updated><title type='text'>REFLETINDO SOBRE A EDUCAÇÃO HOJE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;SABER COMPETITIVO&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Já é um virtual consenso o de que o principal insumo para o crescimento econômico nos próximos anos será o conhecimento -e falamos aqui de conhecimento especializado e de alto nível. Não é por outra razão que, cada vez mais, países estão competindo por cérebros. Não se trata apenas de produzir mais e com menos custos -tarefa em que os asiáticos hoje parecem imbatíveis-, mas, principalmente, de fomentar o processo inovador da maneira mais inteligente possível.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nesse contexto, universidades adquirem importância vital. Não é exagero afirmar que os países que se mostrarem capazes de manter as melhores universidades terão garantido um lugar proeminente no competitivo mundo globalizado. Também não há muita dúvida de que, hoje, essa corrida está sendo vencida pelos EUA. Com efeito, a maioria dos rankings são esmagadoramente dominados por instituições norte-americanas. Na já clássica lista elaborada pela Universidade Jiao Tong, de Xangai, que combina indicadores como prêmios Nobel e citações em periódicos de primeira linha, universidades dos EUA ocupam nada menos do que 17 das 20 primeiras posições.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;É claro que os critérios usados são sempre discutíveis. E é evidente que valorizam as chamadas ciências "duras" -aliás, para os efeitos de que trata este editorial, as ciências humanas são quase irrelevantes. São, porém, os critérios disponíveis. Ainda que configurem um pálido retrato da realidade, dizem mais do que a atitude, tão comum entre os que não querem ser avaliados, de simplesmente decretar a incomensurabilidade dos modelos e escapar à crítica.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Como observou em recente editorial a revista britânica "The Economist", o maior derrotado nesse processo é a Europa, que, até algumas décadas atrás, ainda abrigava as melhores universidades do planeta. É até possível que os EUA não consigam sustentar sua atual posição por muito tempo, e, embora a Europa busque recuperar o terreno perdido, países como Índia e China parecem ameaças mais verossímeis para a hegemonia norte-americana.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O diagnóstico da revista é o de que as instituições européias naufragaram por não ter conseguido adaptar-se aos novos tempos. O fracasso se deveria principalmente às limitações na forma de financiamento das universidades européias. Enquanto suas congêneres americanas buscam recursos em várias fontes como governo, taxas pagas por alunos, doações e convênios com empresas privadas, as instituições européias dependem quase que exclusivamente do Estado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Esse modelo revelou-se inadequado para responder à sempre crescente demanda por educação superior. O poder público passou a exigir que a universidade "processasse" cada vez mais alunos, sem, entretanto, ampliar-lhe as verbas proporcionalmente. O resultado foi a deterioração da qualidade. E, como as universidades dos EUA estavam em melhor situação, passaram a atrair melhores nomes, mais alunos estrangeiros de primeira linha e, conseqüentemente, mais recursos. Em uma palavra, mostraram-se mais competitivas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não é por acaso que são justamente as universidades britânicas, que seguem um modelo mais próximo do das norte-americanas, que ainda mantêm a Europa no ranking das melhores instituições.Enquanto o mundo se envereda por esse tipo de discussão, no Brasil ainda se debate se escolas que se saem mal em todas as avaliações devem receber dinheiro do Estado para assegurar vagas a alunos que não obtêm lugar nas boas instituições.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;EDITORIAL DA FOLHA DE SÃO PAULO 18/09/2005&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-112706638594624143?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/112706638594624143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=112706638594624143&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112706638594624143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112706638594624143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/09/refletindo-sobre-educao-hoje.html' title='REFLETINDO SOBRE A EDUCAÇÃO HOJE'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-112583757928193082</id><published>2005-09-04T09:36:00.000-03:00</published><updated>2005-09-04T09:39:39.293-03:00</updated><title type='text'>CARTAS DE VINCENT A THÉO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4689/494/1600/vangogh.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4689/494/200/vangogh.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Amsterdam, 3 de abril de 1878&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Théo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei a refletir sobre a nossa conversa, e involuntariamente meditei nas palavras: “Somos hoje o que éramos ontem”. Isto não significa que se deva  marcar passo, e não tentar desenvolver-se, ao contrário, há  uma razão imperiosa para fazê-lo e para buscá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para permanecermos fiéis a estas palavras, não podemos recuar, e quando começamos a considerar as coisas com um olhar livre e confiante, não podemos voltar atrás  nem hesitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que diziam “nós somos hoje o que éramos ontem” eram “homens honrados”, o que se depreende claramente da constituição que redigiram, que subsistirá por todos os tempos, e da qual se disse que tinha sido escrita “sob as emanações do céu” e “com uma mão de fogo”. É bom ser um “homem honrado” e procurar sê-lo cada vez mais, e fazemos bem em acreditar que para isto é preciso ser “homem introspectivo e espiritual”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tivéssemos a convicção de pertencer a esta categoria, seguiríamos nosso caminho com calma e confiança, sem duvidar do bom resultado final. Havia um homem que certo dia entrou numa igreja e perguntou:  “Será possível que o meu zelo tenha me enganado, que eu tenha tomado o mau caminho e que continue errado? Ah! Se eu me livrasse dessa incerteza e se pudesse ter a firme convicção de que acabaria por vencer e alcançar êxito”. E uma voz então lhe respondeu: “E se tivesses essa certeza, que farias então? Faças portanto como se a tivesses, e não serás perturbado”. O homem então continuou seu caminho, não mais incrédulo, mas crente, e voltou à obra, sem duvidar nem hesitar mais. No que se refere a ser “homem introspectivo e espiritual”, será que não poderíamos desenvolver em nós este estado pelo conhecimento da história em geral e de determinadas personalidades de cada época em particular, desde a história sagrada até a da Revolução, e desde a Odisséia até  os livros de Dickens e de Michelet? E não poderíamos tirar algum ensinamento da obra de homens como Rembrandt, ou das Ervas Daninhas de Breton, ou As Horas do Dia de Millet, ou o Benedicite de De Groux ou Brion, ou O Recruta de De Groux (ou senão de Conscience) ou Os Grandes Carvalhos de Dupré, ou até mesmo os moinhos e as planícies de areia de Michel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falamos bastante sobre qual é o nosso dever, e como poderíamos chegar a algo de bom, e chegamos à conclusão que nosso objetivo em primeiro lugar deve ser o de achar um lugar determinado, e uma profissão à qual possamos nos dedicar integralmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acredito que estávamos igualmente de acordo de que o necessário é sobretudo ter em vista o objetivo final, e que uma vitória, após toda uma vida de trabalho e de esforços, vale mais que uma vitória obtida mais cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele que vive sinceramente e encontra aflições verdadeiras e desilusões, e que jamais se deixa abater por elas, vale mais que os que sempre vão de vento em popa, e que conheceriam uma prosperidade apenas relativa. Pois, em quem constatamos da maneira mais visível um valor superior, senão naqueles a quem se aplicam as palavras: “Lavradores,&lt;br /&gt;vossa vida é triste, lavradores, vós sofreis na vida, lavradores, vós sois bem-aventurados”, senão naqueles que carregam os estigmas de “toda uma vida de luta e de trabalho suportada sem jamais se curvar”? É bom se esforçar em assemelhar-se a eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avançamos portanto em nossa estrada indefessi favente Deo. No que me diz respeito, devo tornar-me um bom pregador que tenha algo de bom a dizer e que possa  ser útil no mundo, e talvez fosse melhor eu conhecer em tempo relativamente longo de preparação, e estar solidamente confirmado numa firme convicção, antes de ser chamado a falar aos outros... A partir do momento em que nos esforcemos em viver sinceramente, tudo irá bem, mesmo que tenhamos inevitavelmente que passar por aflições sinceras e verdadeiras desilusões; cometeremos provavelmente também pesados erros e cumpriremos más ações, mas é verdade que é preferível ter o espírito ardente, por mais que tenhamos que cometer mais erros, do que ser mesquinho e demasiado prudente. É bom amar tanto quanto possamos, pois nisso consiste a verdadeira força, e aquele que ama muito realiza grandes coisas e é capaz, e o que se faz por amor está bem feito. Quando ficamos admirados com um ou outro livro, por exemplo, tomado ao acaso: A Andorinha, A Calhandra, O Rouxinol, As Aspirações do Outono, Daqui Eu Vejo Uma Senhora, Eu Amava Esta Pequena Cidade Singular; de Michelet, é porque estes livros foram escritos de coração, na simplicidade e na pobreza de espírito. Se só pudéssemos dizer umas poucas palavras, mas que tivessem um sentido, seria melhor que pronunciar muitas que não fossem mais que sons vazios, e que poderiam ser pronunciadas com tanto mais facilidade, quanto menos utilidade tivessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se continuarmos a amar sinceramente o que na verdade é digno de amor, e não desperdiçarmos nosso amor em coisas insignificantes, nulas e insípidas, obteremos pouco a pouco mais luz e nos tornaremos mais fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto antes procurarmos nos qualificar num certo ramo de atividade e numa certa profissão, e adotarmos uma maneira de pensar e de agir relativamente independente, e quanto mais nos ativermos a regras fixas, mais firme se tornará o caráter, sem que para isto tenhamos de nos tornar limitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é sensato fazer estas coisas, porque a vida é curta e o tempo passa depressa; se nos aperfeiçoamos numa única coisa e a compreendemos bem, alcançamos além disto a compreensão e o conhecimento de muitas outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes é bom ir ao fundo e freqüentar os homens, e às vezes somos até obrigados e chamados a isto, mas aquele que prefere permanecer só e tranqüilo em sua obra, e não quer ter mais que uns poucos amigos, é quem circula  com maior segurança entre os homens e no mundo. È preciso não se fiar jamais no fato de viver sem dificuldades ou sem preocupações ou obstáculos de qualquer natureza, mas não se deve procurar ter uma vida muito fácil. E mesmo nos ambientes cultos e nas melhores sociedades e circunstâncias mais favoráveis, é preciso conservar algo do caráter original de um Robinson Crusoé ou de um homem da natureza, jamais deixar extinguir-se a chama interior, e sim cultivá-la. E aquele que continua a guardar a pobreza e que a preza, possui um grande tesouro e ouvirá sempre com clareza a voz de sua consciência; aquele que escuta e segue esta voz interior, que é o melhor dom de Deus, acabará por encontrar nela um amigo e jamais estará só...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que seja este o nosso destino, meu rapaz, que teu caminho seja próspero, e que Deus esteja contigo em todas as coisas e te faça triunfar, é o que te desejo com um cordial aperto de mão em tua partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu irmão que te ama,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vincent&lt;br /&gt; Vincent Van Gogh – Cartas a Théo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-112583757928193082?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/112583757928193082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=112583757928193082&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112583757928193082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112583757928193082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/09/cartas-de-vincent-tho.html' title='CARTAS DE VINCENT A THÉO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-112510074924288917</id><published>2005-08-26T20:56:00.000-03:00</published><updated>2005-08-26T20:59:09.250-03:00</updated><title type='text'>A RECEITA DE MORRER COM GLÓRIA, BANDEIRA SABIA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;A MORTE ABSOLUTA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrer.&lt;br /&gt;Morrer de corpo e de alma.&lt;br /&gt;Completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrer sem deixar o triste despojo da carne,&lt;br /&gt;A exangue máscara de cera,&lt;br /&gt;Cercada de flores,&lt;br /&gt;Que apodrecerão – felizes! – num dia,&lt;br /&gt;Banhada de lágrimas&lt;br /&gt;Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrer sem deixar porventura uma alma errante...&lt;br /&gt;A caminho do céu?&lt;br /&gt;Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,&lt;br /&gt;A lembrança de uma sombra&lt;br /&gt;Em nenhum coração, em nenhum pensamento,&lt;br /&gt;Em nenhuma epiderme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrer tão completamente&lt;br /&gt;Que um dia ao lerem o teu nome num papel&lt;br /&gt;Perguntem: “quem foi?...”&lt;br /&gt;Morrer mais completamente ainda,&lt;br /&gt;- sem deixar sequer esse nome.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;BANDEIRA, Manuel – Estrela da Vida Inteira – Poesias Reunidas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-112510074924288917?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/112510074924288917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=112510074924288917&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112510074924288917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112510074924288917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/08/receita-de-morrer-com-glria-bandeira.html' title='A RECEITA DE MORRER COM GLÓRIA, BANDEIRA SABIA'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-112423849807196087</id><published>2005-08-16T21:22:00.000-03:00</published><updated>2005-09-17T14:26:32.356-03:00</updated><title type='text'>UMA ANÁLISE DE MISSA DO GALO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;PARA OS VESTIBULANDOS QUE ESTÃO SE PREPARANDO PARA A PUC MINAS, NÃO DEIXEM DE LER ESTE MAGNIFICO TEXTO DO &lt;a href="http://sarapalha.blogspot.com"&gt;SARAPALHA&lt;/a&gt; &lt;a href="http://sarapalha.blogspot.com/2005/09/boa-conceio.html"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;UMA PESSOA SIMPÁTICA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, UMA ANÁLISE DO CONTO - MISSA DO GALO - DE MACHADO DE ASSIS.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-112423849807196087?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/112423849807196087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=112423849807196087&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112423849807196087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112423849807196087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/08/uma-anlise-de-missa-do-galo.html' title='UMA ANÁLISE DE MISSA DO GALO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-112215995729468289</id><published>2005-07-23T20:02:00.000-03:00</published><updated>2005-07-29T13:38:13.110-03:00</updated><title type='text'>CARTAS DE MONTEIRO LOBATO A GODOFREDO RANGEL</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Areias&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;'Não aprende, senhor, na fantasia&lt;br /&gt;Sonhando, imaginando ou estudando;&lt;br /&gt;Senão vendo, tratando e pelejando.'&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Você que lá leu o Camões inteiro diga lá se há nele coisa melhor que esta – mais sabia, mais profunda, mais “pedagogia moderna”. Reduz tudo ao ver, fazer e insistir. Ao ler no livro da vida, em vez de nos de papel. Ao ver com os nossos olhos, em vez de com os olhos dos outros. Ao pensar com a nossa cabeça, em vez de pensar plagiariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E parece que Camões escreveu esses três versos para nós dois, Rangel. Nosso mal é que já apuramos o nosso instrumento de expressão, já sabemos jogar um período para o ar e vê-lo, qual um gato, cair sobre os quatro pés. Pegamos toda a técnica do escrever e educamos o nosso senso de observação – mas vivemos embolorados dentro de caixa. Esta Areias é uma caixa e essa tua comarca é outra. Nossas cartas são como o rabinho de rato que Hansel mostrava para a velha feiticeira. Somos a velha feiticeira um do outro. Você estira o rabinho de rato epistolar para que eu veja como está gordo e forte no estilo; eu faço o mesmo. Mas que assuntos que temas, podem existir dentro de caixas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos como içás que derrubam as asas e afundam no buraquinho. O destino me deu este buraquinho de Areias e a você deu o de Machado. E invejamos Loti, o homem dos mares e do Japão. E Kipling, o homem todo Índias, todos jungles, todo Himalaias, todo feras. A única fera daqui é um pobre facadista barato. “Fulano é uma fera!” diz o Julinho. E a tua fera na vida, Rangel, o teu Mugger do Mugger Ghaut, é o chapadissimo Fernandes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos uns pelicanos, Rangel. Vivemos a arrancar penas, carne e coisa de nós mesmos para que não morram os nossos pobres filhinhos literários. Os artistas subjetivos que só tiram de si em vez de tirar do mundo que os rodeia, ficam introspectivos em excesso e acabam satisfazendo a um público muito restrito: a si mesmos. Mas os artistas objetivos, os Kiplings, sugestionam e fazem estremecer de emoção grandes platéias – e o aplauso da platéia é o feijão com arroz de todos os artistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casados, sem fortuna, com a coleira e a corrente do “ganhar a vida” pressa ao pescoço e metidos na caixa de Hansel e Grettel, de que modo atendermos ao mandamento de Camões, do “vendo, tratando, pelejando?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lobato&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Monteiro Lobato - &lt;strong&gt;A Barca de Gleyre&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-112215995729468289?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/112215995729468289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=112215995729468289&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112215995729468289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112215995729468289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/07/cartas-de-monteiro-lobato-godofredo.html' title='CARTAS DE MONTEIRO LOBATO A GODOFREDO RANGEL'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-112185685383203925</id><published>2005-07-20T07:52:00.000-03:00</published><updated>2005-07-20T07:54:13.840-03:00</updated><title type='text'>CRÍTICAS LITERÁRIAS ARRASADORAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Minha Formação – Joaquim Nabuco, por Darcy Ribeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quincas, O Belo – publica minha formação. Autobiografia clássica e chata, de um alienado. Senão, leia: ‘o sentimento em nós é brasileiro; a imaginação, européia. As paisagens todas de Novo Mundo, a floresta amazônica ou os pampas argentinos não valem para mim um trecho da Via Appia, uma volta da estrada de Salermo a Amalfi, um pedaço do cais do Sena à sombra do velho Louvre.’ Vangloriava-se de pensar em francês. Dói é lembrar que esse alienado era, talvez, o mais brilhante intelectual brasileiro de sua geração.”&lt;strong&gt; (Aos Trancos e Barrancos – como o Brasil deu no que deu)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, para qualquer leitor brasileiro desse livro, entrar em contato com as opiniões de Nabuco, em relação ao Brasil, faz estremecer até os ossos de nosso corpo. No entanto, como analisado pelo historiador Caio Prado Júnior, a maioria dos "brasileiros" vivem aqui para expropriar a riqueza do país e viver com os frutos dela além mar. A elite já mais se importou com o desenvolvimento do nosso desgraçado país.  Expropriar, sim! E como.&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-112185685383203925?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/112185685383203925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=112185685383203925&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112185685383203925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112185685383203925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/07/crticas-literrias-arrasadoras.html' title='CRÍTICAS LITERÁRIAS ARRASADORAS'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-112091859756804079</id><published>2005-07-09T11:11:00.000-03:00</published><updated>2005-07-09T11:22:00.800-03:00</updated><title type='text'>PEROLAS COLHIDAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.citador.pt/images/bu00505.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.citador.pt/images/bu00505.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“O átomo é o último refúgio em que o ser, reduzido aos seus elementos primários, prosseguirá numa espécie de imortalidade surda e cega, de morte imortal, que, tanto para Lucrécio quanto para Epicuro configura a única felicidade possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Problemas dos tempos modernos: subtrair o homem ao destino equivale a entregá-lo ao acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto aos olhos de todos a humanidade levava na terra uma vida abjeta, esmagada sob o peso de uma religião cujo rosto se mostrava do alto das regiões celestiais, ameaçando os mortais com seu aspecto horrível, o primeiro, um grego, um homem, ousou levantar contra ela os seus olhos mortais, e contra ela insurgir-se... E assim a religião foi derrubada e pisoteada, e, quanto a nós, a vitória nos eleva aos céus.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(Lucrécio, citado por Albert Camus em - O homem Revoltado) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-112091859756804079?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/112091859756804079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=112091859756804079&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112091859756804079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/112091859756804079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/07/perolas-colhidas.html' title='PEROLAS COLHIDAS'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-111892089376632329</id><published>2005-06-16T08:20:00.000-03:00</published><updated>2005-06-21T06:56:23.923-03:00</updated><title type='text'>CARTAS DE CLARICE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Belo Horizonte, 13 de julho de 1941&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hellô, bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está tudo direito, agora. Antes de partir falei com aquela pessoa por causa de quem eu me encontrei com V. de noite. Não aludi à carta principal e só falei das outras que vieram com belíssimas flores, morangos e outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um momento em que me disse: S está tonto porque V. vai embora. Menti: “certamente entra aí um pouco de álcool. E, nesse caso, eu sempre desculpo”. Não olhei para ele, não quis ver a reação. Voltei para casa triste com a meia perturbação que eu notara. Mas eu me tinha prometido ser outra, não é? Fiquei defronte do espelho e fiz uma cara belíssima: uma mistura de Nicolau Couro de Cobra com a tua Amélia (Vi tua Amélia no trem; e para o meu desapontamento... ela me sorriu amavelmente. Quem sabe? Se você também lhe tivesse dado uma oportunidade...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu pretendia chorar na viagem, porque fico sempre com saudade de mim. Mas felizmente sou um bom animal sadio e dormi muito bem, obrigada. “Deus” me chama a si, quando dele preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a teu fantasma, procuro-o inutilmente pela cidade. As mulheres daqui são quase todas morenas, baixinhas, de cabelo liso e ar morno. Aliás, quase que só há homens na rua. Elas, parece, se recolhem em casa e cumprem seu dever, dando ao mundo uma dúzia de filhos por ano. As pessoas daqui me olham como se eu tivesse vindo direto do Jardim Zoológico. Concordo inteiramente. Para não chamar atenção, estou usando cachinhos na testa e uma voz doce como nem Julieta conheceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que mais? Eu tinha vontade de escrever outras coisas. Mas você diria: ela está querendo ser “genial”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei uma turma de colegas de Faculdade em excursão universitária. Meu exílio se tornará mais suave, espero. Sabe Lúcio, toda a efervescência que eu causei só veio me dar uma vontade enorme de provar a mim e aos outros que eu sou mais do que uma mulher. Eu sei que você não crê. Mas eu também não acreditava, julgando o que tenho feito até hoje. É que eu não sou senão um estado potencial, sentindo que há em mim água fresca, mas sem descobrir onde é a sua fonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O.K. Basta de tolices. Tudo isso é muito engraçado. Só que eu não esperava rir da vida. Como boa eslava eu era uma jovem séria, disposta a chorar pela humanidade... (Estou rindo.) Um grande abraço da&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Clarice&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. – Hotel Imperador. Pça. Rio Branco, 744-748 quarto n.° 302 – Belo Horizonte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. – Esta carta você não precisa “rasgar”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carta escrita a Lúcio Cardoso&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;CORRESPONDÊNCIAS CLARICE LISPECTOR –Organização de Tereza Monteiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-111892089376632329?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/111892089376632329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=111892089376632329&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111892089376632329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111892089376632329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/06/cartas-de-clarice.html' title='CARTAS DE CLARICE'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-111860666770790821</id><published>2005-06-12T17:02:00.000-03:00</published><updated>2005-06-12T17:04:27.713-03:00</updated><title type='text'>OS CAMINHOS DO APRENDER A VIVER</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Uma das características do ser humano é a sua capacidade de fazer projeções de atitudes que venham a tomar. No entanto, a aprendizagem da vida se dá por comportamentos vividos, experimentados. Uma boa metáfora sobre esta aprendizagem é a frase de um filosofo: “a coruja de Minerva só levanta vôo ao entardecer.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há dúvida, que a inteligência humana colabora com a dura tarefa de viver. Quando se levanta hipóteses possíveis para um comportamento a ser praticado, nos é permitido com isso fazer escolhas que consideramos, logicamente, mais acertadas naquele momento. Evidente, que está capacidade de projeção se torna restrita, a medida que ela não leva em conta as diversas variáveis da experiência humana, quando em contato com o ambiente em que foi praticado. Porém, é neste momento que se apresenta uma outra qualidade do homem: a flexibilidade. Quando ele vê que a escolha feita por ele, não foi a melhor, quase que instantaneamente ao ato praticado, faz ajustes necessários para uma melhor satisfação dos seus anseios. Logo, mesmo que de maneira precária, a projeção é uma aliada no aprendizado do viver, quando aliada a experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, para aprender a viver, não existe melhor maneira do que se lançar na vida. É mergulhar e seguir o seu curso. Por mais que especulamos sobre a vida, nunca que a especulação nos permitirá saber, quando o rio da vida passará por um terreno acidentado ou por um precipício e neste caso a queda é inevitável, mas o seu curso, para muitos, costuma ser longo, passando por planícies, vales, se encontrando com outros rios até chegar ao oceano, destino de todos os rios. Só que é com a experiência adquirida neste percurso, é que se aprende a viver.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Portanto, a vida não é para ser pensada. O pensamento mata a vida. Ela deve ser saboreada, como se saboreia uma comida, nem sempre ela agradará o nosso paladar. Mas, paciência, aprender a viver é aprender que a vida tem diversos sabores, a maior parte dela é mesmo azeda e amarga. É possível sonhar que ela pode ser doce, mas é um desejo, muitas vezes abortado pelas circunstâncias da existência. Viver dá trabalho, nos desgasta e nos faz sofrer. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-111860666770790821?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/111860666770790821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=111860666770790821&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111860666770790821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111860666770790821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/06/os-caminhos-do-aprender-viver.html' title='OS CAMINHOS DO APRENDER A VIVER'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-111844500551315278</id><published>2005-06-10T20:06:00.000-03:00</published><updated>2005-06-10T20:10:05.520-03:00</updated><title type='text'>"UM PARADOXO ADORÁVEL E DESALENTADOR"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“(...) no coração de toda realidade existe uma pergunta, e não uma resposta. Quando examinamos os recessos mais profundos da matéria ou a fronteira mais remota do universo, vemos, finalmente, o nosso próprio rosto perplexo nos devolvendo o olhar.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;JOHN HORGAN, AUTOR DO LIVRO: &lt;strong&gt;O FIM DA CIÊNCIA&lt;/strong&gt; – EM REVISTA USP N.° 59 – ARTIGO: &lt;strong&gt;FRONTEIRAS E DESAFIOS DO CONHECIMENTO&lt;/strong&gt; - PÁG. 208-209&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-111844500551315278?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/111844500551315278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=111844500551315278&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111844500551315278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111844500551315278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/06/um-paradoxo-adorvel-e-desalentador.html' title='&quot;UM PARADOXO ADORÁVEL E DESALENTADOR&quot;'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-111670879202663657</id><published>2005-05-21T17:51:00.000-03:00</published><updated>2005-05-21T18:04:33.370-03:00</updated><title type='text'>COMO VIVE E MORRE UM PASSARINHO – JOHANN SEBASTIAN BACH - PARTE I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ali permanecia ele, um velho baixo e corpulento, vestindo calças e sapatos afivelados, usando a enorme peruca cinzenta que ela lhe havia dado em um natal, sorrindo alegremente para ela, com esse sorriso vago dos cegos, quando ela disse: - Sim, meu João está certo – tentando controlar o tremor de seus lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente ela chamava-o de Johann Sebastian, mas pensava nele como “meu Johann”, e às vezes escapava... – Está certo – repetiu ela com um aceno trêmulo de sua cabeça coberta por uma touca. – Vá e toque no órgão. Será bom para você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era loucura, ela o sabia, deixá-lo ir tocar o órgão a esta hora da noite. Isto faria com que toda a escola acordasse, e que Herr Weinlick, o censor, descesse e este certamente mandaria um relatório para as Suas Majestades do conselho municipal, e estas diriam que o seu Johann ficara maluco tanto quanto cego e que elas não poderiam conservar tal professor num coral de uma escola municipal, e o despediriam. E para onde iriam eles, agora que o médico lhes havia levado todas as economias? Bom e doce Jesus, o que lhes aconteceria com ele cego e ela demasiado velha para encontrar trabalho, com Gottfried doente da cabeça, o inverno ainda não acabado e Leipzig ainda cheia de neve?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pânico dilatou-lhe os olhos azuis e murchos no pergaminho miúdo que era sua face toda enrugada; mesmo assim ela continuava a cuidar dele, que tremia da cabeça aos pés, acenando teimosamente. Ela não sabia o que lhes aconteceria, mas não podia suportar mais aquilo, observando-o sentado ao pé do fogo, com suas mãos enormes e magras sobre os joelhos, olhando para as chamas que não podia ver, contando as horas da noite pelas rondas do guarda-noturno. Ela sabia que ele temia o que aconteceria pela manhã e que desejava orar e pedir a Deus que lhe desse forças, e compor música era seu método de orar. E por isso, mesmo que Sua Majestade, o prefeito em pessoa, os mandasse para a cadeia, ela deixaria que ele tocasse o órgão esta noite e dar-lhe-ia esta última alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, meu Johann, vá e toque quanto quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela acentuou as últimas palavras com a bravura incerta de um pobre que desafia o inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Apenas não toque muito alto – pediu ela docemente, achegando-se a ele. E então, numa contradição desatenta, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E não demore muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não o farei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus lábios continuaram movendo-se, mas nenhum som saía dos mesmos. Ele apenas aconchegou-a ao seu peito com se quisesse que ela ouvisse seu agradecimento diretamente pela batidas de seu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta do quarto abriu-se e Gottfried entrou.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Com uma dor cruciante e repentina ela reparou que sua cabeleira ruiva estava despenteada e que ele havia esquecido de calçar uma das meias. Este quadro reabriu-lhe uma ferida no peito, por um momento esquecida. Ele fazia essas coisas, sabia ela, porque estava doente da cabeça e o médico havia dito que ele nunca sararia, apesar de ele ser um rapaz alto e simpático e de às vezes sentar-se ao clavicórdio e inventar músicas tão belas que mesmo o seu Johann, que era muito severo no que se referia à musica, ouvia com lágrimas nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Papá, posso ir também? – perguntou o idiota, tão excitado como uma criança. – Tomarei conta dos foles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Johann Sebastian Bach consentiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, meu filho – disse ele gentilmente. – Oraremos juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da porta, Anna Magdalena observou-os enquanto avançavam incertamente pelo corredor mal iluminado abaixo, o cego apoiando-se no braço do filho. Então ela fechou a porta e permaneceu sem se mover, com o rosto escondido nas mãos. Finalmente, agora ela podia chorar e somente isso era o que ela podia fazer. Não perguntava mais e nem tentava compreender por que Deus lhes enviava tanto sofrimento. Não eram eles boas pessoas? Johann não havia pedido a vista a Seu serviço, compondo música à luz de velas glorificando Seu nome e cantando Sua glória? Todas aquelas cantatas, aqueles motetes, aquela colossal Missa para a qual ela havia riscado os pentagramas e aquela Paixão, que era a obra que ele mais amava, haviam sido todas escritas par Ele. Será que Ele não as ouvira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela retirou as mãos do rosto e apurou o ouvido, escutando. Ele havia começado a tocar e a composição era a Paixão. Ela sabia que ela tocaria aquilo porque esta era a historia de Nosso Salvador Jesus e de como Ele havia sido espancado, de como cuspiram n’Ele, de com Lhe ataram uma coroa de espinhos na cabeça e fizeram com que Ele carregasse Sua cruz ao Calvário, onde eram crucificados os assassinos, e Ele, o próprio Filho de Deus, houvera suportado tudo isso sem uma palavra sequer... E agora, o seu Johann tocava aquela musica que havia escrito sobre aquelas coisas terríveis, para que pela manhã pudesse se lembrar do que Jesus havia sofrido por ele e então, ele também tentaria igualar-se a Ele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ouviu um rumor de passos ligeiros do lado de fora e virou-se para a porta. Sim, era Herr Weinlick... e tão furioso vinha que gaguejava consigo mesmo, e com tal pressa (mais corria do que andava), nem havia abotoado os sapatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que houve com ele? Gritou ele de longe. – Será que não sabe que já passa da meia-noite?... Terá ficado louco?... E quem lhe deu autorização de tocar no órgão grande? Apenas o organista tem o direito de toca-lo e ele é apenas professor do coro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É melhor deixa-lo falar por um pouco”, pensou ela, observando o censor aproximou-se, “deixemo-lo cansar-se um pouco...” Ela havia aprendido muito, vivendo todos aqueles anos com um homem. No velhos tempos, o seu Johann ficava às vezes tão furioso que atirava a cabeleira através da sal e a única coisa a fazer era ficar quieta e deixa-lo arengar e após algum tempo ele se acalmava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um professor do coral, ouviu?, isso é tudo que ele é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herr Weinlick estava agora a apenas alguns passos dela e ofegava pesadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Enviarei um relatório e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltou-lhe o ar e ele teve que parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entre, Herr Weinlick, e sente-se – disse ela suavemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vim para sentar-me – gaguejou ele, acompanhado-a para dentro. – Vim para dizer-lhe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calmamente ela fechou a porta atrás dele. A musica já não soava tão alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sente-se nesta cadeira – disse ela com a tranqüila autoridade de uma senhora em sua própria casa. – E descanse um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sentou-se perto dele à enorme mesa de jantar. Ele não era realmente um homem mesquinho, pensou ela, olhando-o. Apenas pobre e amedrontado. Igual a ela, igual ao seu Johann, igual a todos que não tinham nem um centavo seu. Era o medo que fazia com que as pessoas se tornassem cruéis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor não deveria andar correndo por aí numa noite como esta sem um sobretudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se incomode com isso – resmungou ele, reavendo sua cólera juntamente com o fôlego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o senhor ficará doente. Olhe para si, todo esbaforido e perspirando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou muito bem. Apenas aviso-a...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela já estava se levantando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou lhe arranjar um pouco de sopa quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero sopa nenhuma – interrompeu ele, vendo-a debruçar-se sobre a terrina que jazia em cima do fogão. – Vim apenas para...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que fará o senhor quando ficar doente? – interrompeu ela, enquanto despejava calmamente sopa em um prato. – Terá que permanecer na cama e não poderá vigiar mais os garotos, e talvez o reitor escreva para o conselho dizendo que terá de arranjar um novo censor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela voltou par a mesa e colocou o prato de sopa na frente dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coma isso, Far-lhe-á bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruidosamente ele engoliu algumas colheradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Digo-lhe que desta vez ele foi muito longe e eu serei obrigado a...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coma – disse ela com um tom de finalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante um momento ele comeu em silêncio, apressadamente, sem ousar parar. Ela debruçou-se em sua direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não foi culpa dele – disse ela apontando para si mesma. – Eu disse-lhe que fosse tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava mais surpreso do que zangado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que fez isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele precisava disso. Sabe – agora ela falava como se ele fosse um amigo – o medido virá pela manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para a operação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A agressividade havia decaído nele. Instintivamente ele abaixou a voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A que horas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Às sete. Mas seus auxiliares chegarão primeiro... – sua voz estrangulou-se num soluço – para prepara-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante um instante o censor não falou. Ele já havia presenciado os horrores de uma operação cirúrgica, e o simples relembrar fazia-o estremecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sinto muito, - disse ele, colocando a mão sobre as dela – creia-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele forçou os ouvidos e percebeu que a musica havia parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Devo ir – disse, levantando-se – e fazer com que os rapazes voltem para a cama. – Ao chegar à porta virou-se. – A senhora tem sorte de que o reitor durma na ala traseira. Seja como for ele é um pouco surdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então o senhor não escreverá para o conselho? – perguntou ela docemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele sacudiu a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas nunca mais o deixe fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele não o fará – disse ela, mas estas palavras não o alcançaram, pois que ele já corria pelo corredor abaixo na direção do dormitório dos rapazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante um momento ela permaneceu sentada à mesa, olhando o vácuo à sua frente. Ele havia cumprido sua promessa, não havia tocado muito tempo... tinha voltado logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se e esperou no umbral da porta. Logo os viu aproximarem-se, andando lentamente, e correu para encontra-los&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado, Lena – disse ele suavemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo havia desaparecido do rosto dele. Havia orado e agora estava pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ALÉM DO DESEJO – PRÓLOGO – PIERRE LA MURE &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-111670879202663657?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/111670879202663657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=111670879202663657&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111670879202663657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111670879202663657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/05/como-vive-e-morre-um-passarinho-johann.html' title='COMO VIVE E MORRE UM PASSARINHO – JOHANN SEBASTIAN BACH - PARTE I'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-111496176184595965</id><published>2005-05-01T12:36:00.000-03:00</published><updated>2005-05-01T12:40:43.306-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/250/1795/1024/konstantin.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/img/250/1795/400/konstantin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-111496176184595965?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/111496176184595965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=111496176184595965&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111496176184595965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111496176184595965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-111446240058744412</id><published>2005-04-25T17:50:00.000-03:00</published><updated>2005-04-27T13:25:14.813-03:00</updated><title type='text'>LIVROS DO VESTIBULAR 2006 DA UFMG</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;ANÁLISE LITERÁRIA DOS LIVROS DO VESTIBULAR 2006 DA UFMG &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;MELHOR IMPOSSÍVEL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;ACOMPANHEM:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;a href="http://riobaldoediadorim.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;RIOBALDO &amp;amp; DIADORIM&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-111446240058744412?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/111446240058744412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=111446240058744412&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111446240058744412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111446240058744412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/04/livros-do-vestibular-2006-da-ufmg.html' title='LIVROS DO VESTIBULAR 2006 DA UFMG'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-111378733329526795</id><published>2005-04-17T22:18:00.000-03:00</published><updated>2005-04-17T22:22:13.296-03:00</updated><title type='text'>HÖLDERLIN: UMA ALMA DESPEDAÇADA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Filho de pastor protestante, quis seguir a vocação paterna. Em 1780 estudou teologia na Universidade de Tubingue, com colegas que se chamavam Hegel, Schelling. Deixou de crer. Conhecia Rousseau, Goethe, Schiller e o romantismo embriagava-o. Gostava de natureza misteriosa, da lúcida Grécia. Ama-as simultaneamente e sonha em unir suas belezas numa obra alemã. Era pobre e tinha que levar a dura vida do poeta necessitado. Professor, suportou o aborrecimento das casas ricas, em quase todas desprezado e em uma, muito querido: satisfação logo seguida pela desilusão. Volta à vila natal, onde as pessoas e o ar são doces. Trabalha, escreve todo o tempo de que dispõe, mas pesa-lhe viver à custa dos seus, e afasta-se. Manda imprimir alguns versos, e o público não gosta desses belos poemas, onde o gênio de um desconhecido faz os deuses do Olimpo passar pelas sombras das florestas renanas. O infeliz Hölderlin sonha criações mais vastas, mas retém o sonho: a Alemanha é um mundo, e a Grécia um outro mundo. È preciso a força de um Goethe para as unir e fixar as palavras eternas de Fausto, raptor de Helena. Hölderlin escreveu fragmentos de um poema em prosa. Seu herói é um jovem grego que se lamenta da ruína de sua raça, e, frágil precursor de Zarathustra, clama pela renascença de uma valorosa humanidade. Compôs três cenas de uma tragédia cujo herói é Empédocles, tirano de Agrigente, poeta, filósofo, grande inspirador das multidões, grego isolado, por sua própria grandeza, entre os gregos, mágico que, possuindo toda a natureza, cansa-se das satisfações que a vida pode oferecer e se retira para o cimo do Etna, deixando a família, seus amigos, seu povo que o quer, e, um dia, ao nascer da noite, atira-se na cratera. É obra de fôlego: Hölderlin abandona-a. A tristeza o enfraquece e exalta. Quer deixar a Alemanha, onde tanto tem sofrido, e libertar os seus de sua vida incômoda. Propõem-lhe um emprego em bordeis, na França, e ele desaparece. Seis meses mais tarde, volta ao lar, vestido de farrapos, queimado pelo sol. Interrogam-no, mas ele nada diz. Procuram informar-se e, após grande trabalho, vêm a saber que ele atravessou a França a pé, sob o sol de agosto. Sua inteligência está perdida. Ele acaba-se, abisma-se num torpor que dura quarenta anos. Morre em 1843.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-111378733329526795?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/111378733329526795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=111378733329526795&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111378733329526795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111378733329526795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/04/hlderlin-uma-alma-despedaada.html' title='HÖLDERLIN: UMA ALMA DESPEDAÇADA'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-111298500958965091</id><published>2005-04-08T15:17:00.000-03:00</published><updated>2005-04-08T15:58:43.380-03:00</updated><title type='text'>MISSIVAS ENTRE NIETZSCHE E WAGNER</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Vou publicar sempre que possível, correpondências entre pessoas que marcaram o pensamento ocidental. As cartas revelam muita coisa, sobre a pessoa e as suas idéias. Vejam por exemplo, estas duas correspondências: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Querido amigo,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quanto a mim, grito: "É isso mesmo!" Você atingiu a verdade e tocou o ponto justo com um agudo dardo. Espero com admiração a continuação do seu trabalho e das lutas que você há de travar com o dogmatismo vulgar. No entanto, você me causa cuidados e desejo, de todo o coração, que não quebre o pescoço. Quero, portanto, aconselhá-lo a não expor seus audaciosos pontos de vista, dificilmente aceitáveis, em pequenas brochuras que pouco ajudam. Sinto que você está profundamente penetrado por suas idéias; é preciso reuni-las para nos dar um livro volumoso, de mais vasta ação. Então, você encontrará e dirá a palavra justa sobre os divinos erros de Sócrates e de Platão, esses criadores, tão maravilhosos, que nós mesmos que discordamos deles, ainda os devemos adorar. Oh, meu amigo! As palavras se elevam como hinos quando consideramos a incompreensível harmonia dessas essências estranhas ao nosso mundo! E que orgulho nos anima, que esperança, quando examinando-nos a nós mesmos, sentimos forte e claramente que podemos e devemos realizar qualquer obra para eles mesmos inacessível!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Até breve,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nietzsche&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="center"&gt;********************&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Caro amigo,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Como é bom a gente poder escrever tais cartas! Não existe ninguém, hoje, com quem eu me possa entender tão bem como com você, excetuada uma única (*). Deus sabe que seria de mim sem isso! Mas ele permitirá que nenhum projeto melhor me tente e que possa dispor de muito tempo, para que me abandone ao prazer de lutar com você contra o "socratismo"; porque, para esclarecer um tal problema devo renunciar a toda criação. É preciso que dividamos o trabalho. Você pode muito, para mim. Pode se encarregar de metade do trabalho que o destino me designou. E, fazendo isso, talvez cumpra todo o seu destino. Eu sempre me sai mal de todas as experiências filológicas. Você também se saiu mal das experiências musicais – é bem isso. Como músico, você se tornaria, pouco a pouco o mesmo que eu me tornaria se me obstinasse em realizar trabalhos de filologia. Mas a filologia me ficou no sangue; como musicista, ela é que me dirige. Você, que é filólogo, continuando a sê-lo deixe-se dirigir pela música. Dou um sentido muito sério ao que estou dizendo. Soube por você, como são baixas as preocupações a que se deve restringir hoje um filólogo de profissão – e você soube, por mim, em que inominável chiqueiro tem que se agitar hoje um verdadeiro e "absoluto" musicista. Exponha o que deve ser a filologia e ajude-me a preparar esta grande "Renascença" na qual Platão abraçará Homero e Homero, penetrado pelas idéias de Platão há de ser, pela primeira vez, o sublime Homero...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Wagner&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(*) Senhora Cosima Wagner&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Correspondências entre Nietzsche e Wagner em –&lt;strong&gt; A vida de Frederico Nietzsche&lt;/strong&gt; – Daniel Halévy. Pág. 51-51&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-111298500958965091?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/111298500958965091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=111298500958965091&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111298500958965091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111298500958965091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/04/missivas-entre-nietzsche-e-wagner.html' title='MISSIVAS ENTRE NIETZSCHE E WAGNER'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-111246784496410874</id><published>2005-04-02T15:46:00.000-03:00</published><updated>2005-04-03T16:30:04.126-03:00</updated><title type='text'>PEDAÇO DE RETRATO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não gosto de falar em nada sobre mim, mas vou abrir uma exceção, para dizer um pouco, sobre coisas de que eu gosto. Ou seja, dos meus quatro prazeres terrenos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A primeira é conversar com o Éder, ou melhor, de ouvi-lo falar, pois ele é completo, de pensamento muito refinado e peculiar, com quem se pode conversar sobre tudo, mesmo de coisas banais. No mundo das idéias, ele é aquele ô Antonico, que faz a massa comer do biscoito fino que fabrica. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A segunda é ler. A leitura é o meu combustível. Considero-a um instrumento capaz de jogar luz na escuridão de nossas vidas e é um alento para a solidão de nosso tempo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A terceira é o meu cigarro, que hoje venho tragando, através principalmente da televisão, em função de quase não ter tempo para nada: ouvir o que as pessoas estão pensando sobre um monte de coisas. É claro que não ouço qualquer um. Adoro ver entrevistas, palestras, debates, documentários, participar de congressos. Isto é tão sério, que hoje vendo o programa Starte, em que falava de espaços construidos para debater idéias, como a &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.casadosaber.com.br/home/index.html"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#ff0000;"&gt;Casa do Saber&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; e a &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.casadasrosas.sp.gov.br/casadasrosas/index.jsp"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#ff0000;"&gt;Casa das Rosas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, esta criada com o acervo da biblioteca do poeta &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.haroldodecampos.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#ff0000;"&gt;Haroldo de Campos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, em São Paulo, um professor disse que em Paris, existe um espaço em que oferecem 365 palestras no ano, ou seja, uma para cada dia do ano, inclusive no natal. Com certeza para mim, “isto é o paraíso. Quando morrer, quero ir para lá”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A quarta é Minas, tenho uma verdadeira obsessão por Minas Gerais, acho-a linda, suas montanhas são o meu limite. Não me interessa em quase nada, o que está além delas. Minas é o meu país. Desejo conhecer cada centímetro, dessa minha nação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-111246784496410874?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/111246784496410874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=111246784496410874&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111246784496410874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111246784496410874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/04/pedao-de-retrato.html' title='PEDAÇO DE RETRATO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-111136350732591005</id><published>2005-03-20T21:02:00.000-03:00</published><updated>2005-03-20T21:16:25.153-03:00</updated><title type='text'>CONVERSANDO COM DARCY</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;SABEDORIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vejo por aí muita criança perguntona e não vejo ninguém com paciência para explicar as coisas a elas. Dá pena. Sobretudo, das menininhas de voz esganiçada, perguntando: Por quê? Para quê? Por isso sou professor . Só peço que não me tratem de tio. Não sou tio de ninguém, não. Sou é escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou contar para vocês, tintim por tintim, tudo que sei. Não digo que sei tudo, nem digo que o que sei seja sempre verdade. Quem sou eu? Vou dizer aqui, por escrito, o que acho das coisas desse mundo, com a sabedoria que vim juntando a vida inteira. Não sou velho, mais sou meio erado, antigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre vivi de olho aceso, assuntando, querendo entender. Assim é que aprendi: observando. Mais, ainda, aprendi de oitiva, escutando sabedorias alheias e conferindo. Li, também, muito almanaque e revista e fui guardando na cabeça o que prestava. Estudo mesmo, estudei muito demais, mas aprendi pouco. Tome o que digo aqui como minha opinião, não mais. Se puder desmentir, desminta logo. Respeitarei sua opinião. Se não for bestagem rematada, acato. Nada contra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci muita gente considerada sábia e quis aprender com elas. Não deu certo. Os sábios são muito minuciosos. Cada qual sabe lá sua coisinha e ignora todo o resto. E o resto é o mundo inteiro. Eles são variadíssimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sábios para toda sorte de coisas. Sábios para bichos – os zoólogos; sábios para plantas – os botânicos; sábios para micróbios – os microbiologistas; sábios para gentes – os etnólogos; sábios para vinhos – os enólogos; até sábios para capins existem – eu não sei é como eles se chamam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também há sábios híbridos, que misturam sabedorias para ver se entendem melhor alguma coisa, como os físico-químicos, os químico-físicos, os biofísicos, os geofísicos e outros. Esses doutores formados, que falam com toda a empáfia da sabedoria deles, não são sábios coisa nenhuma. Quase todos são uns ignorantes, como a gente mesmo, só sabem coisas lá da cuca deles, com que ganham a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muita gente especializada que, sem ser sábio, sabe alguma coisinha. O diabo é que, quanto mais aprofundam no saber do que sabem, mais ignorantes ficam o resto. Os advogados sabem como enrolar as leis para defender criminosos e ladrões, Vez por outra, defendem inocentes, também. Os médicos sabem algumas das doenças, mas ignoram as outras todas. São muito sujeitos à moda. Quando dão de operar amígdalas, arrancam as amígdalas de todo mundo. O mesmo fazem quando a moda é operar apêndice. Agora, acham que todo mundo está loucão e precisa de pílulas tranqüilizantes, ou psico-qualquer-coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para procurar médico, a gente precisa, primeiro, prestar atenção para ver que doença tem, senão gasta muito dinheiro à-toa. Ir a um otorrinolaringologista com dor nos rins é perda de tempo: eles só sabem de otites, de dor de garganta e de espirro desenfreado. Os ortopedistas encanam perna quebrada direitinho, mas não sabem nada de quem sofre do coração. Os engenheiros também são especializados demais: o que sabe fazer pontes, só faz pontes; o que sabe fazer casas, só faz casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ás vezes, até penso que quem sabe mesmo é o povo, ou as pessoas que não sabem nada. Mas cada um se vira com o pouco que sabe para ganhar a vida. Se todos os sábios do mundo desaparecessem amanhã, não fariam muita falta. Se o povo acabasse, isso sim seria um desastre. Os sábios morreriam de fome e de sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trate de aprender tudo o que puder. Saber demais não ocupa lugar. Ignorância, sim. A sabedoria anda solta por aí, para a gente aprender o que quiser. Ela está menos nos livros que nos fazimentos, por isso se diz que quem sabe, faz, quem não sabe, ensina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o mundo fosse acabar outra vez, num dilúvio, que faria o novo Noé da barca, para salvar a humanidade? Escolha você entre duas soluções. A primeira seria pegar dez sábios de cada profissão, formados em universidades, e levá-los para uma morraria deserta com seus livros e instrumentos de trabalho. A segunda seria catar na feira uns mil feirantes com suas mercadorias e carregar para o mato. Quem salvaria a humanidade?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;DARCY RIBEIRO – &lt;strong&gt;NOÇÕES DE COISAS&lt;/strong&gt; – 1995 – PÁG. 09-11&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-111136350732591005?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/111136350732591005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=111136350732591005&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111136350732591005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111136350732591005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/03/conversando-com-darcy.html' title='CONVERSANDO COM DARCY'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-111047040501409087</id><published>2005-03-10T12:56:00.000-03:00</published><updated>2005-03-10T13:04:25.106-03:00</updated><title type='text'>O CANTO DE NIETZSCHE</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;A POBREZA DO RIQUÍSSIMO&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;(Dos Ditirambos de Dionisio, 1888: "Estas são as canções&lt;br /&gt;de Zaratustra, que ele cantava para si mesmo,&lt;br /&gt;para suportar sua última solidão".)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Dez anos já –&lt;br /&gt;e nenhuma gota me alcançou,&lt;br /&gt;nem úmido vento nem orvalho do amor&lt;br /&gt;- uma terra sem chuva...&lt;br /&gt;Agora peço à minha sabedora&lt;br /&gt;que não se torne avara nessa aridez:&lt;br /&gt;corra ela própria, goteje orvalho;&lt;br /&gt;seja ela a chuva do ermo amarelado!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Um dia mandei as nuvens&lt;br /&gt;embora de minhas montanhas -&lt;br /&gt;um dia eu disse, "mais luz, obscuras!"&lt;br /&gt;Agora as chamo, que venham:&lt;br /&gt;Fazei escuro o meu redor com vossos ubres!&lt;br /&gt;- quero ordenhar-vos,&lt;br /&gt;vacas das alturas!&lt;br /&gt;Leite quente, sabedoria, doce orvalho do amor&lt;br /&gt;derramo por sobre a terra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Fora, fora, ó verdades&lt;br /&gt;de olhar sombrio!&lt;br /&gt;Não quero ver em minhas montanhas&lt;br /&gt;Acres verdades impacientes.&lt;br /&gt;Dourada de sorrisos,&lt;br /&gt;de mim se acerca hoje a verdade,&lt;br /&gt;adoçada de sol, bronzeada de amor –&lt;br /&gt;só uma verdade madura eu tiro da árvore.&lt;br /&gt;Hoje estendo as mãos&lt;br /&gt;às seduções do acaso,&lt;br /&gt;bastante esperto para guiar, tapear o acaso,&lt;br /&gt;como a uma criança.&lt;br /&gt;Hoje quero ser hospitaleiro&lt;br /&gt;com o mal-vindo,&lt;br /&gt;contra o destino mesmo não quero ter&lt;br /&gt;- Zaratustra não é um ouriço.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Minha alma, insaciável com sua língua,&lt;br /&gt;já lambeu em todas as coisas boas e ruins,&lt;br /&gt;em cada profundeza já mergulhou.&lt;br /&gt;Mas sempre igual à cortiça&lt;br /&gt;Sempre bóia outra vez à tona&lt;br /&gt;Bruxuleia como óleo sobre os mares morenos:&lt;br /&gt;por ter essa alma me chamam o Afortunado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Quem são meu pai e mãe?&lt;br /&gt;Não é meu pai o príncipe Supérfuo,&lt;br /&gt;e mãe o Riso silêncioso?&lt;br /&gt;Não me gerou esse duplo conúbio,&lt;br /&gt;eu animal de enigma,&lt;br /&gt;eu monstro luminoso,&lt;br /&gt;eu esbanjador de toda a sabedoria de Zaratustra?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Hoje doente de delicadeza,&lt;br /&gt;Um vento de orvalho,&lt;br /&gt;Zaratustra está sentado, esperando, esperando, em suas montanhas –&lt;br /&gt;eu seu próprio suco&lt;br /&gt;tornado doce e cozinhado,&lt;br /&gt;embaixo de seu cume,&lt;br /&gt;embaixo de seu gelo,&lt;br /&gt;cansado e venturoso,&lt;br /&gt;um criador em seu sétimo dia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;- Quietos!&lt;br /&gt;Uma verdade passa por sobre mim&lt;br /&gt;Igual a uma nuvem –&lt;br /&gt;com relâmpagos invisíveis ela me atinge.&lt;br /&gt;Por largas lentas escadas&lt;br /&gt;Sobe até mim sua felicidade:&lt;br /&gt;vem, vem, querida verdade!&lt;br /&gt;Quietos!&lt;br /&gt;É minha verdade! –&lt;br /&gt;De olhos esquivos,&lt;br /&gt;De arrepios aveludados&lt;br /&gt;me atinge seu olhar,&lt;br /&gt;amável, mau, um olhar de moça...&lt;br /&gt;Ela adivinha o fundo de minha felicidade,&lt;br /&gt;ela me adivinha – ah! o que ela inventa? –&lt;br /&gt;Purpúreo espreita um dragão&lt;br /&gt;no sem-fundo de um olhar de moça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Quietos! Minha verdade fala!&lt;br /&gt;Ai de ti, Zaratustra!&lt;br /&gt;Pareces alguém&lt;br /&gt;que engoliu ouro:&lt;br /&gt;ainda hão de te abrir a barriga!...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;És rico demais,&lt;br /&gt;Corruptor de muitos!&lt;br /&gt;São muitos os que tornas invejosos,&lt;br /&gt;são muitos os que tornas pobres...&lt;br /&gt;A mim própria tua luz faz sombra –&lt;br /&gt;ela me enregela: vai embora, tu, que és rico,&lt;br /&gt;vai, Zaratustra, sai de tu sol!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Queres presentear, distribuir teu supérfluo,&lt;br /&gt;mas tu próprio és o mais supérfluo!&lt;br /&gt;Sê esperto, tu, que és rico!&lt;br /&gt;Presenteia antes a ti próprio, ó Zaratustra!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Dez anos já –&lt;br /&gt;e nenhuma gota te alcançou?&lt;br /&gt;Nem úmido vento? nem orvalho do amor?&lt;br /&gt;Mas quem haveria de te amar,&lt;br /&gt;ó mais que rico?&lt;br /&gt;Tua felicidade faz secar em torno,&lt;br /&gt;Torna pobre de amor&lt;br /&gt;- uma terra sem chuva...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Ninguém mais te agradece,&lt;br /&gt;mas tu agradeces a todo aquele&lt;br /&gt;que toma de ti:&lt;br /&gt;nisso te reconheço,&lt;br /&gt;ó mais que rico,&lt;br /&gt;ó mais pobre de todos os ricos!&lt;br /&gt;Tu te sacrificas, tua riqueza te atormenta –&lt;br /&gt;Tu dás,&lt;br /&gt;não te poupas, não te amas:&lt;br /&gt;o grande tormento te força o tempo todo,&lt;br /&gt;o tormento dos celeiros saturados, do coração saturado –&lt;br /&gt;mas ninguém mais te agradece...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Tens de tornar-te mais pobre,&lt;br /&gt;Sábio insensato!&lt;br /&gt;Queres ser amado.&lt;br /&gt;Ama-se somente aos sofredores,&lt;br /&gt;só se dá amor aos que têm fome:&lt;br /&gt;presenteia antes a ti próprio, ó Zaratustra!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;- Eu sou tua verdade...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;FRIEDRICH NIETZSCHE (1844-1900)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-111047040501409087?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/111047040501409087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=111047040501409087&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111047040501409087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/111047040501409087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/03/o-canto-de-nietzsche_10.html' title='O CANTO DE NIETZSCHE'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-110918229659824800</id><published>2005-02-23T15:02:00.000-03:00</published><updated>2005-02-23T15:58:15.366-03:00</updated><title type='text'>O ÚLTIMO DIA DE MIM - EÇA DE QUEIROZ</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Encontro-me em um quarto de Paris, melancólico e sentindo reflorescer em mim a vida que vivo, e a que poderia tervivido. Sinto em meu ser a ternura lusa, de um pobre homem de Póvoa de Varzim, que muito ironizou a sua pátria por amá-la e melhor dela querer. Tudo em mim é lusitano. Vejo que consegui transmitir e me libertar desses sentimentos em meu romance, que há pouco terminei. Nele derramei liricamente os valores portugueses essenciais: o homem, as paisagens, a história, a quinta, a freguesia e a aldeia, mas sempre fui um crítico mordaz, caricaturando os ridículos de uma sociedade presa a valores rurais que ansiavam pelos urbanas criados pela revolução industrial.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tive uma infância turbulenta. O meu nascimento se deu em circunstância irregular, pois os meus pais ainda não eram casados, obrigando-me a passar a infância e a adolescência afastado deles. Fui registrado como filho de mãe incógnita, uma ave sem ninho. Vivi com a minha ama de leite e, após a sua morte, com meus avós paternos. A falta de afeto, amparo e carinho, na qual meu ser mergulhou, aguçou a minha sensibilidade, caminhando no tempo da vida com a alma ferida, protegendo-me com arraigada timidez, como um caramujo se defendendo, fazendo com que, a partir da adolescência, eu criasse mundos e personagens, impedindo o retorno a minha infância, que tanto procurei esquecer e sobre a qual sempre silenciei. Lembro-me de uma de minhas confissões da infância, uma artigo sobre o "francesismo", onde digo: "apenas nasci, apenas dei os primeiros passos, ainda com sapatinhos de crochê, eu comecei a respirar a França. Em torno de mim só havia a França. A minha mais remota recordação é de escutar, nos joelhos dum velho escudeiro preto, grande leitor de literatura de cordel, as histórias que me contava de Carlos Magno e dos Doze Pares... Também o meu preto lia contos tristes das águas do mar. Eram as aventuras de um João de Calais". Depois desse artigo, quase que não fiz outra coisa pela a vida afora, a não ser escrever. "As abelhas só sabem fazer mel, e eu só sei fazer romances".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece tão recente o lançamento na Revista Ocidental do Romance O Crime do Padre Amaro e, logo depois, em livro sua primeira versão. A primeira edição não era O Padre Amaro que eu trouxera do ventre. Após as diversas revisões, passou a ser uma obra nova, a minha melhor obra. Na gestação cheguei a escrever a um amigo, antigo confidente, Ramalho Ortigão, dizendo-lhe como concebi o livro em uma tarde, na casa de uma senhora que tocava uma gavota, quando de repente flamejou-me, através da idéia, todo o livro, chegando à minha mente com um escândalo no país, um romance que punha a nu a fraqueza, a anarquia , a covardia em que mergulharia Portugal em conseqüência de maus governos. Queria com o livro dar um choque elétrico ao porco adormecido (refiro-me à Pátria). Além do mais é um romance que fala da vida da pequena vila devota, o grupo de padres e beatas da casa S. Joaneira, o mundo grotesco que se agita em torno da velha Sé. Uma história dum sortido amor sacrílego, entre um sacerdote e uma rapariga educada numa atmosfera de beatice e lassidão moral. Este romance inaugura o realismo em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acredito que renasço em meus romances. A vida é feita de perdas sucessivas, e cada dia morre alguma coisa de nós mesmos, ou, o que vem a ser o mesmo, algum dos que amamos. Houve uma época que escrevi em um álbum no qual já haviam colaborado Guerra Junqueira e o Oliveira Martins. A vida, eis o mote. Reflexo da alma: O amigo Oliveira Martins diz que a vida é um sonho; o amigo Guerra Junqueira diz que é um punhado de areia. Se é sonho, é o único que vale a pena sonhar; se é areia, é a única com que vale a pena edificar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes da minha transferência para o consulado de Bristol, lancei o meu romance O Primo Basílico, a bomba literária e moral que explodiu na terra lusa ou o escândalo branco. Os críticos conservavam sobre mim um silêncio desdenhoso, mais aos poucos foram quebrando o gelo, catalogando como obscena e imoral uma obra realista ou naturalista. Tive nele a capacidade de plasmar fielmente em poucos traços uma realidade observada, lamentando-me por não poder conseguir a nota sublime da realidade eterna nem a nota justa da realidade transitória . Uma síntese instantânea do enredo: É uma mulher que tem uma amante, que é espreitada e seguida por uma criada – a qual se apodera das provas do adultério e estabelece uma tirania de todos os instantes sobre a ama: tirania longa, cruel, horrorosa, um verdadeiro drama íntimo. Sendo o assunto costume contemporâneos – não da província desta vez – mas de Lisboa. É um trabalho realista – talvez um pouco violento e cru, ma não foi para fazer dele uma leitura de serão nos colégios que o escrevi. O romance, esse é a apoteose do adultério, na estuda, nada explica, não pinta caracteres, não senha temperamentos, não analisa paixões. Não tem psicologia, nem ação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora este fosse um livro que eu tivesse pressa em concluir, não perdi nele o habito das alterações, pois, confesso, é quase impossível para um escritor não fazer alterações nas provas, quando ao reler um trabalho impresso se vê uma palavra ou uma frase falsa – é absurdo não substituir, bem assim, é absurdo não introduzir ou alterar quando acode uma palavra ou uma frase de mais efeito. Isto acontece sempre, desde que se imprimem livros. É uma eterna insatisfação, busca da perfeição, uma ânsia de dar à língua uma forma nova, simples, na qual a nitidez do pensamento corresponde à beleza da frase. Até na capa vivi o escritor, uma capa bonita – é essencial num livro – como um vestido uma mulher. Foi um livro que me deu um trabalho dos demônios. Eu não sou gênio e trabalho devagar: talvez não acreditam, mas cada folha da revisão do "Primo" levou-me de dois a três dias, mas no dia vinte e um de fevereiro de mil oitocentos e setenta e oito O Primo Basílico foi posta a venda em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava ávido por conhecer a repercussão do livro. Ramalho escreverá com franqueza sobre o romance: "As cenas d’alcova são reproduzidas na sua nudez mais impudica e mais asquerosa. Este livro concebido com amargura e com misantropia deixa no espírito de quem lê uma triste impressão de melancolia e desalento" . Meu velho pai José Maria também externou as suas observações sobre o romance: "No ponto de vista da escola realista que te domina, o romance é uma obra d’arte perfeita. Entretanto eu creio que, mesmo nessa escola, há um ponto além do qual não é permitido, ou pelo menos não é conveniente passar. Pode mostrar-se a chaga, e o realismo está nisso; mostrar, porém, toda a podridão não dá mais caráter à escola realista, e leva ao exagero, que é um defeito de todo o gênero de composição. De resto deixa falar, ou não falar os invejosos, e vai por diante. Recomendo-te só que em tudo o que escreveres evites descrições que senhoras não possam ler sem corar".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passei um bom tempo justificando e explicando o ataque à família lisboeta: Um pequeno quadro doméstico, extremamente familiar a que conhece a burguesia de Lisboa; - A senhora sentimental , mal educada, nem espiritual (porque o cristianismo já o não tem; sanção moral da justiça, não sabe o que isso é) arrasada de romance, lírica, sobreexcitada no temperamento pela ociosidade e pelo mesmo fim do casamento peninsular que é ordinariamente a luxúria, nervosa pela falta de exercício e disciplina moral, etc, etc; - enfim uma burguesia da baixa... Uma sociedade sobre estas falsas bases, não esta na verdade: atacá-las é um dever. E neste ponto O Primo Basílico não está inteiramente fora da arte revolucionária, creio. Pois analisei a vida social enfocando a constituição moral da família na burguesia média da capital. Oferecendo uma crua visão da realidade, à qual o público não estava acostumado, e que foi objeto de ataque e viva controvérsia. Aparecem folhetos que avisavam as mães dos perigos para a moral existente na nova arte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha evolução foi lenta, harmoniosa, intensa. A disciplina férrea da observação aquietava a minha fantasia e serenava a minha forma. Conquistando a minha maneira inconfundível, sugestiva e irônica, síntese consciente dos dois pendores contraditórios de minha alma: O impulso atávico do meu temperamento para a livre imaginação, o lirismo e a eloquência, dum lado; e do outro a minha tendência, adquirida pela educação positivista à qual me submeti, para uma percepção clara e imediata dos elementos objetivos da realidade e o desejo de exatidão na expressão deles, sem desdenhar, ou mesmo procurando-lhes os aspectos prosaicos, feios ou baixos. O resultado do meu esforço para resolver essa dicotomia interna é um estilo específico de romance em que entram numa peculiar fórmula de fusão, o solto vôo da fantasia romântica e a insubordinável probidade realista. Iniciei esta nova estética em O Mandarim, deliciosa novela fantástica, cujo prólogo, destinado a uma versão francesa, é uma irônica auto-análise literária. Um conto fantasia e fantástico , onde se vê, ainda como nos bons velhos tempos, aparecer o diabo, embora em redingote, e onde ainda há fantasmas, embora com boas intenções psicológicas. Espíritos assim formados devem afastar-se necessariamente de quanto seja realidade, análise, experimentação, certeza objetiva. O que os atraí é a fantasia, sob todas as suas formas, desde a canção até a caricatura, também em arte, nós produzimos principalmente líricos e satíricos. Eis porque, mesmo depois do naturalismo, ainda escrevemos contos fantásticos, autênticos, desses onde há fantasmas e onde se encontra, no canto das páginas, o diabo, o amigo diabo, esse delicioso terror da nossa infância católica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de uma longa gestação conclui Os Maias, neste romance, estendi o meu campo visual à alta sociedade., tardiamente romântica. Servindo de fundo um caso de incesto., pinta-se em quadros cheios e movimentados a vida das alta esferas da política, do governo, da aristocracia, das finanças e da literatura, observada com ironia cruelmente escrupulosa. Também, não podia evitar, neste romance, minhas purificações nas águas lustrais da geografia poética e exótica, Não encontrei para o herói do livro e mesmo para mim, melhor purificações do que a viagem a mundos distantes do planeta, através de geografias das antigas civilizações.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me de minhas confidências sobre o romance, ao querido Joaquim Pedro, dizia-lhe: "saíram uma cousa extensa e sobrecarregada, em dois grossos volumes! Mas, há episódios bastantes toleráveis. Folheia-os, porque os dois tomos são volumosos demais para ler. Recomendo-te as cem primeiras páginas; certa ida a Sintra; as corridas; o desafio; a cena no jornal "A Tarde"; e, sobretudo, o sarau literário". Mesmo sendo idealizado há mais de dez anos , o livro atingiu alentadas proporções.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os Maias movimentaram e dividiram a crítica, não podendo eu me queixar do silêncio. Dentre as apreciações sobre o romance, a que mais me agradou foi a de Silva Gaio, era como se dissera serem Os Maias uma caricatura da sociedade portuguesa. Ele fizera está observação:" são realmente, em mais de um ponto de vista. Mas, dá-se com está sociedade o que se dá com alguns indivíduos: são já de si tão caricatos, que o lápis irreverente nada mais fez do que dar-lhes a atitude que lhes convém, a expressão última definitiva do que eles são".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até o momento Os Maias é o meu último livro impresso. Sendo ele um desfile da multidão de personagens, imortais. Desde Maria Eduarda e Carlos da Mais, protagonistas principais, ao lado de cujas dolorosas existências passam o grotesco Conde Gouvarinho, Damasco salcede, o poeta Alencar, o sarcástico João de Ega até o bom e inditoso Afonso da Maia, o senhor do Ramalhete. Creio hoje que fui recompensado pelos dez anos consumidos. Os Maias conseguiram se edificar sobre as rochas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar de minha má saúde, escrever estas palavras me faz peregrinar em minha vida agravando a minha melancolia. Pois sou um doente que não conhece cama e Paris é ainda o sítio em que bate mais largamente o coração da humanidade. Como uma borboleta à morte adeja sobre minha cabeça. Meu corpo se encontra esguio e curvo, tomando aparências esqueléticas, meus nervos se encontram eletrizados e vibráteis, mesmo assim me movo, agito-me alegremente, na maior parte do tempo tenho uma atitude de exaustão. Às vezes me brotam observações argutas, ditos mordazes, anedotas hilariantes. Depois a prostração, o letargo de dias e dias, em que não me agrada ver pessoa alguma, esta solidão que me povoa de pensamentos dolorosos. Meu trabalho agora se assemelha a uma tortura mental e não a uma criação como antes, quando era feito em pleno gozo, na tentativa de tornar meus romances uma obra de arte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A propósito, A Casa de Ramires está péssimo, um horror, espero que ninguém leia. Sei que sou um eterno insatisfeito, Ramires, Fradique e o Jacinto d’A Cidade e as Serras não terminarão as suas jornadas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oh! Minha Lisboa, você sempre foi o meu laboratório de arte, o meu material de estudo, a minha crítica preocupação, o meu mundo de escritor. Sou a chaga dessa sociedade decadente, que tentei salvar expondo-a a luz ou fustigando-a com o estilete da ironia. Na realidade, eu te amo, minha querida Lisboa. Orgulho-me do pobre homem de Póvoa de Varzim. Como esquecer os velhos tempos? – o cenáculo, o Chiado, a Casa Havanesa, o Hotel Bragança, os Vencidos da Vida. Às vezes a vejo mesquinha. Talvez seja o tédio. E voltar a ti é o meu sonho, Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sinto-me exausto. E creio que estou imerso na única dança que dançamos. Hoje são quinze de agosto de mil e novecentos, entretanto, não tenho esperança, o romance o qual todos somos obrigados a viver, para mim está no último capítulo. Minha alma transborda as últimas palavras que ainda pedem movimento. Mas o meu instinto insiste em que tudo ao meu redor vai acabar, desaparecendo gentes, bichos, arvores, jardins, casas, órfãs, pianistas, histórias, cadernos – o que pode restar da história de um romancista ou de um louco? Não mais a vontade de glória (mas que glória?) ou de poder (mas que poder?). Apenas o instinto de permanecer através da idéia, da palavra – desafio à morte. Obsessão de infinito da nossa finitude, exigência maior do criador. A morte não é difícil. Difícil é a vida e o seu ofício. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-110918229659824800?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/110918229659824800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=110918229659824800&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110918229659824800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110918229659824800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/02/o-ltimo-dia-de-mim-ea-de-queiroz.html' title='O ÚLTIMO DIA DE MIM - EÇA DE QUEIROZ'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-110909547223639321</id><published>2005-02-22T14:59:00.000-03:00</published><updated>2005-02-22T15:57:12.260-03:00</updated><title type='text'>A MAIS BELA FORMA DE SE FAZER CIÊNCIA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;CHARLES DARWIN O GÊNIO ATORMENTADO&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um verdadeiro escândalo estourou quando Charles Darwin publicou, em 1859, Da origem das espécies pela via da seleção natural. A primeira edição - de 1.250 exemplares, volume grande para a média da época - se esgotou em alguns dias. Nascia assim o "transformismo", uma doutrina que se opunha frontalmente às idéias consagradas sobre o tema e que, por oposição, seriam a partir daí chamadas de "fixismo". O autor escrevia: "Os bons criadores de animais domésticos procuram, por meio de uma seleção metódica dos pais, criar novas linhagens, superiores às existentes no país. Mas há outra seleção, bem mais importante, que poderíamos chamar de inconsciente, cuja mola propulsora é o desejo que todos sentimos de reproduzir os melhores indivíduos de cada espécie. Assim, quem quer cães de caça começa escolhendo os melhores exemplares entre os encontrados, para depois providenciar sua descendência. Não é certo que a intenção seja, sempre, a de modificar a raça. Mas, se essa prática se repetir, acabará por produzir a modificação da raça."Assim é a seleção artificial. Sobre a base desse mecanismo indiscutível, Darwin enxertou a "seleção natural", cuja exposição iria desencadear verdadeiras tempestades. O motor da evolução é a persistência do mais apto na luta pela vida. O lobo mais forte tem mais possibilidade de ter filhotes do que os lobos mais fracos, mantidos à parte do grupo. A borboleta que passa mais desapercebida, sobre a planta onde pousa, tem mais chance de sobreviver do que outras, e sua descendência conseguirá se confundir com a vegetação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse homem, por ocasião do lançamento de sua teoria, tinha 50 anos de idade, e teve idéias bastante revolucionárias para sua época por reflexões feitas na juventude, no curso de uma longa viagem científica de volta ao mundo. Mas ele tinha consciência de que suas convicções eram explosivas, a ponto de ter preferido amadurecê-las durante muito tempo. Pôde, ao longo desse período, reforçá-las com os melhores argumentos, antes de publicá-las.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se Charles, o segundo filho de um rico médico de Shrewsbury, no noroeste da Inglaterra, era especialmente dotado do ponto vista intelectual, era também bastante despreocupado. Seu pai, muito rígido, lamentava que ele se dedicasse sobretudo "à caça, aos cães e à captura de ratos". O rapaz preferiu não seguir a carreira médica, conforme a tradição familiar. Demonstrou até mesmo vivo horror pela atividades desde a primeira intervenção cirúrgica a que assistiu, feita em uma criança, evidentemente sem anestesia. Seu pai quis, então, fazer dele um sacerdote. Foi sob essa perspectiva que Charles começou seus estudos em Cambridge.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dotado de grande inteligência e facilidade para aprender, ele só se dedicava aos estudos de modo diletante. Continuava a recolher pedras e insetos. A caça, sua paixão, também o mantinha em contato com a Natureza da mesma forma que suas leituras favoritas, as dos grandes viajantes, em especial Humboldt. As incursões para estudos de arborização, com seu professor de botânica, permitiram que ele fizesse observações precisas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em três anos, se formou. No outono de 1831, voltou à casa paterna, sem saber muito bem o que faria da vida, que parecia fácil. E então desabou a tempestade, antes que o verão sequer tivesse chegado ao fim. O responsável foi seu professor de botânica, embora valha uma reflexão a respeito do destino e de como se entremeiam seus fios. Tudo decorreria, é certo, de sua grande curiosidade e de sua viva inteligência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mestre, que gostava muito de seu jovem amigo, foi contatado pelo almirantado, que preparava uma expedição hidrográfica de volta ao mundo, dedicada especialmente a fazer o levantamento das profundezas do oceano e estudar as correntes marítimas em torno da América do Sul. O jovem naturalista foi consultado sobre seu interesse em participar da viagem. Sem nenhum salário, evidentemente. A proposta caiu como uma luva para Darwin. Ao lhe oferecer essa função, seu protetor escreveu-lhe : "É uma ocasião excepcional para um homem dedicado e de caráter". O jovem, porém, enfrentou uma dificuldade inicial. Teve de recorrer ao tio para reverter a negativa que ouviu do pai ao consultá-lo sobre a partida. Essa resistência não só foi vencida como dele recebeu dinheiro suficiente para gastos que teria por vários anos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No final do ano de 1831, ele estava a bordo quando o Beagle deixou a Inglaterra para uma longa exploração marítima que se tornaria famosa. Darwin, então com 22 anos, compartilhava a cabine com o igualmente jovem, de 27 anos, capitão Fitzroy, chefe da expedição, cujo nome foi dado, no final do século XX, a um dos mais belos picos nevados dos Andes. Era o começo de um longo convívio e uma estreita relação de amizade. Não obstante, mais tarde, o mesmo Fitzroy se alinhou entre os mais ferozes inimigos de Darwin, por sua oposição aos ensinamentos bíblicos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No último verão de sua epóca de estudante, Darwin tinha acompanhado um professor de geologia de Cambridge numa viagem de estudos ao País de Gales. Somado a isso, nos primeiros dias da travessia, leu os Princípios de Geologia de Charles Lyell, cujo primeiro tomo acabara de ser publicado. Era uma obra de muita repercussão, construída com base na idéia de que a Terra sofria os efeitos do que o autor chamou de "causas atuais".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele estava bem preparado, portanto, para o que viria a descobrir em sua primeira escala tropical, quando abordaram as ilhas de Cabo Verde. Rochas brancas a uns 15 metros acima do nível da praia continham as mesmas conchas e mexilhões que se podia encontrar à beira-mar. Altos rochedos negros davam prova de atividade vulcânica recente. Assim se revelou ao jovem viajante a importância decisiva do tempo: essas ilhas que haviam se formado há pouco tempo, mais recentemente ainda haviam emergido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tardou para que se iniciasse a lenta navegação ao longo da costa da América do Sul, com incursões por seus recortes hidrográficos, durante as quais o naturalista iria explorar terras, ao longo de vários anos. Dessa maneira, Darwin encontrou nos pampas argentinos seus primeiros fósseis. No leito seco de um rio despontavam as ossadas. Ele as exumou. Explorou e escavou os arredores. Descobriu restos de monstruosos quadrúpedes. Um deles tinha o tamanho de um elefante, mas a dentadura de um roedor. Um espírito dotado de razão não poderia deixar de concluir que, apesar da crença generalizada sobre o recente nascimento da Terra já com o formato atual, o planeta, bem como a vida nele, havia evoluído durante muito tempo, antes de assumir as características do presente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bem mais ao sul, na Patagônia, perto de Puerto San Julian, Darwin encontrou fósseis de animais gigantes já desaparecidos. Agora, afirmava, "um paquiderme notável, tão grande quanto um camelo". E as dimensões desses espécimes surpreendiam o naturalista. "Este continente deve ter abrigado, em outros tempos, monstros imensos; atualmente, só vemos pigmeus, se compararmos os animais que aqui vivem às raças extintas. Qual pode ter sido a causa do desaparecimento de tantos tipos e de espécies inteiras? Contra a vontade, pensamos numa grande catástrofe. Mas um cataclismo que tivesse sido capaz de destruir dessa forma todos os animais da Patagônia, do Brasil e da cordilheira do Peru teria sacudido o globo terrestre até suas bases mais profundas. Na verdade, o estudo da geologia dessas regiões nos permite concluir que todas as formas de vida sobre a Terra são derivadas de modificações lentas e graduais."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas ilhas Falkland, que os franceses batizaram de Malvinas (em francês, Malouines), Darwin se surpreendeu com as impressionantes variedades de formas que apresentavam os "lobos das Falkland", carnívoros já extintos, comparando-se os das ilhas ocidentais àqueles das orientais do arquipélago. Ele desconfiou que a separação de populações em princípio idênticas as fizera evoluir de modos diferentes e independentes, reflexão de capital importância para um espírito que formularia mais tarde doutrinas evolucionistas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na Terra do Fogo, no extremo sul do continente, o viajante teria oportunidade de focar suas reflexões na direção de outros seres vivos: os próprios seres humanos. "Alguns indígenas nos seguiram durante várias milhas, correndo ao longo da orla marítima. Eu jamais esquecerei um desses grupos de selvagens: quatro ou cinco apareceram de repente no alto de um rochedo que dominava o mar. Completamente nus, a longa cabeleira solta, eles brandiam no ar grandes bastões; saltavam, agitando os braços e fazendo grotescas contorções, enquanto soltavam os gritos mais horrendos." Uma outra tribo, ele registrou em seus escritos, ostentava como única vestimenta pedaços de pele "apenas suficientes para cobrir as costas até a altura dos rins, que eles envolvem com fios passados de um lado a outro do corpo, e que se agitam conforme a direção do vento". O naturalista refletiu sobre a evolução e também a miserável condição humana, num país onde o inverno é gelado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Numa ilha que o Beagle logo alcançou, subindo agora pela costa do Chile, foram as mudanças da Natureza que surpreenderam Darwin, em especial as de ordem geológica. Ele assistiu a uma violenta erupção do vulcão Osorno, que domina Valdívia. Alguns dias mais tarde, testemunhou um forte terremoto, o de 20 de fevereiro de 1835, que destruiu a cidade de Concepción. Ele estava deitado sob as árvores, numa praia próxima de Valdívia, quando o chão tremeu por dois minutos. Suas impressões: "O movimento quase me fez ficar enjoado".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O navio retomou sua rota e chegou a Concepción duas semanas mais tarde. Do ponto de vista geológico, a destruição completa da cidade foi menos relevante do que o efeito considerado por Darwin realmente "mais notável": ao redor de toda a baía, as terras sofreram uma elevação, ele calculou, de 2 ou 3 pés. E mais: "Um recife de mexilhões em putrefação, ainda colados aos rochedos, demonstrava uma elevação de uns 10 pés".No seu relato de uma excursão que durou um mês, através das montanhas dos Andes, constam observações a respeito dos terraços de cascalhos e aluviões que enchiam alguns vales, mas em outros haviam sido recortados por erosões recentes. Darwin, a partir do seu estudo, concluiu : "A cadeia de montanhas, em lugar de ter surgido de repente, como ainda acreditam vários geólogos, se ergueu lenta e gradualmente". Assim, sempre e em todos os lugares, a Terra nos mostrava que vive e que não pára de evoluir, há milhares de anos. O que, para a época, era uma heresia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, durante mais de três anos, o mundo deu ao jovem viajante atento mil provas de suas transformações do presente e de suas metamorfoses ancestrais. Havia mais, porém. O acaso colocou no final dessa incursão sul-americana o arquipélago de Galápagos. Atualmente, conhecemos bastante bem as características excepcionais de sua flora e fauna, que fizeram dessas ilhas uma reserva biológica mundial, com justa razão denominada "laboratório de evolução". A mil quilômetros do Equador, de origem vulcânica relativamente recente, essas ilhas constituem um mundo à parte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;São muito conhecidas fotos ou filmes sobre seus inhames marinhos, seus enormes lagartos terrestres, suas tartarugas, as maiores do mundo, seus pássaros que têm os hábitos de nossos pica-paus, mas que - por não terem os bicos tão pontiagudos - utilizam um espinho de cacto para arrancar vermes vivos do tronco das árvores. Por toda parte, nessas ilhas, a vida assumiu formas bastante particulares - o que prova que ela pode evoluir. Há, ainda, as diferenciações que podem ser estabelecidas entre as populações das várias ilhas. Elas são separadas por canais, freqüentemente largos e sempre com violentas correntezas, que impedem que sejam atravessados. Além disso, os morcegos se encarregaram de eliminar qualquer nadador imprudente. Nem mesmo os pássaros passavam de uma ilha a outra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os exploradores separaram, em redomas de vidro, 14 espécies de pintassilgos, diversos tipos de tartarugas, variedades típicas dessa ou daquela ilha. A diferenciação era tão precisa que, diante de Darwin, o governador equatoriano do arquipélago teve ocasião de reconhecer a origem da tartaruga trazida para o seu jantar. Assim, o naturalista teve a confirmação de que, de fato, de uma única origem nasceram espécies variadas, por influência de diversos fatores (meio ambiente, alimentação, transmissão hereditária de características adquiridas acidentalmente).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois das ilhas Galápagos, terminava a missão do Beagle. Mas a viagem de volta ainda teria escalas no Taiti, na Nova Zelândia, na Austrália e nas ilhas Maurício, onde o naturalista pôde também constatar milhares de vidas diferentes. O retorno a Portsmouth aconteceu em outubro de 1836. Darwin, física e espiritualmente amadurecido, voltou rapidamente a The Mounth, a propriedade familiar onde caixas de documentos enviados de todas as escalas o aguardavam. Ele estava intimamente convencido da evolução dos seres vivos. Mas tinha consciência do caráter explosivo de suas idéias; tampouco queria publicá-las sem que tivessem amadurecido bem e, sobretudo, sem tê-las reforçado com base em novos estudos, em outros exemplos. Antes ele publicou, com grande sucesso, o relato de sua viagem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foram suas idéias a respeito da evolução geológica que suscitam mais interesse, e ele pôde expressá-las plenamente, enquanto deixava de lado as reflexões sobre biologia. Pouco tempo depois, ele leu a Teoria da População, de Malthus, que acabara de ser publicada e que reforçaria suas próprias concepções. "Eu havia finalmente chegado ao momento de elaborar uma teoria...", escreveu, tempos depois. Só em 1859 ele viria a publicar a Origem das espécies, embora o título completo fosse A origem das espécies por meio da seleção natural ou a Preservação das raças favorecidas na luta pela vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A obra teve uma procura impressionante e se transformou no escândalo da época. Ele nem tinha, ainda, ousado aplicar suas teorias à raça humana. Escreveu simplesmente: "Um raio de luz complementar haverá um dia de iluminar a questão da origem do homem". Frase prudente, até mesmo sibilina, impotente porém para evitar a cólera e até mesmo o ódio de muitos. Em 1871, saiu a primeira edição de A descendência do homem, livro carregado de um caráter tão explosivo que até mesmo muitos adeptos da teoria da obra anterior se afastaram dele.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A idéia de que seres humanos e macacos pudessem ter ancestrais comuns foi um choque muito forte. No dilúvio de severas críticas que caíram sobre a cabeça do autor, há a indagação mordaz feita pelo bispo de Oxford: "É possível acreditar que variedades especiais de nabos tenham tendência a se tornar homens?".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro eclesiástico declarou ter procurado, em vão, na língua inglesa, termos baixos o suficiente para qualificar Darwin e seus partidários. Nos Estados Unidos, onde ninguém ousava brincar com a Bíblia, um professor que defendeu as teses de Darwin, questionando dessa forma o Gênesis, foi entregue à Justiça. Mas Darwin tinha como couraça uma filosofia própria. Enquanto o mundo inteiro era virado do avesso por suas idéias, ele falecia aos 73 anos de idade, em 19 de abril de 1882, em sua propriedade de Kent, de onde ele jamais saiu depois de sua viagem imortal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Por Pierre de Latil&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-110909547223639321?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/110909547223639321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=110909547223639321&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110909547223639321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110909547223639321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/02/mais-bela-forma-de-se-fazer-cincia.html' title='A MAIS BELA FORMA DE SE FAZER CIÊNCIA'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-110874779890318407</id><published>2005-02-18T15:27:00.000-02:00</published><updated>2005-02-22T09:33:38.086-03:00</updated><title type='text'>O EMUDECIMENTO DAS CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Generalizando, pode-se dizer que as ciências humanas e sociais não estão respondendo, através de suas pesquisas, aos problemas que a sociedade vem vivenciando. Na tentativa de fazer alguma elucidação, os pesquisadores recorrem à repetição de teorias, que outrora tiveram a sua importância, porém hoje, elas tornam o discurso vazio de sentido e vago, em grande parte das publicações.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A necessidade dos pesquisadores de estarem dentro de uma instituição acadêmica, é um dos fatores que colaboram para o emudecimento dessas ciências. Pois hoje, estas instituições são importantes pólos no financiamento de pesquisas em diversas áreas e oferecerem uma cômoda legitimação institucional ao profissional que realiza o seu estudo nelas. Estes dois fatos colocam um número considerável de profissionais condicionados a estas verbas e a segurança na divulgação da pesquisa. E isto torna-se, um dos obstáculos para um olhar diferenciado sobre a sociedade. Visto que, estas instituições são restritivas quanto ao valor do financiamento, porque são obrigadas a desdobrá-lo em outras áreas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro fator, é o aspecto metodológico e as malditas linhas de pesquisas, impostos aos pesquisadores para terem a pesquisa reconhecida pela comunidade cientifica. As universidades no caso do método cientifico, segue-o como um dogma, utilizando-o como uma receita, um paradigma intransponível. Já as linhas de pesquisas são definidas de acordo com interesses interno da instituição e não com os problemas enfrentados pela sociedade. O método clássico, instituído pelo positivismo para verificação e confirmação das hipóteses levantadas, é hoje, no caso das ciências humanas e sociais, muito limitativo, visto que o universo humano é muito complexo e transitório e as intervenções tem que ser muito mais dinâmicas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O último fato, é a atuação dos orientadores na pesquisa, uma vez que, quando ocorre do pesquisador ter alguma idéia diferente para realizar a sua pesquisa, ele é literalmente impedido, pelo orientador de ir em frente. Sendo a atuação desses ditadores da "ciência" muitas vezes conservadoras, e para um pesquisador, a liberdade é extremamente necessária. Quanto as orientações importantes para o embate reflexivo, podem muito bem ser adquiridas através de uma extensa bibliografia existente, sobre diversos temas e de fácil acesso, e pela própria experiência de êxito e fracasso no momento de se verificar as hipóteses. No entanto, deve-se salientar que para isto, o pesquisador tenha a humildade de reconhecer as suas falhas e ouvir outras visões, sem com isso, tornar-se um boneco de fantoche das idéias de alguém ou da própria pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diversos exemplos, de excelentes pesquisas, podemos encontrar na história, que deram um novo rumo às ciências humanas e sociais. Quando recorremos às obras de Marx, Freud, Weber e alguns outros, ícones das pesquisas realizadas na área humana e social dos dois últimos séculos, esquecemos que as suas pesquisas foram pensadas e elaboradas fora das academias. Marx, dedicou a sua vida à obra, elaborada dentro da biblioteca e cortiços de Londres, financiada pela sua pobreza, pela morte de seus amados filhos, pela compreensão de sua mulher e pela tamanha generosidade de Engels, que muitas vezes assumiu a direção dos negócios do pai, tornando-se um burguês em atividade, para poder mandar dinheiro ao Marx, que trabalhava em extrema miséria em Londres. Freud, quando começou a publicar as suas pesquisas, no final do século XIX, já havia começado a ditadura do desenvolvimento cientifico, apenas dentro das universidades, foi durante muito tempo ridicularizado, apesar de seu rigor metodológico. Não foi poupado por sua independência. Weber, teve que sumir durante dez anos, para florescer as suas brilhantes idéias e tornar-se um dos mais notáveis sociólogos do século XX.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contudo, não devemos perder de vista o caráter generalista destas afirmações, pois existem algumas ilhas que norteiam o pouco progresso alcançado nas últimas décadas nestas ciências. Mas que foram insuficientes, diante de tantas transformações as quais vem passando o mundo em que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Portanto, para tirar as ciências humanas e sociais de seu emudecimento, ou melhor dizendo, de sua gagueira, os pesquisadores devem parar de ficar apenas atrás dos laboratórios, fabricando estatísticas e teorias vazias e começarem a ver que o melhor campo de pesquisas são as pessoas inseridas no mundo. Coragem para não ter medo de fazer indagações sobre o homem e a sociedade, estudar muito e receber como prêmio as vaias, a indiferença e tantas outras coisas típicas de quem aceitou a viver de sua única tese, de quem nunca gostou de conhecer nada, que quiz apenas o título de doutor. Como diz uma das pessoas mais esclarecidas que conheço, ficaram a vida inteira falando da tese que escreveram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;P.S.: Agradeço a R. por me ensinar o que é ciência, não à que se encontra nos manuais de procedimentos científicos, mas a que esta fora das algemas, de olhar crítico e criterioso sobre a sociedade e a própria pesquisa. E ao É. por me ensinar que nem todos estão preocupados em aprender. E o que é dito, não é para ser entendido por todos. Para exemplificar isto, ele usa como metáfora a pergunta feita a J.C. por um apóstolo, quando perguntava-lhe, por que se expressava sobre a forma de parábola e ele o respondeu que era para que todos ouvissem, mas para que nem todos compreendessem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-110874779890318407?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/110874779890318407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=110874779890318407&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110874779890318407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110874779890318407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/02/o-emudecimento-das-cincias-humanas-e.html' title='O EMUDECIMENTO DAS CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-110657118626365177</id><published>2005-01-24T10:49:00.000-02:00</published><updated>2005-02-14T16:56:29.316-02:00</updated><title type='text'>MORRENDO COM IVAN ILITCH</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tolstoi, no conto "A morte de Ivan Ilitch", escreve um maravilhoso tratado sobre a existência humana. Fugir da realidade da vida, encená-la em papéis assumidos no cotidiano, é possível, mas quanto a morte, não! E é isso, o verdadeiro horror, a ser enfrentado por todos os homens.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A morte do outro, se apresenta ao vivente como uma mistura de medo e indiferença. O indivíduo acredita ser imortal, e que mortal são apenas os outros, no entanto, diante da precariedade da milagrosa dedução, carrega consigo a dúvida de sua imortalidade. E, mesmo com o corpo falecendo aos poucos, tenta ignorar a morte e entrega-se a uma vacilante esperança, até nos últimos suspiros de vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em meio as indagações do porque viver e morrer, o personagem, Ivan Ilitch, percebe a mentira que foi a sua existência e a da sociedade em que vive. Enoja-se e tem pena daqueles que diante da mentira em que vivem ignoram tanto a vida, quanto a morte. Vê que quanto mais instruídas são as pessoas, maior é a fuga, a indiferença e a representação daquilo que chamam de vida. Distanciam-se da simplicidade, da realidade e consequentemente do sofrimento alheio. O único sentimento que conseguem compartilhar é o medo. E têm como saldo uma existência inautêntica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar de ser um juiz, Ivan, sente a necessidade de ser acariciado e de cuidados, porém apenas um empregado, que o servia como enfermeiro, é que irá perceber a sua carência e será capaz de lhe oferecer um pouco de conforto, a esta alma solitária. Ivan, descobrirá que amor não tem nada haver com a inteligência. Este pobre mujique, não terá nojo de limpar as fezes deste doente, não se cansará de passar as noites em claro, segurando o pé deste ser humano que se definha aos poucos. O mujique sabia, que todos estamos sujeitos à morte, e que amenizar a agonia de quem está mais próximo dela, é o mínimo que se pode fazer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Portanto, não foi em sua vida familiar ou profissional, que Ivan encontrou autenticidade, honestidade e amor, mas com um camponês rude. A leitura do conto, nos faz viver a magnífica experiência de aprendizagem e aceitação da morte. Lendo-o morremos com Ivan Ilitch. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-110657118626365177?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/110657118626365177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=110657118626365177&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110657118626365177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110657118626365177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2005/01/morrendo-com-ivan-ilitch.html' title='MORRENDO COM IVAN ILITCH'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-110417356413467523</id><published>2004-12-27T16:48:00.000-02:00</published><updated>2004-12-27T16:58:09.750-02:00</updated><title type='text'>"A RODA DO MUNDO" - DEFINIÇÕES DE BANTO, IORUBÁ E OUTRAS CULTURAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Da África os negros trouxeram seus costumes, religiões, trajes, técnicas e idiomas. Quer dizer, os africanos possuíam uma cultura que, através dos escravos, se transmitiu ao Brasil. Por este motivo é que encontramos tantas influências africanas em diversas regiões brasileiras e mesmo algumas contribuições que se estenderam a todo o país. Tal é o caso do samba, dança de origem congo-angolana e que se transformou em um ritmo nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os escravos provinham de regiões diversas, também diferentes eram as suas culturas. Os povos de cultura mais adiantados, eram principalmente os dos grupo iorubá. É o caso dos povos que vieram da Nigéria, do Daomé e de Gana. Estes falavam nagô, língua que deixou numerosas palavras no português que falamos no Brasil. Também influenciaram na culinária, especialmente nos pratos da cozinha baiana, como o vatapá, o caruru,o acarajé e o uso do azeite-de-dendê. Como os escravos iorubanos já conheciam o emprego dos metais, sua contribuição foi muito importante na atividade mineradora. Outra influência muito importante e bastante espalhada no Brasil é a que se exerceu sobre os cultos religiosos, os quais aqui, notadamente nas camadas mais humildes da população, resultam da mistura de crenças africanas e cristãs. No filme O Pagador de Promessas, o personagem principal acreditava que Santa Bárbara e Iansã, divindade africana, eram uma só pessoa. O mesmo aconteceu com outros santos da Igreja Católica, que os escravos procuravam confundir com os seus orixás ou deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa, bastante popular, em que se distribuem doces às crianças no dia dos santos Cosme e Damião tem origem africana. O costume veio da confusão entre esses santos cristãos e os orixás chamados Ibejis, que protegiam as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os grupos sudaneses havia alguns que se converteram à religião maometana. São os de cultura negro-maometana e, por isso, muito influenciados pelos árabes. É o caso do traje conhecido como baiana, onde o turbante, os balangandãs, o pano-da-costa indicam contribuições árabes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro grupo muito importante foi o banto. Era formado pelos negros vindos de Angola, Moçambique e do Congo. Além de outras contribuições, eles trouxeram o samba, o batuque, instrumentos musicais, o esporte da capoeira e numerosas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por influência africana que vários termos e expressões vieram enriquecer a nossa língua. Tal é o caso de caçula, indicando o filho mais moço; careca, mais usado do que o português calvo, ou, cochilar, que praticamente substituiu dormitar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Enciclopédia Delta de História do Brasil&lt;/strong&gt;, de Colônia a Nação, vol.6. pág. 1502-1503.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;BANTO:&lt;br /&gt;Conjunto de populações da África sul-equatorial (com exceção dos bosquímanos e dos hotentotes), de línguas da mesma família, mas com traços culturais específicos (na África do Sul todos os povos negros são chamados banto, em oposição aos brancos, coloreds e asiáticos). Numerosos foi o contingente de escravos bantos trazidos para o Brasil. A influência por eles exercida sobre costumes, religião e superstições nacionais foi profunda e marcante. Trouxeram muitas lendas, mitos e tradições; sua contribuição folclórica e etnográfica frutificou e reforçou os elementos já existentes no Brasil, através de sua participação entusiástica e predileção viva pelo canto e dança coletivos. Os indígenas também possuíam esse encanto pelas danças de roda, instrumentos de sopro e cantos, mas o negro valorizou essas constantes no seio da sociedade em formação. Não é, pois, privativo e originário do africano tudo quanto recebemos por seu intermédio, mas indubitavelmente foi ele precursor mais poderoso e decisivo, depois do português. O nome bantos compreendia todos os negros africanos que outrora abasteciam o mercado de escravos do Brasil. Sua popularidade afirmou-se no século XVII, nas agremiações e irmandades de Nossa Senhora do Rosário, quando os negros passaram a tomar parte ativa nos autos populares. São bantos os préstitos do maracatu do carnaval pernambucano e as congadas vistas em todo o território brasileiro. A cuíca e o berimbau-de-barriga foram por eles trazidos da África; a capoeira, tanto quanto o complexo etnográfico do samba, também deve a eles sua difusão no Brasil. O ciclo do quibungo, circunscrito à zona litorânea da Bahia, é exemplo de sua contribuição à tradição oral brasileira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Grande Enciclopédia Larousse Cultural&lt;/strong&gt;, vol. 3. pág. 631-632&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-110417356413467523?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/110417356413467523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=110417356413467523&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110417356413467523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110417356413467523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/12/roda-do-mundo-definies-de-banto-iorub.html' title='&quot;A RODA DO MUNDO&quot; - DEFINIÇÕES DE BANTO, IORUBÁ E OUTRAS CULTURAS'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-110330483641380800</id><published>2004-12-17T15:29:00.000-02:00</published><updated>2004-12-17T17:48:16.576-02:00</updated><title type='text'>ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A PSICOLOGIA DO ESCOLAR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Temos uma sensação esquisita, quando, já na idade madura, mais uma vez recebemos ordem de fazer uma redação escolar. Mas obedecemos automaticamente, como o velho soldado que, a voz de ‘Sentido!’, deixa cair o que tiver nas mãos e se surpreende com os dedos mínimos apertados de encontro às costuras das calças. É estranho como obedecemos às ordens prontamente, como se nada de particular houvesse acontecido no último meio- século. Mas, na realidade, ficamos velhos nesse intervalo, estamos às vésperas do nosso sexagésimo aniversário e as nossas sensações físicas, bem como o espelho, mostram inequivocamente quanto vela de nossa vida já se queimou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez há dez anos atrás, pudéssemos ter tido ainda momentos em que, de repente, nos sentíamos novamente jovens. Caminhando pelas ruas de Viena – já de barbas grisalhas e vergados por todas as preocupações da vida familiar – podíamos encontrar inesperadamente algum cavalheiro idoso e bem conservado, ao qual saudávamos quase humildemente, porque o reconhecêramos como um de nossos antigos professores. Mas depois parávamos e refletíamos: ‘Seria realmente ele? Ou apenas alguém muito semelhante? Como parece jovem! E como estamos velhos! Que idade poderá ter hoje? Será possível que os homens que costumavam representar para nós protótipos de adultos, sejam realmente tão pouco mais velhos que nós?’&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em momentos como esse, costumava achar que o tempo presente parecia mergulhar na obscuridade e os anos entre os dez e os dezoito surgiam dos escaninhos da memória, com todas as suas conjeturas e ilusões, suas deformações dolorosas e seus incentivadores sucessos – meus primeiros vislumbres de uma civilização extinta (que, no meu caso, deveria trazer-me tanta compensação quanto tudo o mais nas lutas da vida), meus primeiros contatos com as ciências, entre as quais me parecia aberta a escolha daquela à qual dedicaria os meus indubitavelmente inestimáveis serviços. E pareço relembrar que, durante todo esse tempo, tinha a premonição de uma tarefa futura, até que esta encontrou expressão manifesta na minha redação de despedida da escola, como um desejo de que pudesse, no decurso de minha vida, contribuir com algo para o nosso conhecimento humano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais tarde tornei-me médico – ou antes, psicólogo – e pude criar uma nova disciplina psicológica, conhecida como ‘psicanálise’, que desperta atualmente um interesse excitado e é acolhida com louvores e ataques por médicos e investigadores de países vizinhos e terras distantes e estrangeiras – menos, naturalmente, em nosso próprio país.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como psicanalista, estou destinado a me interessar mais pelos processos emocionais que pelos intelectuais, mais pela vida mental inconsciente que pela consciente. Minha emoção ao encontrar meu velho mestre-escola adverte-me de que antes de tudo, devo admitir uma coisa: é difícil dizer se o que exerceu mais influência sobre nós e  teve importância maior foi a nossa preocupação pelas ciências que nos eram ensinadas, ou pela personalidade de nossos mestres. É verdade, no mínimo, que esta segunda preocupação constituia uma corrente oculta e constante em todos nós e, para muitos, os caminhos das ciências passavam apenas através de nossos professores. Alguns detiveram-se a meio caminho dessa estrada e para uns poucos – porque não admitir outros tantos? – ela foi por causa disso definitivamente bloqueada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nós os cortejávamos ou lhes virávamos as costas, imaginávamos neles simpatias e antipatias que provavelmente não existiam, estudávamos seus caráteres e sobre estes formávamos ou deformávamos os nossos. Eles provocavam nossa mais enérgica oposição e forçavam-nos a uma submissão completa; bisbilhotávamos suas pequenas fraquezas e orgulhávamos-nos de sua excelência, seu conhecimento e sua justiça. No fundo, sentíamos grande afeição por eles, se nos davam algum fundamento para ela, embora não possa dizer quantos se davam conta disso. Mas não se pode negar que nossa posição em relação a eles era notável, uma posição que bem pode ter tido sua inconveniências para os interessados. Estávamos, desde o princípio, igualmente inclinados a amá-los e a odiá-los, a criticá-los e a respeitá-los. A psicanálise deu nome de ‘ambivalência’ a essa facilidade para atitudes contraditórias e não tem dificuldade em indicar a fonte de sentimentos ambivalentes desse tipo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A psicanálise nos mostrou que as atitudes emocionais dos indivíduos para com outras pessoas que são de tão extrema importância para o seu comportamento posterior, já estão estabelecidas numa idade surpreendentemente precoce. A natureza e a qualidade das relações da criança com as pessoas do seu próprio sexo e do sexo oposto, já foi firmada nos primeiros seis anos de sua vida. Ela pode posteriormente desenvolvê-las e transformá-las em certas direções mas não pode mais livrar-se delas. As pessoas a quem se acha assim ligada são os pais e irmãos e irmãs. Todos que vem a conhecer mais tarde tornam-se figuras substitutas desses primeiros objetos de seus sentimentos. (Deveríamos talvez acrescentar aos pais algumas outras pessoas como babás, que dela cuidaram na infância) Essas figuras substitutas podem classificar-se do ponto de vista da criança, segundo provenham do que chamamos as ‘imagos’, do pai, da mãe, dos irmãos e das irmãs, e assim por diante. Seus relacionamentos posteriores são assim obrigados a arcar com uma espécie de herança emocional, defrontam-se com simpatias e antipatias para cuja produção esses próprios relacionamentos pouco contribuíram. Todas as escolhas posteriores de amizade e amor seguem a base das lembranças deixadas por esses primeiros protótipos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De toda as imagens (imagos de uma infância que, via de regra, não é mais recordada, nenhuma é mais importante para um jovem ou um homem que a do pai. A necessidade orgânica introduz na relação de um homem com o pai uma ambivalência emocional que encontramos expressa de forma mais notável no mito grego do rei Édipo. Um rapazinho esta fadado a amar e a admirar o pai, que lhe parece ser a mais poderosa, bondosa e sábia criatura do mundo. O próprio Deus, em última análise, é apenas uma exaltação dessa imagem do pai, tal como é representado na mente durante a mais tenra infância. Cedo, porém, surge o outro lado da relação emocional. O pai identificado como o perturbador máximo da nossa vida instintiva; torna-se um modelo não apenas a ser imitado, mas também a ser eliminado para que possamos tomar o seu lugar. Daí em diante, os impulsos afetuosos e hostis para com ele persistem lado a lado, muitas vezes, até o fim da vida, sem que nenhum deles seja capaz de anular o outro. É nessa existência concomitante de sentimentos contrários que reside o caráter essencial daquilo que chamamos de ambivalência emocional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na segunda metade da infância, dá-se uma mudança na relação do menino com o pai – mudança cuja importância não pode ser exagerada. De seu quarto de criança, o menino começa a vislumbrar o mundo exterior e não pode deixar de fazer descobertas que solapam a alta opinião original que tinha sobre o pai e que apressam o desligamento de seu primeiro ideal. Descobre que o pai não é mais poderoso, sábio e rico dos seres; fica insatisfeito com ele, aprende a criticá-lo, a avaliar o seu lugar na sociedade; então; em regra, faz com que ele pague pesadamente pelo desapontamento que lhe causou. Tudo que há de admirável, e de indesejável na nova geração é determinado por esse desligamento do pai.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É nessa fase do desenvolvimento de um jovem que ele entra em contato com os professores, de maneira que agora podemos entender a nossa relação com eles. Estes homens, nem todos pais na realidade, tornaram-se nossos pais substitutos. Foi por isso que, embora ainda bastante jovens, impressionaram-nos como tão maduros e tão inatingivelmente adultos. Transferidos para eles o respeito e as expectativas ligadas ao pai onisciente de nossa infância e depois começamos a tratá-los como tratávamos nossos pais em casa. Confrontamo-los com a ambivalência que tínhamos adquirido em nossas próprias famílias, e, ajudados por ela, lutamos como tínhamos o hábito de lutar com os nossos pais em carne e osso. A menos que levemos em consideração nossos quartos de crianças e nossos lares, nosso comportamento para com os professores seria não apenas incompreensível, mas também indesculpável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como escolares, tivemos outras e um pouco menos importantes experiências com os sucessores de nossos irmãos e irmãs – nossos colegas de escola – mas estas devem ser descritas em outra oportunidade. Numa comemoração do jubileu de nossa escola, é aos professores que nossos pensamentos devem ser dirigidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Sigmund Freud. Volume XIII&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-110330483641380800?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/110330483641380800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=110330483641380800&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110330483641380800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110330483641380800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/12/algumas-reflexes-sobre-psicologia-do.html' title='ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A PSICOLOGIA DO ESCOLAR'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-110278522159096616</id><published>2004-12-11T15:02:00.000-02:00</published><updated>2004-12-11T15:13:41.590-02:00</updated><title type='text'>"JUDAS, O OBSCURO", DRAMA E TRAGÉDIA DE NOSSA CIVILIZAÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É indiscutível que o século XIX  e o XX vão ambos ficar caracterizados, literariamente, pelo predomínio quase absoluto do romance como gênero literário. Ora, dentro do romance, também é fora de dúvida que a Inglaterra não cede um passo a França na luta pela primazia mundial. Ainda seguindo o mesmo critério de excelência, ninguém negará que, na Inglaterra, Thomas Hardy pertence a uma categoria absolutamente ímpar, junto com Dickens, Meredith, Falsworthy, Lawrence e alguns poucos outros. E com mais certeza ainda se poderá afirmar que, na obra de Thomas Hardy, nenhum romance pode disputar a primazia a “&lt;em&gt;Judas, o Obscuro&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resulta, portanto, de tudo isso, que este romance é, inegavelmente, uma das maiores obras-primas que a humanidade possui e um dos livros que mais fielmente podem refletir o drama ou a tragédia que a nossa civilização vive. Toda a problemática do homem moderno, na sua vida íntima, aí está refletida, graças à extraordinária sensibilidade e ao excepcional poder criador de perfeitas incarnações do homem sensível e delicado, bom e puro, que a máquina impiedosa das convenções sociais e dos egoísmos individuais não hesita em esmagar, sem nem sequer desconfiar da desgraça que está ocasionando. Mas, que pode ele fazer senão ser ele mesmo? E pode ela fazer senão ser ela mesma? Judas não só não conseguirá construir o seu futuro, realizar os sonhos de infância, como nada poderá fazer contra o seu destino de perseguido e de eterno ignorado. Desconhecido, incompreendido, enganado, só poderá responder aos golpes da vida com a pureza do seu gesto, tantas vezes repetido, de desvendar inutilmente aos olhos de todos o seu coração de homem. Os que o rodeiam viram então a face, porque suas feridas ferem a eles próprios. Não o compreende, na cegueira dos seus pequenos preconceitos de mulher conscientemente inteligente demais para o seu meio, a criatura que ama e amará a vida interia acima de todas as coisas. E a outra é só mentiras e engodo. Uma e outra dele só se aproximarão para reforçar, de um dos modos mais trágicos a que já nos foi dado assistir, o grito lancinante do poeta contra a mulher: “Tu n’es jamais la soeur de charité, jamais!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, o que torna ainda maior e mais classicamente trágico “&lt;em&gt;Judas, o Obscuro&lt;/em&gt;” é que essa verdadeira Biografia de um fracassado foi escrita por um dos homens que mais profunda e mais delicada, mais piedosamente, souberam se inclinar sobre o sofrimento humano. Poucos livros serão mais tristes – amargo, nas suas páginas finais, com poucos livros terão sido amargos. Poucos possuem, em tão alto grau, o sentido da tragédia humana, no que ela tem de mais absolutamente insolúvel e eterno. Acompanhando Judas, passo a passo, no seu terrível calvário, é o próprio homem que Thomas Hardy acompanha. É o Absoluto que se atinge, através dessa experiência de homem, e de homem em luta com as realidades sociais de usa época. E é por isso que o valor da obra me parece inexcedível, como inexcedível é a sua importância para a nossa experiência individual.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Octávio de Faria – Tradutor do romance – &lt;strong&gt;Judas, o Obscuro&lt;/strong&gt; – de Thomas Hardy, em Nota Preliminar – ed. Itatiaia – 1958. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-110278522159096616?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/110278522159096616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=110278522159096616&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110278522159096616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110278522159096616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/12/judas-o-obscuro-drama-e-tragdia-de.html' title='&quot;JUDAS, O OBSCURO&quot;, DRAMA E TRAGÉDIA DE NOSSA CIVILIZAÇÃO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-110174579718821591</id><published>2004-11-29T14:19:00.000-02:00</published><updated>2004-11-29T14:32:43.556-02:00</updated><title type='text'>A COR DA PELE - COMPREENDENDO A POESIA DO LIVRO A "A RODA DO MUNDO"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O elemento negro no poema não é produto da ornamentação vocabular, o que apenas denotaria certo exotismo tão ao gosto de poetas de linha romântica. O negro como produto da ornamentação vocabular acaba por dar origem a uma poesia (...) que é ‘macumba prá turista’. (...) O elemento negro no poema, íntimo ou histórico, social ou racial, é antes sujeito ou objeto de reflexão do que arabesco de decoração. Enquanto reflexão, apela para a consciência crítica do leitor e para a revolta contra o estado passado e presente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para o poeta negro a cor do vocabulário não tem importância, ou não tem importância que a ela emprestam os ‘estudiosos brancos’ da questão negra nos trópicos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O homem se descobre negro na tessitura da pele, e nesta vê as marcas da escravidão e do degredo, e sente os sofrimentos e a Mãe-Africa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cor do vocabulário importa para o folclorista, o antropólogo e o poeta branco. São estes que visam a preservar através de um discurso condescendente, piedoso, cientifico e reparador, os crimes e injustiças cometidas pelos próprios brancos contra os negros, e acrescentemos: contra os índios. São ele que insistem em guardar as relíquias da destruição, num desejo de preservação póstuma por parte da cultura branca dominante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O poeta negro sabe mais do que a cor das palavras e o valor das relíquias póstumas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cor da pele é marca indelével que não se apaga com os bons sentimentos humanitários ou patrióticos, nem com a política paternalista dos governadores ou populistas de oposição. Por isso é que o elemento negro não é relíquia ou simples vocábulo (...).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As referências culturais são vagas e apagadas para o negro no Brasil, ao contrário do que acreditam os nossos cientistas sociais, imbuídos da teoria do mulato tropical. "sua voz fálida/ pelas portas adentro". Tão vagas e apagadas são que elas apenas servem para construir o "preto de alma branca".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Constituído para não ser, o negro teve de incorporar os valores brancos, dados como positivos, para poder aparecer sócio - economicamente. A alma branca é a aparência que resguarda o negro da violência e do anonimato e que baliza as suas ações comedidas e mesquinhas, controladas. Combatendo as falsas aparências, Adão insiste para com que o negro assuma a sua alma negra e vire o que é na pele, um negro, buscando assim uma identidade que escapa às pressões da sociedade cordial.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nomear o aviltamento do negro pela escravidão é a única maneira de poder construir o negro como não ser no passado e como identidade social a ser construída no presente. Tudo isso sem as peias da ideologia da cordialidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;Vale Quanto Pesa – &lt;strong&gt;A cor da Pele&lt;/strong&gt; – Silviano Santiago – Paz e Terra – pág. 121-125&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-110174579718821591?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/110174579718821591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=110174579718821591&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110174579718821591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110174579718821591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/11/cor-da-pele-compreendendo-poesia-do.html' title='A COR DA PELE - COMPREENDENDO A POESIA DO LIVRO A &quot;A RODA DO MUNDO&quot;'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-110063230268300709</id><published>2004-11-16T16:55:00.000-02:00</published><updated>2004-11-16T17:14:47.463-02:00</updated><title type='text'>AS IDÉIAS FORA DO LUGAR - UM ENSAIO PARA SE ENTENDER MELHOR O LIVRO "MINHA FORMAÇÃO" DE JOAQUIM NABUCO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Roberto Schwartz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Toda ciência tem princípios, de que deriva o seu sistema. Um dos princípios da Economia Política é o trabalho livre. Ora, no Brasil domina o fato "impolítico e abominável" da escravidão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este argumento – resumo de um panfleto liberal, contemporâneo de Machado de Assis – põe fora o Brasil do sistema da ciência. Estávamos aquém da realidade a que esta se refere; éramos antes um fato moral, "impolítico e abominável". Grande degradação, considerando-se que a ciência eram as Luzes, o Progresso, a Humanidade etc. Para as artes, Nabuco expressa um sentimento comparável quando protesta contra o assunto escravo no teatro de Alencar: "Se isso ofende o estrangeiro, como não humilha o brasileiro!". Outros autores naturalmente fizeram o raciocínio inverso. Uma vez que não se referem à nossa realidade, ciência econômica e demais ideologias liberais e que são, elas sim, abomináveis, impolíticas e estrangeiras, além de vulneráveis. "Antes bons negros da costa da África para felicidade sua e nossa, a despeito de toda a mórbida filantropia britânica, que, esquecida de sua própria casa, deixa morrer de fome o pobre irmão branco, escravo sem senhor que dele se compadeça, e hipócrita ou estólida chora, exposta ao ridículo da verdadeira filantropia, o fado de nosso escravo feliz".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada um a seu modo, estes autores refletem a disparidade entre a sociedade brasileira, escravista, e as idéias do liberalismo europeu. Envergonhando a uns, irritando a outros, que insistem na sua hipocrisia, estas idéias – em que gregos e troianos não reconhecem o Brasil – são referências para todos. Sumariamente está montada uma comédia ideológica, diferente da européia. É claro que a liberdade do trabalho, a igualdade perante a lei e, de modo geral, o universalismo eram ideologia na Europa também; mas lá correspondiam às aparências, encobrindo o essencial a exploração do trabalho. Entre nós, as mesmas idéias seriam falsas num sentido diverso, por assim dizer, original. A Declaração dos Direitos do Homem, por exemplo, transcrita em parte na Constituição Brasileira de 1824, não só não escondia nada, como tornava mais abjeto o instituto da escravidão. A mesma coisa para a professada universalidade dos princípios, que transformava em escândalo a prática geral do favor. Que valiam, nestas circunstâncias, as grandes abstrações burguesas que usávamos tanto? Não descreviam a existência – mas nem só disso vivem as idéias. Refletindo em direção parecida, Sérgio Buarque observa: "Trazendo de países distantes nossas formas de vida, nossas instituições e nossa visão do mundo e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos uns desterrados em nossa terra". Essa impropriedade de nosso pensamento, que não é acaso, como se verá, foi de fato uma presença assídua, atravessando e desequilibrando, até no detalhe, a vida ideológica do Segundo Reinado. Freqüentemente inflada, ou rasteira, ridícula, ou crua, e só raramente justa no tom, a prosa literária do tempo é uma das muitas testemunhas disso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora sejam lugar-comum em nossa historiografia, as razões desse quadro foram pouco estudadas em seus efeitos. Como é sabido, éramos um país agrário e independente, dividido em latifúndios, cuja produção dependia do trabalho escravo por um lado, e por outro do mercado externo. Mais ou menos diretamente, vêm daí as singularidades que expusemos. Era inevitável, por exemplo, a presença entre nós do raciocínio econômico burguês – a prioridade do lucro, com seus corolários sociais – uma vez que dominava no comércio internacional, para onde a nossa economia era voltada. A prática permanente das transações escolava, neste sentido, quando menos uma pequena multidão. Além do que, havíamos feito a Independência há pouco, em nome de idéias francesas, inglesas e americanas, variadamente liberais, que assim faziam parte de nossa identidade nacional. Por outro lado, com igual fatalidade, este conjunto ideológico iria chocar-se contra a escravidão e seus defensores, e o que é mais, viver com eles. No plano, das convicções, a incompatibilidade é clara, e já vimos exemplos. Mas também no plano prático ela se fazia sentir. Sendo uma propriedade, um escravo pode ser vendido, mas não despedido. O trabalhador livre, nesse ponto, dá mais liberdade seu patrão, além de imobilizar menos, capital. Este aspecto – um entre muitos – indica o limite que a escravatura opunha à racionalização produtiva. Comentando o que vira numa fazenda, um viajante escreve: "não há especialização do trabalho, porque se procura economizar a mão-de-obra". Ao citar a passagem, Fernando Henrique Cardoso observa que "economia" não se destina aqui, pelo contexto, a fazer o trabalho num mínimo de tempo, mas num máximo. É preciso espichá-lo, a fim de encher e disciplinar o dia do escravo. O oposto exato do que era moderno fazer. Fundada na violência e na disciplina militar, a produção escravista dependia da autoridade, mais que da eficácia. O estudo racional do processo produtivo, assim como a sua modernização continuada, com todo o prestígio que lhes advinha da revolução que ocasionavam na Europa, eram sem propósito no Brasil. Para complicar ainda o quadro, considere-se que o latifúndio escravista havia sido na origem um empreendimento do capital comercial, e que portanto o lucro fora desde sempre o seu pivô. Ora, o lucro como prioridade subjetiva e comum às formas antiquadas do capital e às mais modernas. De sorte que os incultos e abomináveis escravistas até certa data – quando esta forma de produção veio a ser menos rentável que o trabalho assalariado – foram no essencial, capitalistas mais conseqüentes do que nossos defensores de Adam Smith, que no capitalismo achavam antes que tudo a liberdade. Está-se vendo que para a vida intelectual o nó estava armado. Em matéria de racionalidade, os papéis se embaralhavam e trocavam normalmente: a ciência era fantasia e moral, o obscurantismo era realismo e responsabilidade, a técnica não era prática, o altruísmo implantava a mais-valia etc. E, de maneira geral, na ausência do interesse organizado da escravaria, o confronto entre humanidade e inumanidade, por justo que fosse, acabava encontrando uma tradução mais rasteira no conflito entre dois modos de empregar os capitais do qual era a imagem que convinha a uma das partes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Impugnada a todo instante pela escravidão a ideologia liberal, que era a das jovens nações emancipadas da América, descarrilhava. Seria fácil deduzir o sistema de seus contra-sensos, todos verdadeiros, muitos dos quais agitaram a consciência teórica e moral de nosso século XIX. Já vimos uma coleção deles. No entanto, estas dificuldades permaneciam curiosamente inessenciais. O teste da realidade não parecia importante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É como se coerência e generalidade não pesassem muito, ou como se a esfera da cultura ocupasse uma posição alterada, cujos critérios fossem outros – mas outros em relação a quê? Por sua mera presença, a escravidão indicava a impropriedade das idéias liberais; o que entretanto é menos que orientar-lhes o movimento. Sendo embora a relação produtiva fundamental, a escravidão não era o nexo efetivo da vida ideológica. A chave desta era diversa. Para descrevê-la é preciso retomar o país como todo. Esquematizando, pode-se dizer que a colonização produziu, com base no monopólio da terra, três classes de população: o latifundiário, o escravo e o "homem livre", na verdade dependente. Entre os primeiros dois a relação é clara, é a multidão dos terceiros que nos interessa. Nem proprietários nem proletários seu acesso à vida e a seus bens depende materialmente do favor, indireto ou direto, de um grande. O agregado é a sua caricatura. O favor é, portanto, o mecanismo através do qual se reproduz uma das grandes classes da sociedade, envolvendo também outra, a dos que têm. Note-se ainda que entre estas duas classes é que irá acontecer a vida ideológica, regida, em conseqüência, por este mesmo mecanismo. Assim, com mil formas e nomes, o favor atravessou e afetou no conjunto a existência nacional, ressalvada sempre á relação produtiva de base, esta assegurada pela força. Esteve presente por toda parte, combinando-se às mais variadas atividades, mais e menos afins dele, como administração, política, indústria, comércio, vida urbana, Corte etc. Mesmo profissões liberais, como a medicina, ou qualificações operárias, como a tipografia, que, na acepção européia, não deviam nada a ninguém, entre nós eram governadas por ele. E assim como o profissional dependia do favor para o exercício de sua profissão, o pequeno proprietário depende dele para a segurança de sua propriedade, e o funcionário para o seu posto. O favor é a nossa mediação quase universal – e sendo mais simpático do que o nexo escravista, a outra relação que a colônia nos legara, é compreensível que os escritores tenham baseado nele a sua interpretação do Brasil, involuntariamente disfarçando a violência, que sempre reinou na esfera da produção.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O escravismo desmente as idéias liberais; mais insidiosamente o favor, tão incompatível com elas quanto o primeiro, as absorve e desloca, originando um padrão, particular. O elemento de arbítrio, o jogo fluido de estima e auto-estima a que o favor submete o interesse material, não podem ser integralmente racionalizados. Na Europa, ao atacá-los, o universalismo visara o privilégio feudal. No processo de sua afirmação histórica, a civilização burguesa postulara a autonomia da pessoa, a universalidade da lei, a cultura desinteressada, a remuneração objetiva, a ética do trabalho etc. contra as prerrogativas do Ancien Regime. O favor, ponto por ponto, pratica a dependência dá da pessoa, a exceção à regra, a cultura interessada, remuneração, e serviços pessoais. Entretanto, não estávamos para a Europa como o feudalismo para o capitalismo, pelo contrário, éramos seus tributários em toda linha, além de não termos sido propriamente feudais – a colonização é um feito do capital comercial. No fastígio em que estava ela, Europa, e na posição relativa em que estávamos nós, ninguém no Brasil teria a idéia e principalmente a força de ser, digamos, um Kant do favor, para bater-se contra o outro. De modo que o confronto entre esses princípios tão antagônicos resultava desigual: no campo dos argumentos prevaleciam com facilidade, ou melhor, adotávamos sofregamente os que a burguesia européia tinha elaborado contra arbítrio e escravidão; enquanto na prática, geralmente dos próprios debatedores, sustentado pelo latifúndio, o favor reafirmava sem descanso os sentimentos e as noções em que implica. O mesmo se passa no plano das instituições, por exemplo com burocracia e justiça, que embora regidas pelo clientelismo, proclamavam as formas e teorias do estado burguês moderno. Além dos naturais debates, este antagonismo produziu, portanto, uma coexistência estabilizada – que interessa estudar. Aí a novidade: adotadas as idéias e razões européias, elas podiam servir e muitas vezes serviram de justificação, nominalmente "objetiva", para o momento de arbítrio que é da natureza do favor. Sem prejuízo de existir, o antagonismo se desfaz em fumaça e os incompatíveis saem de mãos dadas. Esta recomposição e capital. Seus efeitos são muitos, e levam longe em nossa literatura. De ideologia que havia sido – isto é, engano involuntário e bem fundado nas aparências – o liberalismo passa, na falta de outro termo, a penhor intencional duma variedade de prestígios com que nada tem a ver. Ao legitimar o arbítrio por meio de alguma razão "racional", o favorecido conscientemente engrandece a si e ao seu benfeitor, que por sua vez não vê, nessa era de hegemonia das razões, motivo para desmenti-lo. Nestas condições, quem acreditava na justificação? A que aparência correspondia? Mas justamente, não era este o problema, pois todos reconheciam – e isto sim era importante – a intenção louvável, seja do agradecimento, seja do favor. A compensação simbólica podia ser um pouco desafinada, mas não era mal&amp;shy;agradecida. Ou por outra, seria desafinada em relação ao Liberalismo, que era secundário, e justa em relação ao favor, que era principal. E nada melhor, para dar lustre às pessoas e à sociedade que formam, do que as idéias mais ilustres do tempo, no caso as européias. Neste contexto, portanto, as ideologias não descrevem sequer falsamente a realidade, e não gravitam segundo uma lei que lhes seja própria – por isso as chamamos de segundo grau. Sua regra é outra, diversa da que denominam; é da ordem do relevo social, em detrimento de sua intenção cognitiva e de sistema. Deriva sossegadamente do óbvio, sabido de todos – da inevitável "superioridade" da Europa – e liga-se ao momento expressivo, de auto-estima e fantasia, que existe no favor. Neste sentido dizíamos que o teste da realidade e da coerência não parecia, aqui, decisivo, sem prejuízo de estar sempre presente como exigência reconhecida, evocada ou suspensa conforme a circunstância. Assim, com método, atribui-se independência à dependência, utilidade ao capricho, universalidade às exceções, mérito ao parentesco, igualdade ao privilégio etc. Combinando-se à prática de que, em princípio, seria a crítica, o Liberalismo fazia com que o pensamento perdesse o pé. Retenha-se no entanto, para analisarmos depois, a complexidade desse passo: ao tornarem-se despropósito, estas idéias deixam também de enganar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que esta combinação foi uma entre outras. Para o nosso clima ideológico, entretanto, foi decisiva, além de ser aquela em que os problemas se configuram da maneira mais completa e diferente. Por agora bastem alguns aspectos. Vimos que nela as idéias da burguesia – cuja grandeza sóbria remonta ao espírito público e racionalista da Ilustração- tomam função de ... ornato e marca de fidalguia: atestam e festejam a participação numa esfera augusta, no caso a da Europa que se ... industrializa. O qüiproquó das idéias não podia ser maior. A novidade no caso não está no caráter ornamental de saber e cultura, que é da tradição colonial e ibérica; está na dissonância propriamente incrível que ocasionam o saber e a cultura de tipo "moderno" quando postos neste contexto. São inúteis como um berloque? São brilhantes como uma comenda? Serão a nossa panacéia? Envergonham-nos diante do mundo? O mais certo é que nas idas e vindas de argumento e interesse todos estes aspectos tivessem ocasião de se manifestar, de maneira que na consciência dos mais atentos deviam estar ligados e misturados. Inextricavelmente, a vida ideológica degradava e condecorava os seus participantes, entre os quais muitas vezes haveria clareza disso. Tratava-se, portanto, de uma combinação instável, que facilmente degenerava em hostilidade e crítica as mais acerbas. Para manter-se precisa de cumplicidade permanente, cumplicidade que a prática do favor tende a garantir. No momento da prestação e da contraprestação – particularmente no instante-chave do reconhecimento recíproco – a nenhuma das partes interessa denunciar a outra, tendo embora a todo instante os elementos necessários para fazê-lo. Esta cumplicidade sempre renovada tem continuidades sociais mais profundas, que lhe dão peso de classe: no contexto brasileiro, o favor assegurava às duas partes, em especial à mais fraca, de que nenhuma e escrava. Mesmo o mais miserável dos favorecidos via reconhecida nele, no favor, a sua livre pessoa, o que transformava prestação e contraprestação, por modestas que fossem, numa cerimônia de superioridade social, valiosa em si mesma. Lastreado pelo infinito de dureza e degradação que esconjurava – ou seja a escravidão, de que as duas partes beneficiam e timbram em se diferençar – este reconhecimento é de uma conivência sem fundo, multiplicada, ainda, pela adoção do vocabulário burguês da igualdade, do mérito, do trabalho; da razão. Machado de Assis será mestre nestes meandros. Contudo veja-se também outro lado. Imersos que estamos, ainda hoje, no universo do Capital, que não chegou a tomar forma clássica no Brasil, tendemos a ver esta combinação como inteiramente desvantajosa para nós, composta só de defeitos. Vantagens não há de ter tido; mas para apreciar devidamente a sua complexidade considere-se que as idéias da burguesia, a princípio voltadas contra o privilégio, a partir de 1848 se haviam tornado apologética: a vaga das lutas sociais na Europa mostrara que a universalidade disfarça antagonismos de classe. Portanto, para bem lhe reter o timbre ideológico é preciso considerar que o nosso discurso impróprio era oco também quando usado propriamente. Note-se, de passagem, que este padrão iria repetir-se no séc. XX, quando por várias vezes juramos, crentes de nossa modernidade, segundo as ideologias mais rotas da cena mundial. Para a literatura, como veremos, resulta daí um labirinto singular, uma espécie de oco dentro do oco. Ainda aqui, Machado será o mestre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em suma, se insistimos no viés que escravismo e favor introduziram nas idéias do tempo, não foi para as descartar, mas para descrevê-las enquanto enviesadas, – fora de centro em relação à exigência que elas mesmas propunham, e reconhecivelmente nossas, nessa mesma qualidade. Assim, posto de parte o raciocínio sobre as causas, resta na experiência aquele "desconcerto" que foi o nosso ponto de partida: a sensação que o Brasil dá de dualismo e factício – contrastes rebarbativos, desproporções, disparates, - anacronismos, contradições, conciliações e o que for – combinações que o Modernismo, o Tropicalismo e a Economia Política nos ensinaram a considerar. Não faltam exemplos. Vejam-se alguns, menos para analisá-los, que para indicar a ubiqüidade do quadro e a variação de que é capaz. Nas revistas do tempo, sendo grave ou risonha, a apresentação do número inicial é composta para baixo e falsete: primeira parte, afirma-se o propósito redentor da imprensa, na tradição de combate da Ilustração; a grande seita fundada por Gutenberg afronta a indiferença geral, nas alturas o condor e a mocidade entrevêem o futuro, ao mesmo tempo que repelem o passado e os preconceitos, enquanto a tocha regeneradora do Jornal desfaz as trevas da corrupção. Na segunda parte, conformando-se às circunstâncias, as revistas declaram a sua disposição cordata, de "dar a todas as classes em geral e particularmente à honestidade das famílias, um meio de deleitável instrução e de ameno recreio". A intenção emancipadora casa-se com charadas, união nacional, figurinos, conhecimentos gerais e folhetins Caricatura desta seqüência são os versinhos que servem de epígrafe à Marmota na Corte: "Eis a Marmota/ Bem variada/ P’ra ser de todos/ Sempre estimada.// Fala a verdade,/ Diz o que sente,/ Ama e respeita/ A toda gente." Se, noutro campo, raspamos um pouco os nossos muros, mesmo efeito de coisa compósita: "A transformação arquitetônica era superficial. Sobre as paredes de terra, erguidas por escravos, pregavam-se papéis decorativos europeus ou aplicavam-se pinturas, de forma a criar a ilusão de um ambiente novo, como os interiores das residências dos países em industrialização. Em certos exemplos, o fingimento atingia o absurdo: pintavam-se motivos arquitetônicos greco-romanos – pilastras, arquitraves, colunatas, frisas etc. – com perfeição de perspectiva e sombreamento, sugerindo urna ambientação neoclássica jamais realizável com as técnicas e materiais disponíveis no local. Em outros, pintavam-se janelas nas paredes, com vistas sobre ambientes do Rio de Janeiro, ou da Europa, sugerindo um exterior longínquo, certamente diverso do real, das senzalas, escravos e terreiros de serviço". O trecho refere-se a casas rurais na Província de São Paulo, segunda metade do séc. XIX. Quanto à corte: "A transformação atendia à mudança dos costumes, que incluíam agora o uso de objetos mais refinados, de cristais, louças e porcelanas, e formas de comportamento cerimonial, como maneiras formais de servir à mesa. Ao mesmo tempo conferia ao conjunto, que procurava reproduzir a vida das residências européias, uma aparência de veracidade. Desse modo, os estratos sociais que mais benefícios tiravam de um sistema econômico baseado na escravidão e destinado exclusivamente à produção agrícola procuravam criar, para seu uso, artificialmente, ambientes com características urbanas e européias, cuja operação exigia o afastamento dos escravos e onde tudo ou quase tudo era produto de importação". Ao vivo esta comédia está nos notáveis capítulos iniciais do Quincas Borba. Rubião, herdeiro recente, é constrangido a trocar o seu escravo crioulo por um cozinheiro francês e um criado espanhol, perto dos quais não fica à vontade. Além de ouro e prata, seus metais do coração, aprecia agora as estatuetas de bronze – um Fausto e um Mefistófeles – que são também de preço. Matéria mais solene, mas igualmente marcada pelo tempo, é a letra de nosso hino à República, escrita em 1890, pelo poeta decadente Medeiros e Albuquerque. Emoções progressistas a que faltava o natural: "Nós nem cremos que escravos outrora /Tenha havido em tão nobre país!" (outrora é dois anos antes, uma vez que a Abolição é de 88). Em 1817, numa declaração do governo revolucionário de Pernambuco, mesmo timbre, com intenções opostas: "Patriotas, vossas propriedades inda as mais opugnantes ao ideal de justiça serão sagradas". Refere-se aos rumores de emancipação, que era preciso desfazer, para acalmar os proprietários. Também a vida de Machado de Assis é um exemplo, na qual se sucedem rapidamente o jornalista combativo, entusiasta das "inteligências proletárias, das classes ínfimas", autor de crônicas e quadrinhas comemorativas, por ocasião do casamento das princesas imperiais, e finalmente o Cavaleiro e mais tarde Oficial da Ordem. da Rosa. Contra isso tudo vai sair a campo Sylvio Romero. "É mister fundar uma nacionalidade consciente de seus méritos e defeitos, de sua força e de seus delíquios, e não arrumar um pastiche, um arremedo de judas das festas populares que só serve para vergonha nossa aos olhos do estrangeiro. (...) Só um remédio existe para tamanho desideratum: – mergulharmo-nos na corrente vivificante das idéias naturalistas e monísticas, que vão transformando o velho mundo". À distancia é tão clara que tem graça a substituição de um arremedo por outro. Mas é também dramática, pois assinala quanto era alheia a linguagem na qual se expressava, inevitavelmente, o nosso desejo de autenticidade. Ao pastiche romântico iria suceder o naturalista. Enfim, nas revistas, nos costumes, nas casas, nos símbolos nacionais, nos pronunciamentos de revolução, na teoria e onde mais for, sempre a mesma composição "arlequinal", para falar com Mário de Andrade: o desacordo entre a representação e o que, pensando bem, sabemos ser o seu contexto. – Consolidada por seu grande papel no mercado internacional, e mais tarde na política interna, a combinação de latifúndio e trabalho compulsório atravessou impávida a Colônia, Reinados e Regências, Abolição, a Primeira República, e hoje mesmo é matéria de controvérsia e tiros. O ritmo de nossa vida ideológica, no entanto, foi outro, também ele determinado pela dependência do país: à distância acompanhava os passos da Europa. Note-se, de passagem, que é a ideologia da independência que vai transformar em defeito esta combinação; bobamente, quando insiste na impossível autonomia cultural, e profundamente, quando reflete sobre o problema. Tanto a eternidade das relações sociais de base quanto a lepidez ideológica das "elites" eram parte a parte que nos toca - da gravitação deste sistema por assim dizer solar, e certamente internacional, que é o capitalismo. Em conseqüência, um latifúndio pouco modificado viu passarem as maneiras barroca, neoclássica, romântica, naturalista, modernista e outras, que na Europa acompanharam e refletiram transformações imensas na ordem social. Seria de supor que aqui perdessem a justeza, o que em parte se deu: No entanto, vimos que e inevitável este desajuste, ao qual estávamos condenados pela máquina do colonialismo, e ao qual, para que já fique indicado o seu alcance mais que nacional, estava condenada a mesma máquina quando nos produzia. Trata-se enfim de segredo mui conhecido, embora precariamente teorizado. Para as artes, no caso, a solução parece mais fácil, pois sempre houve modo de adorar, citar, macaquear, saquear, adaptar ou devorar, estas maneiras e modas todas, de modo que refletissem, na sua falha, a espécie de torcicolo cultural em que nos reconhecemos. Mas, voltemos atrás. Em resumo, as idéias liberais não se podiam praticar, sendo ao mesmo tempo indescartáveis. Foram postas numa constelação especial, uma constelação prática, a qual formou sistema e não deixaria de afetá-las. Por isso, pouco ajuda insistir na sua clara falsidade. Mais interessante é acompanhar-lhes o movimento, de que ela, a falsidade, é parte verdadeira. Vimos o Brasil, bastião da escravatura, envergonhado diante delas – as idéias mais adiantadas do planeta, ou quase, pois o socialismo já vinha à ordem do dia – e rancoroso, pois não serviam para nada. Mas eram adotadas também com orgulho, de forma ornamental, como prova de modernidade e distinção. E naturalmente foram revolucionárias quando pesaram no Abolicionismo. Submetidas à influência do lugar, sem perderem as pretensões de origem, gravitavam segundo uma regra nova, cujas graças, desgraças, ambigüidades e ilusões eram também singulares. Conhecer o Brasil era saber destes deslocamentos, vividos e praticados por todos como uma espécie de fatalidade, para os quais, entretanto, não havia nome, pois a utilização imprópria dos nomes era a sua natureza. Largamente sentido como defeito bem conhecido, más pouco pensado, este sistema de impropriedades decerto rebaixava o cotidiano da vida ideológica e diminuía as chances da reflexão. Contudo facilitava o ceticismo em face das ideologias, por vezes bem completo e descansado, e compatível aliás com muito verbalismo. Exacerbado um nadinha, dará na força espantosa da visão de Machado de Assis. Ora, o fundamento deste ceticismo não está seguramente na exploração refletida dos limites do pensamento liberal. Está, se podemos dizer assim, no ponto de partida intuitivo, que nos dispensava do esforço. Inscritas num sistema que não descrevem nem mesmo em aparência, as idéias da burguesia viam infirmada já de início, pela evidência diária, a sua pretensão de abarcar a natureza humana. Se eram aceitas, eram-no por razões que elas próprias não podiam aceitar. Em lugar de horizonte, apareciam sobre um fundo mais vasto, que as relativiza: as idas e vindas de arbítrio e favor. Abalava-se na base a sua intenção universal. Assim, o que na Europa seria verdadeira façanha da critica, entre nós podia ser a singela descrença de qualquer pachola, para quem utilitarismo, egoísmo, formalismo e o que for, são uma roupa entre outras, muito da época mas desnecessariamente apertada. Está-se vendo que este chão social é de conseqüência para a história da cultura: uma gravitação complexa, em que volta e meia se repete uma constelação na qual a ideologia hegemônica do Ocidente faz figura derrisória, de mania entre manias. O que é um modo, também, de indicar o alcance mundial que têm e podem ter as nossas esquisitices nacionais. Algo de comparável, talvez, ao que se passava na literatura russa. Diante desta, ainda os maiores romances do realismo francês fazem impressão de ingênuos. Por que razão? Justamente, é que a despeito de sua intenção universal, a psicologia do egoísmo racional, assim como a moral formalista, faziam no Império Russo efeito de uma ideologia "estrangeira e portanto localizada e relativa. De dentro de seu atraso histórico, o país impunha ao romance burguês um quadro mais complexo. A figura caricata do ocidentalizante, francófilo ou germanófilo, de nome freqüentemente alegórico e ridículo, os ideólogos do progresso, do liberalismo, da razão, eram tudo formas de trazer à cena a modernização que acompanha o Capital. Estes homens esclarecidos mostram-se alternadamente lunáticos, ladrões, oportunistas, crudelíssimos, vaidosos, parasitas etc. O sistema de ambigüidades assim ligadas ao uso local do ideário burguês – uma das chaves do romance russo – pode ser comparado àquele que descrevemos para o Brasil. São evidentes as razões sociais da semelhança. Também na Rússia a modernização se perdia na imensidão do território e da inércia social, entrava em choque com a instituição servil e com seus restos, – choque experimentado como inferioridade e vergonha nacional por muitos, sem prejuízo de dar a outros um critério para medir o desvario do progressismo e do individualismo que o Ocidente impunha e impõe ao mundo. Na exacerbação deste confronto, em que ó progresso é uma desgraça e o atraso uma vergonha, está uma das raízes profundas da literatura russa. Sem forçar em demasia uma comparação desigual, há em Machado – pelas razões que sumariamente procurei apontar – um veio semelhante, algo de Gogol, Dostoievski, Gontcharov, Tchecov, e de outros talvez, que não conheço. Em suma, a própria desqualificação do pensamento entre nós, que tão amargamente sentíamos, e que ainda hoje asfixia o estudioso do nosso século XIX, era uma ponta, um ponto nevrálgico por onde passa e se revela a história mundial.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao longo de sua reprodução social, incansavelmente Brasil põe e repõe idéias européias , sempre em sentido impróprio. É nesta qualidade que elas serão matéria e problema para a literatura. O escritor pode não saber disso, nem precisa, para usá-las. Mas só alcança uma ressonância profunda e afinada caso lhes sinta, registre e desdobre – ou evite – o descentramento e a desafinação. Se há um número indefinido de maneiras de fazê-lo, são palpáveis e definíveis as contravenções. Nestas registra-se, como ingenuidade, tagarelice, estreiteza, servilismo, grosseria etc., a eficácia específica e local de uma alienação de braços longos – a falta de transparência social, imposta pelo nexo colonial e pela dependência que veio continuá-lo. Isso posto, o leitor pouco ficou sabendo de nossa história literária ou geral, e não situa Machado de Assis. De que lhe servem então estas páginas? Em vez do "panorama" e da idéia correlata de impregnação pelo ambiente, sempre sugestiva e verdadeira, mas sempre vaga e externa, tentei uma solução diferente: especificar um mecanismo social, na forma em que ele se torna elemento interno e ativo da cultura; uma dificuldade inescapável – tal como o Brasil a punha e repunha aos seus homens cultos, no processo mesmo de sua reprodução social. Noutras palavras, uma espécie de chão histórico, analisado, da experiência intelectual. Pela ordem, procurei ver na gravitação das idéias um movimento que nos singularizava. Partimos da observação comum, quase uma sensação, de que no Brasil as idéias estavam fora de centro, em relação ao seu uso europeu. E apresentamos uma explicação histórica para esse deslocamento, que envolvia as relações de produção e parasitismo no país, a nossa dependência econômica e seu par, a hegemonia intelectual da Europa, revolucionada pelo Capital. Em suma, para analisar uma originalidade nacional, sensível no dia-a-dia, fomos levados a refletir sobre o processo da colonização em seu conjunto, que é internacional. O tic-tac das conversões e reconversões de liberalismo e favor é o efeito local e opaco de um mecanismo planetário. Ora, a gravitação cotidiana das idéias e das perspectivas práticas é a matéria imediata e natural da literatura, desde o momento em que as formas fixas tenham perdido a sua vigência para as artes. Portanto, é o ponto de partida também do romance, quanto ais do romance realista. Assim, o que estivemos descrevendo é a feição exata com que a História mundial, na forma estruturada e cifrada de seus resultados locais, sempre repostos, passa para dentro da escrita, em que agora influi pela via interna – o escritor saiba ou não, queira ou não queira. Noutras palavras, definimos um campo vasto e heterogêneo, mas estruturado, que ê resultado histórico, e pode ser origem artística. Ao estudá-lo, vimos que difere do europeu, usando embora o seu vocabulário. Portanto a própria diferença, a comparação e a distância fazem parte de sua definição. Trata-se de uma diferença interna – o descentramento de que tanto falamos – em que as razões nos aparecem ora nossas, ora alheias, a uma luz ambígua, de efeito incerto. Resulta uma química também singular, cujas afinidades e repugnâncias acompanhamos e exemplificamos um pouco. É natural, por outro lado, que esse material proponha problemas originais à literatura que dependa dele. Sem avançarmos por agora, digamos apenas que, ao contrário do que geralmente se pensa, a matéria do artista mostra assim não ser informe: é historicamente formada, e registra de algum modo o processo social a que deve a sua existência. Ao formá-la, por sua vez, o escritor sobrepõe uma forma a outra forma, e é da felicidade desta operação, desta relação com a matéria pré&amp;shy;formada – em que imprevisível dormita a História – que vão depender profundidade, força, complexidade dos resultados. São relações que nada têm de automático, e veremos no detalhe quanto custou, entre nós, acertá-las para o romance. vê-se, variando-se ainda uma vez o mesmo tema, que embora lidando com o modesto tic-tac de nosso dia-a-dia, e sentado à escrivaninha num ponto qualquer do Brasil, o nosso romancista sempre teve como matéria, que ordena como pode, questões da história mundial; e que não as trata, se as tratar diretamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;Da Introdução ao ensaio sobre Machado de Assis "&lt;strong&gt;Ao Vencedor As Batatas&lt;/strong&gt;", Livraria Duas Cidades. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-110063230268300709?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/110063230268300709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=110063230268300709&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110063230268300709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/110063230268300709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/11/as-idias-fora-do-lugar-um-ensaio-para.html' title='AS IDÉIAS FORA DO LUGAR - UM ENSAIO PARA SE ENTENDER MELHOR O LIVRO &quot;MINHA FORMAÇÃO&quot; DE JOAQUIM NABUCO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-109899450527642835</id><published>2004-10-28T17:12:00.000-03:00</published><updated>2004-10-28T17:22:46.986-03:00</updated><title type='text'>MORTE  -  HENRIQUETA LISBOA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Henriqueta Lisboa é, de todos os poetas do modernismo brasileiro, o que mais alto cantou o sentimento de morte. É, coisa que surpreendeu em Cruz e Souza, à medida que ia amadurecendo o tema e progredindo na técnica, passou a trabalhá-la por dentro, a quase participar da interioridade da morte".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;Fábio Lucas – O Tema e a Técnica - 1959&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-109899450527642835?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/109899450527642835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=109899450527642835&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109899450527642835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109899450527642835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/10/morte-henriqueta-lisboa.html' title='MORTE  -  HENRIQUETA LISBOA'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-109812203666413512</id><published>2004-10-18T14:44:00.000-03:00</published><updated>2004-10-18T15:03:17.456-03:00</updated><title type='text'>FLOR DA MORTE - HENRIQUETA LISBOA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Qualquer coisa, que eu escrevesse neste blog, na tentativa de elucidar, sobre a obra de Henriqueta Lisboa, seria mera repetição, pois a UFMG disponibiliza pela internet boa parte do acervo da escritora: &lt;strong&gt;Vida e Obra, Antologia, Recepção Crítica, Correspondência&lt;/strong&gt;. Diga-se de passagem, muito bem elaborado. Não deixem de visitá-lo: &lt;a href="http://www.letras.ufmg.br/henriquetalisboa/"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;HENRIQUETA LISBOA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo Carlos Drummond de Andrade, Flor da Morte, de Henriqueta Lisboa, escrito em 1949, é dos raros casos, na poesia brasileira, de um livro de versos que constitui, organicamente, um só poema. E o constitui, sem recorrer ao mero expediente formal de agenciar todos os versos numa composição de amplos limites, dividida em cantos regulares. Suas páginas abrigam aparentemente as produções mais variadas, cada uma delas com título próprio, e com estrutura diferenciada, dentro da rítmica peculiar à autora nesta sua fase. Os 'temas', a julgar pela maioria dos títulos, parecem ainda distintos uns dos outros; o pássaro de fogo, as jaulas, o véu, a rosa príncipe-negro, Nossa Senhora da Pedra Fria. Contudo, uma só é a matéria do livro, como é única a sua essência, a inspiração que o ditou, o clima espiritual em que foi elaborado, única a preocupação de quem o escreveu, ou, melhor dito, de quem o viveu. O livro de Henriqueta Lisboa é uma persistente, ondulante e apaixonada meditação sobre a morte. Quase que o poderíamos chamar: tratado poético da morte."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que a freqüente presença da morte como tema em seus trabalhos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A morte é uma realidade inevitável e inenarrável, tanto quanto misteriosa. Por isso mesmo nos instiga a inquiri-la e enfrentá-la superiormente. E quem nunca foi ferido por ela?&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Entrevista concedida a José Afrânio Moreira Duarte em 1970&lt;br /&gt;Diário de Minas, Belo Horizonte, 5 jul. 1970.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;E o tema da morte foi outra obsessão, parece. A senhora foi chamada, inclusive, de "Poeta da Morte". "À paisagem do morto nada falta de cômodo. /A paisagem do morto é insípida." Hoje, com 80 anos, mudaria a abordagem do tema?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em certa fase de minha vida, em virtude de dolorosas ocorrências, este assunto se tornou explosivo. Celebrei-o em Flor da Morte, depois de abordá-lo em A Face Lívida, texto de angústia e perplexidade, à época em que se alastrava a 2ª Guerra Mundial. Todavia, tenho visado de modo constante a essência do ser, a substância do vital, a ansiedade humana em busca de perfeição e infinito, os mistérios da natureza, o relacionamento entre a alma e Deus. A cada tempo o seu cuidado. Em cada livro meu predomina um tema, prevalece um clima. O Menino Poeta constitui a revivescência da infância. Madrinha Lua e Montanha Viva interpretam e comemoram tradições mineiras. E assim por diante. Hoje, não me sinto propensa a desafiar a idéia ou o sentimento da morte, como fiz em outra época, em termos de mediação entre a fatalidade e a resistência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Entrevista concedida a Edla Van Steen&lt;br /&gt;O Estado de S. Paulo, São Paulo, 5 maio 1984&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Silêncio da Morte&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Silêncio da morte, perfeito&lt;br /&gt;como uma flor e seu cálice.&lt;br /&gt;Nudez de céu de ponta a ponta&lt;br /&gt;azul sem mácula.&lt;br /&gt;Neve por toda a eternidade&lt;br /&gt;consumada nos píncaros.&lt;br /&gt;Silêncio da morte, campo&lt;br /&gt;de ópio. Adormecedor&lt;br /&gt;balanço entre margens.&lt;br /&gt;Anjos que se debruçam e alçam,&lt;br /&gt;confundindo-se com os turíbulos.&lt;br /&gt;Contemplação beatífica&lt;br /&gt;de ciprestes. Gozo&lt;br /&gt;do vácuo.&lt;br /&gt;Silêncio da morte, pavor&lt;br /&gt;das furnas. Trágica escassez&lt;br /&gt;de cinzas. Fera&lt;br /&gt;de olhos oblíquos espreitando&lt;br /&gt;a ampulheta.&lt;br /&gt;Impossível recuo. Tempo máximo.&lt;br /&gt;Salto de corpo ao mar,&lt;br /&gt;urgente, urgente mar&lt;br /&gt;sobre a presa, fechando-se.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-109812203666413512?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/109812203666413512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=109812203666413512&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109812203666413512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109812203666413512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/10/flor-da-morte-henriqueta-lisboa.html' title='FLOR DA MORTE - HENRIQUETA LISBOA'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-109811837018522469</id><published>2004-10-18T13:47:00.000-03:00</published><updated>2004-10-18T13:52:50.190-03:00</updated><title type='text'>SOBRE A OBRA DE HENRIQUETA LISBOA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acentuava Mário de Andrade, a propósito de &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Prisioneira da Noite&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (1941), que havia nos versos de Henriqueta Lisboa &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"graça inquieta, simples e um pouco agreste, um pouco ácida, dos passarinhos"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, e divisava em seu lirismo &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"uma carícia simples, dor recôndita em sorriso leve e frase contida. A poesia de Henriqueta Lisboa é de fato uma poesia de pudor, discrição, suavidade, ás vezes de leve encantamento com coisas ou palavras, por exemplo ao se deter no vocábulo ‘trasflor’: ‘Lavor de ouro sobre esmalte: / linda palavra – trasflor’."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Essa dileção pela palavra nobre ou rara lhe dá às vezes certo preciosismo, e faz sua expressão artificializar-se um pouco, como se fosse o canto de cigarras sem sangue. Mas nos momentos de equilíbrio sua poesia assume aquele &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"leve tom cinza, cinza-pérola"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, que a poetiza deseja extrair da tarde. Essa dicção policiada às vezes se torna cálida como ricos perfumes: assim nos versos de &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Madrinha Lua&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (1952), livro sobre os velhos vultos e cidades de Minas Gerais, sobre cujos versos perpassa um luar de almíscar, um capitoso aroma de angélicas que floriram noutros séculos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Henriqueta Lisboa estreou com &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fogo Fátuo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (1925), mas foi com os versos de &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Velário &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;(1936) que transitou para a modernidade. Lírica reúne com exclusões seus versos até 1958.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;AFRÂNIO COUTINHO – &lt;strong&gt;A LITERATURA NO BRASIL&lt;/strong&gt; - Modernismo&lt;br /&gt;Vol. V, 2º edição, 1970, pág. 180.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Obs.: O crítico literário Afrânio Coutinho, coloca Henriqueta Lisboa entre os poetas da segunda fase do Modernismo. Que ele considera, como sendo, os poetas surgidos de 1930 a 1945.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesta fase, os temas, antes circunscrito de modo geral à ambivalência brasileira, votam-se para o homem e seus problemas, como ser individual ou social: pode-se falar em fase de extensão de campos (ou, em certa designação, pós-modernismo). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-109811837018522469?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/109811837018522469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=109811837018522469&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109811837018522469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109811837018522469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/10/sobre-obra-de-henriqueta-lisboa.html' title='SOBRE A OBRA DE HENRIQUETA LISBOA'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-109745200119766324</id><published>2004-10-10T20:40:00.000-03:00</published><updated>2004-10-10T20:46:41.196-03:00</updated><title type='text'>AINDA SOBRE LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO: O SEU ESTILO LITERÁRIO – A CRÔNICA </title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A Crônica: Um gênero menor?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"É um gênero literário que tem assumido no Brasil, além da personalidade de gênero, um desenvolvimento e uma categoria que fazem dela uma forma literária de requintado valor estético, um gênero específico e autônomo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Realmente, se algo existe em nossa literatura, que pode ser tomado como exemplo frisante da nossa diferenciação literária e lingüistica, é a crônica. Dificilmente poderá apontar-se coisa parecida, mesmo na literatura portuguesa, a uma crônica de Rubem Braga. E este autor ainda apresenta esta singularidade: é um grande escritor que entra para a história literária exclusivamente como cronista. Fato singular da literatura brasileira atualmente. Como fato muito significativo é a posição da crônica, sua importância, o grau de perfeição a que atingiu, depois de longa evolução através da qual se especializou, se desenvolveu uma forma literária específica, inclusive com um estilo próprio, uma maneira peculiaríssima.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em primeiro lugar, é mister ressaltar a natureza literária da crônica. O fato de ser divulgado em jornal não implica em desvalia literária do gênero. Enquanto o jornalismo tem no fato seu objetivo, seu fim, para a crônica o fato só vale, nas vezes em que ela o utiliza, como meio ou pretexto, de que o artista retira o máximo partido, com as virtuosidades de seu estilo, de seu espirito, de sua graça, de suas faculdades inventivas. A crônica é na essência uma forma de arte, arte da palavra, a que se liga forte dose de lirismo. É um gênero altamente pessoal, uma reação individual, íntima, ante ao espetáculo da vida, as coisas, os seres. O cronista é solitário com ânsia de comunicar-se. E ninguém melhor se comunica do que ele, através desse meio vivo, álacre, insinuante, ágil que é a crônica. A literatura, sendo uma arte – cujo meio é a palavra – e portanto oriunda da imaginação criadora, visando a despertar o prazer estético – nada mais literário do que a crônica, que não pretende informar, ensinar, orientar. E tanto ela não é indissoluvelmente ligada ao jornal, que esse prazer decorre da sua leitura mesmo em livro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra característica é a natureza ensaística da crônica. É claro que se deve, para compreendê-la, distinguir o ensaio formal, crítico, biográfico, histórico, filosófico, discursivo, e que entre nós vai ficando sinônimo de estudo, e o ensaio informal, familiar, coloquial, em que são exímios os ingleses. Pois bem, esse último tipo confunde-se pelas suas características com a nossa crônica. Basta compararmos os pequenos ensaios de Steele, Addison, Hazlitt, Lamb, Chesterton, e outros da numerosa família inglesa, com a página de nossos cronistas, para vermos os seu parentesco. Evidentemente, não teremos que mudar de nome, pois é interessante a especialização da palavra "crônica" em português para designar o gênero. Pois, como se sabe, o sentido antigo da palavra, que vigorava no renascimento por exemplo, e ainda é corrente em outras línguas neolatinas, fazia da crônica um gênero histórico. Crônica, cronista (do grego cronos, tempo) relacionavam-se com o relato cronológico dos fatos sucedidos em qualquer lugar. Desapareceu esse conteúdo, ficando a palavra para designar as pequenas produções em prosa, de natureza livre, em estilo coloquial, provocadas pela observação dos sucessos cotidianos ou semanais, refletidos através de um temperamento artístico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De qualquer modo, o que se deve ressaltar é a importância que o gênero vem assumindo em nossa literatura. A crônica tem que valer-se da língua falada, coloquial, adquirindo inclusive certa expressão dramática no contato da realidade da vida diária.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As dificuldades em classificar a crônica resultam, como acentuou Eduardo Portela, do fato de que ‘tem a caracterizá-la não a ordem ou a coerência mas exatamente a ambigüidade’, que ‘não raro a conduz ao conto, ao ensaio por vezes, e freqüentemente ao poema em prosa’. A crônica, insiste o mesmo crítico, vive presa ao dilema da transcendência e do circunstante. As suas condições jornalísticas e sua base urbana tem que ser superadas para que ela ganhe em transcendência, seja construindo ‘uma vida além notícia’, seja enriquecendo a notícia ‘com elementos de tipo psicológico, metafísico’ ou com o humour, como Carlos Drummond de Andrade, seja fazendo ‘subjetivismo do artista’, ‘o seu universo interior’, sobrepor-se ‘a preocupação objetiva do cronista’, como Rubem Braga e Ledo Ivo."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Afrânio Coutinho – &lt;strong&gt;A Literatura no Brasil&lt;/strong&gt; – 2º edição, vol. IV, pág. 77-78&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-109745200119766324?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/109745200119766324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=109745200119766324&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109745200119766324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109745200119766324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/10/ainda-sobre-lus-fernando-verssimo-o.html' title='AINDA SOBRE LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO: O SEU ESTILO LITERÁRIO – A CRÔNICA '/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-109603978759989750</id><published>2004-09-24T13:21:00.000-03:00</published><updated>2004-09-24T13:50:15.676-03:00</updated><title type='text'>A ETERNA PRIVAÇÃO DO ZAGUEIRO ABSOLUTO  -  COLETÂNEA SOBRE O AUTOR  -  LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O livro de Luiz Fernando Veríssimo, "A Eterna Privação do Zagueiro Absoluto", escolhido como leitura para o vestibular da UFMG 2005. Abaixo, algumas notas colhidas para auxiliar na leitura do livro, visto a precariedade do material que vem sendo publicado pelos cursinhos de Belo Horizonte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;RETRATISTA DO COTIDIANO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jorge Luís Borges, ítalo Calvino, Vladimir Nabokov estão no céu, conversando sobre o direito de os escritores lá habitarem depois da morte por uma questão de mérito adquirido. Discutem maneiras de coibir vocações literárias equivocadas. A conclusão é categórica: ao crítico caberia ser impiedoso com autores novos - deveria até mesmo executá-los. Esta é a síntese da parábola "No céu", incluída em "O suicida e o computador", de Luís Fernando Veríssimo, que se inscreve naquela categoria especial de autores que conseguem ser extremamente prolixos sem cair em redundâncias ou vazios.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tentar aprisionar a obra deste autor num só gênero é uma tarefa inócua. Escrevendo crônicas, contos, ensaios e mesmo poemas, Veríssimo expressa suas opiniões com argúcia, originalidade e talento. Nas temáticas sobre as quais se debruça - sempre relacionadas ao Brasil urbano de classe média - política ou comportamento, quase nada escapa aos olhos e ouvidos deste escriba perspicaz. O senso de humor, a ironia e o lirismo eventual de suas críticas transformam a mesquinhez do cotidiano em momentos únicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Prefiro pensar que sou um cronista que às vezes tem teses", De Daniel Piza. Gazeta Mercantil, 26-28/11/99.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A crônica no Brasil teve alguns autores de grande qualidade literária que também chegaram ao sucesso popular. João do Rio, Rubem Braga e Nelson Rodrigues são exemplos que logo vêm à mente. Depois deles, o grande cronista famoso do país é, claro, Luís Fernando Veríssimo. Ele é lido por um público tão amplo quanto fiel. Prova disso é a presença precoce na lista de mais vendidos de suas três coletâneas recém-lançadas: "Aquele Estranho Dia que Nunca chega" (sobre política e economia), "A Eterna Privação do Zagueiro Absoluto" (futebol, cinema e literatura) e "Histórias Brasileiras de Verão" (sobre "vida íntima").&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conclusão imediata: a crônica brasileira vai bem, obrigado. Mas que isto não deixe de fazer pensar naquilo que Veríssimo trouxe para o gênero que tanto era do gosto do maior escritor brasileiro, Machado de Assis. Veríssimo modernizou a crônica nacional assimilando - como Machado assimilara na ficção - a influência da literatura de língua inglesa, especialmente a de humor. Isso se vê em sua linguagem concisa e coloquial, mas cheia de entrelinhas, um tanto diferente da "sinceridade" mais confessional, seja da vertente lírica de Rubem Braga, seja da vertente assertivista de Nelson Rodrigues. Meio que mesclando crônica e artigo, relato pessoal e análise jornalística, e sem cair nos destemperos explícitos de outros praticantes da modalidade, Veríssimo renovou a crônica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tem grande percepção para o comportamento social e suas mudanças e semelhanças no passar do tempo, revelando mais sobre a atual classe média brasileira em seus textos (para não falar nos desenhos como os da "Família Brasil") do que todos os ficcionistas vivos do país, somados. E trunfo dos trunfos: é um homem de idéias, não um mero diarista, e ele as defende com um charme que nenhuma discordância pode negar. Seu intimismo não é nostálgico, é reflexivo; ele não precisa rir para que se perceba que está contando uma piada; e jamais deixa de dar sua opinião, incisivamente quando necessário, em assuntos variados. Sobre influências, métodos e assuntos, ele fala na entrevista a seguir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- Acho que a crônica pegou no Brasil pelo acidente de aparecerem bons cronistas, como Rubem Braga, que conquistaram o público. Ou seja, não existem tantos cronistas porque existia uma misteriosa predisposição no púbico pela crônica, acho que foram os bons cronistas que criaram o mercado. Outros países têm bons cronistas, mas só no Brasil, que eu saiba, eles chegaram a ter reputação literária sem fazer outra coisa, como o Rubem Braga e os outros. Fora o Paulo Mendes Campos, que também era poeta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- o cronista é sempre seu assunto. A crônica não é lugar para objetividade. Ser mais pessoal, mais coloquial, depende do estilo de cada um. Mas a gente está se confessando sempre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Prefiro pensar que sou um cronista que às vezes tem teses, mas nunca vai buscá-las muito fundo. O negócio é pensar sobre as coisas e tentar pensar bem, mas nunca esquecer que nada vai ficar gravado em pedra, ou fazer muita diferença.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Escrevo com informalidade e com a preocupação de ser claro e o pai também era assim. Ficar em Porto Alegre e não procurar muito a "vida literária" também foi uma escolha dele, mas neste caso não foi uma imitação minha, pelo menos não consciente. Mais uma questão de personalidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Na verdade, crônica esportiva literária, ate há pouco tempo, só quem fazia era o Armando Nogueira e, aqui no sul, o Ruy Carlos Osterman. Muitos escreviam bem sobre futebol, mas sem outras pretensões. Hoje tem aí o Torero e outros fazendo coisas excelentes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ronaldo foi a grande frustração da Copa e, ao mesmo tempo, revendo aqueles jogos, a gente nota como ele foi efetivo, mesmo errando tanto. Mas desde então ele nunca mais acertou, e agora vai ser operado outra vez. É uma pena. Problemas de mulher e de articulação, os mesmos dos heróis desde a Grécia Antiga.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Acho que o futebol dentro do campo está bem jogado como nunca esteve, muito mais competitivo e atraente do que na sua época "lírica". O problema é fora do campo, com a desorganização e os dirigentes oportunistas, incompetentes ou bandidos mesmo. Eu defendo o futebol empresarial e os campeonatos organizados e promovidos como espetáculos. Este é um caso em que a gente deveria imitar o modelo americano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- A crônica ficcional é a melhor de fazer, a política é quase obrigatória, e a futebolística é uma indulgência que eu me dou de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Este foi o século em que as melhores idéias foram derrotadas. Eu só livraria a escada rolante e o controle remoto." (Luís Fernando Veríssimo em entrevista feita por fax "from" de Porto Alegre)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;DE VERISSIMO A VERISSIMO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"De geração a geração&lt;br /&gt;segue a arte de escrever&lt;br /&gt;um abc refinado&lt;br /&gt;seu coração é colorado&lt;br /&gt;cronista, cartunista,&lt;br /&gt;jornalista, às do humor&lt;br /&gt;vem autografar a passarela&lt;br /&gt;oh! Grande escritor" &lt;strong&gt;(Enredo da Escola de Samba Vila Isabel de Viamão)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de tudo que o samba relaciona, Veríssimo é um poço de paradoxos, produto de um jogo de extremos. Ao mesmo tempo que cultiva a timidez, o silêncio e os monossílabos, é tido pelos muitos amigos como um dos tipos mais doces e generosos; no momento seguinte em que cita viajar e comer bem como seus dois maiores prazeres, conta que não mudaria de Porto Alegre por nada deste mundo e se lembra da dieta rigorosa que segue por orientação médica, em função de problemas cardíacos. Finíssimo estilista da língua, dono de um texto marcado pela mistura de precisão e beleza, ele é capaz de afirmar com orgulho que escreve "por ofício", que é "um escritor comercial, sem grande valor literário, cujo ramo é o do entretenimento".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na relação com o pai, uma base de mútua admiração. Não há prova científica de que talento é hereditário, mas o caso da família Veríssimo valia uma análise mais detalhada. Filho de Érico (um dos grandes da literatura brasileira, cujo "Tempo e vento" completa 50 anos de lançamento este ano), Luís Fernando começou a escrever tarde na vida, aos 28 anos. Antes disso, depois de muito tempo indeciso quanto ao caminho a seguir, trabalhava no departamento de arte da Editora Globo, de Porto Alegre. Meio sem querer, começou a dar expediente como redator no jornal "Zero Hora", no qual chegou a escrever até coluna de horóscopo e, meio por acaso, herdou uma coluna de crônicas. Foi esse o início de uma carreira de sucesso na imprensa diária - com passagens por jornais como O Estado de São Paulo e Jornal do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sempre tive uma relação ótima com meu pai, ele nunca me obrigou a fazer nada que não quisesse. Na verdade, nunca tive problema algum em ser filho de um escritor famoso, até gostaria de inventar uma história dramática para saciar a curiosidade mórbida das pessoas sobre nossa convivência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Adoro o cinema de Hollywood, a literatura americana, as histórias em quadrinhos e, acima de tudo, o jazz. Aos 17 anos, consegui entrar num clube e assisti a um show de Charlie Parker - conta ele, com um discreto brilho nos olhos. - Sou fã de Louis Armstrong e, quando morava nos Estados Unidos, quis aprender a tocar trompete. Procurei uma escola e, lá, não tinha trompete disponível, só um sax-alto. Foi assim que aprendi música.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Antes, a esquerda era mais ideológica e a direita, mais pragmática. Hoje, a situação mudou, a direita adotou o ideário neoliberal e a esquerda apresenta projetos mais objetivos. Tenho minhas simpatias pelo PT, mas não me sinto à vontade com uma postura engajada. Minhas preocupações são mais humanistas, acredito que o caminho passa pela social-democracia, e nem sei se seria a tal Terceira Via do gabinete gay do Tony Blair. Opa! Uma piada politicamente incorreta! E as patrulhas? - Não ligo para isso, acho que estou imune a elas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ATINGIR A PROFUNDIDADE SEM SAIR DA SUPERFÍCIE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não tenho nenhuma obra dentro de mim para botar para fora, não tenho essa compulsão. Meus livros fazem sucesso porque as histórias são curtas, escritas de maneira fácil. A atividade de cronista me realiza completamente e acredito que é perfeitamente possível atingir a profundidade ficando na superfície.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Viajar e comer, os prazeres; futebol, a única paixão. Animadíssimo com a volta de Dunga ao seu Internacional, ele acha que o técnico da seleção brasileira, Wanderley Luxemburgo, tem "um problema de vaidade para administrar" e critica o jeito moleque de jogadores como Romário:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ele é a cara do futebol carioca, meio displicente, nem sempre objetivo, do drible pelo drible, em que uma jogada bonita vale mais que um gol. E isso acontece muito porque o torcedor carioca estimula esse tipo de atitude. Agora, o problema do futebol do Rio são os cartolas. É muito feio o que eles estão fazendo - diz ele, peso pluma com pegada de peso pesado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Veríssimo descobriu no drama das idéias perdidas o tema para uma crônica. Começa assim: "A escrita deve ter nascido da idéia de não esquecer. O primeiro homem que pensou ‘preciso me lembrar disso’ deve ter olhado em volta procurando alguma coisa que ele não sabia ainda o que era. Era um lápis e um pedaço de papel". Tudo para dizer, no fim, que não sabia o que fazer com a anotação que um belo dia rabiscara a lápis num pedaço de papel: "Conhece-te a ti mesmo mas não fica íntimo". No fim da crônica, conclui: "As melhores idéias são as que a gente esquece".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Grande parte das histórias de Veríssimo vem da capacidade do autor de reverter situações adversas. Por exemplo: irritado com a insistência de Fernando Henrique em criticar os críticos que definem seu governo como neoliberal. Veríssimo reagiu com a ironia fina de sempre na crônica Definições, que integra a coletânea Novas Comédia da Vida Pública - A Versão dos Afogados. Na crônica, ele diz concordar com Éfe Agá quando o presidente da República reinvindica para seu governo a definição que julga mais adequada: neo-social. "Quem de nós, escritores e pseudo-escritores, ensaístas ou ficcionistas, cronistas ou romancistas, nunca sonhou em fazer a resenha da própria obra, livrando-a da incompreensão dos críticos?", finge concordar Veríssimo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cirurgia cardíaca sofrida em 1991, por sua vez, virou uma crônica sobre o espírito de competição dos parceiros de infortúnio, que às vezes lembra um jogo de poquêr: "Tenho três pontes de safena e uma mamária. Algo como uma trinca, mas de ases. Não faço feio em nenhuma roda de safenados e já humilhei alguns", escreveu Veríssimo, que mantém uma inútil bicicleta ergométrica encalhada na porta do escritório. "Tenho que fazer exercício, mas não consigo", confessa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se os 61 anos, comemorados (comemorados?) em setembro do ano passado, incomodam, não existe melhor remédio do que se recuperar da "doce tragédia" desabafando numa crônica entre o humor e a melancolia. "Por motivos que não interessam, fiz aniversário ontem", informa, antes de concluir: "Há coisas piores do que fazer 61 anos, mas ninguém consegue se lembrar de nenhuma". Veríssimo tem também uma respeitável safra de histórias brotada da sua paixão pelas palavras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Introvertido, Veríssimo se considera "o cara mais sem graça do mundo". E jura: "No meu caso, o humor é mais técnica do que vocação". Mas sabe que é inútil convencer os leitores de que está longe de ser um humorista em tempo integral. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por exemplo: amante do jazz, o escritor toca saxofone na Aqui Jazz Tancredo Band, que criou em parceria com os gêmeos cartunistas Paulo e Chico Caruso. Certa vez, em Brasília, os músicos resolveram, alguns uísques depois, inovar e entrar no palco com as luzes apagadas. Verissimo, o único que não havia bebido, errou o caminho, caiu da escada e quebrou o joelho. Em pânico, os irmãos Caruso informaram o acidente ao público e perguntaram se havia algum médico na platéia. "Claro que ninguém acreditou. O público morria de rir enquanto eu morria de dor", lembra Veríssimo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Quem se casa com uma pessoa parecida, na verdade está se casando consigo próprio. É uma forma de incesto e não pode dar certo", acredita Veríssimo. Ele e Lúcia poderiam ser, no máximo, aquele casal da crônica Lar Desfeito, que vive às mil maravilhas mas decide se separar para poupar os filhos da vergonha de terem pai e mãe ainda casados, ao contrário de todos os coleguinhas. Lúcia não tem ciúme das outras mulheres do marido, que são (não necessariamente nessa ordem) Ingrid Bergman, Rita Hayworth, Maureen O’Hara ("aquela irlandesa exuberante..."), Catherine Deneuve. "No Rio eu conheci a Lucia e nós nos casamos em março de 1964. Para não dizer que não aconteceu nada de bom no Brasil em março de 1964", brinca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, afinal, de onde vem esse profundo conhecimento de causa? "Sou uma pessoa introvertida, mas não enclausurada, afastada do mundo. Escrevo sobre coisas que vivi, ou que ouvi dos outros, ou que vi acontecendo. É bom ter a experiência, mas é preciso distanciamento para refletir sobre ela", explica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O computador não passa de "uma máquina de escrever glorificada", distante da criatura onipotente que transformou em personagem das tiras, As Cobras. Ao lado do micro, uma coleção de canetas denuncia o prazer que só não é secreto em razão desses répteis tornados públicos pela primeira vez há 20 anos, em Zero Hora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O excesso do trabalho o afasta da paixão que alimenta desde a infância: a leitura. Veríssimo ainda se define como "um leitor voraz e onívoro". A verdade é que lê de tudo, mas não com a voracidade desejada. Por absoluta falta de tempo. "Há muito não leio um livro inteiro, só fragmentos", queixa-se. No momento, tem nada menos que 78 livros na cabeceira (da nova edição, corrigida, de O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald, a Visão do Paraíso, de Sérgio Buarque de Holanda) na fila para serem lidos. Em pouco tempo não restará cabeceira: Veríssimo não consegue passar na porta de uma livraria sem entrar. E se entra, compra. "Acho possível colocar minha leitura em dia. Basta viver até os 120 anos", calcula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Navegue também no site abaixo e mergulhe na obra deste grande cronista brasileiro:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://portalliteral.terra.com.br/verissimo/porelemesmo/porelemesmo.shtml?porelemesmo"&gt;http://portalliteral.terra.com.br/verissimo/porelemesmo/porelemesmo.shtml?porelemesmo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-109603978759989750?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/109603978759989750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=109603978759989750&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109603978759989750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109603978759989750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/09/eterna-privao-do-zagueiro-absoluto.html' title='A ETERNA PRIVAÇÃO DO ZAGUEIRO ABSOLUTO  -  COLETÂNEA SOBRE O AUTOR  -  LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-109387997274973434</id><published>2004-08-30T13:25:00.000-03:00</published><updated>2004-10-09T19:35:51.210-03:00</updated><title type='text'>NOVE NOITES - MINHAS IMPRESSÕES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A análise abaixo é apenas as minhas impressões sobre o livro: Nove Noites de Bernardo Carvalho, indicado para o vestibular da UFMG de 2005. Sem maiores pretensões.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;************&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um dos aspectos importantes no início do livro, é a forma como o narrador levanta dúvidas em vários trechos do capitulo sobre a verdade. Quando ele expressa não ter lido as cartas deixadas pelo etnólogo e sim apenas teve o conhecimento do conteúdo a partir das traduções feitas pelo professor Pessoa: "&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(...) naquela cidade morta, como ele a descreveu, se formos confiar nas traduções do professor Pessoa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;." (Nove Noites – Bernardo Carvalho). Este recorte, aborda a complexidade do texto literário e como a sua verdade é relativa. A riqueza que emerge de sua teia textual, sempre que há o contato ele, expressará verdades diversas. Da mesma forma, que não podemos atravessar o rio duas vezes, pois nem as suas águas, nem nós, seremos os mesmos, também não podemos ler o mesmo texto duas vezes. O narrador, também, leva o leitor a duvidar de sua própria versão, pois o livro se constituirá em cima de vários textos: testamentos, cartas, notícias de jornais e finalmente o romance. Mostrando-nos, que o romance se constituirá num palimpsesto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O testamento deixado a este estranho, narrado pelo engenheiro de Carolina, Manoel Nobrega, vem no texto como se fosse reescrito várias vezes, como um rascunho. Apresenta a transitoriedade das idéias e dos fatos. O desejo de expressão sempre fragmentado no texto. O trabalho estético e factual para o outro que se escreve, expressando a falta, um buraco, uma dúvida exigindo sempre a reescrita.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A intercalação entre os textos, dos dois narradores, é um diálogo constante, distanciado no tempo. É como se os dois mantivessem uma conversa, com os seus pontos de vista, cada um a partir da experiência que tiveram com o personagem, depoimentos, cartas, relatórios, fotos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Franz Boas que aparece no livro como professor de Buell Quain, foi um dos representantes da corrente difusionista e fundador da antropologia cultural norte americana, que visa estudar a distribuição geográfica dos traços culturais, explicando a sua presença por sucessão de empréstimos de um grupo a outro. Esta corrente se intextualiza com o livro, visto que o empréstimo pode ser incompleto ou fragmentado. Disto, decorre as distorções na interpretação de numerosos fatos, por ser subestimadas as capacidades inventivas do homem e os excessivos esquemas dos mecanismos de difusão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É como uma caixa dentro de uma caixa, dentro de outra caixa, na busca do núcleo. A busca do diferente, a busca do excepcional, será capaz de explicar o que levou o antropólogo a por fim em sua própria vida? As hipóteses delineadas pelos dois narradores surgiram de maneira muito sutil no decorrer da narrativa, de forma fragmentada, sem vínculos concretos e imbuídos a partir de alguma espécie de narrativa: carta, retrato, cinema, mitos, analogias, jornal, depoimentos e relatos.&lt;br /&gt;Nada no livro é abordado de forma gratuita, e em função da sua complexidade, o romance questiona a neutralidade cientifica, a incapacidade de expressão de forma objetiva. Tudo nele é construído em cima de uma colcha de retalhos, como a própria literatura.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A construção do romance, é como se fosse a constituição de uma partitura, na tentativa de harmonizar os diversos fragmentos da vida do personagem na voz de dois narradores, que como um maestro darão ritmos diferentes aos capítulos que compõem o romance.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos capítulos constituídos pelo testamento, os textos se iniciam com a frase: "&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Isto é para quando você vier&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;." (Nove Noites). As pessoas não suportam conviver com a dúvida. Na maioria das vezes justificam os fatos de maneira imprecisa para colocar um fim em suas dúvidas. &lt;span style="font-size:130%;"&gt;"&lt;em&gt;É lamentável que o seu desaparecimento tenha sido de um modo tão doloroso. Ainda ignoramos os motivos que o levaram a tal atitude. Mas, segundo notícias colhidas de fontes que reputamos certas, podemos adiantar que tenha sido por questões familiares&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;." (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O livro em seu primeiro capitulo se assemelha muito com a essência da trama do filme "&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o cidadão Kane&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;" que após a morte de um grande magnata da imprensa norte americana, chamado Charles Foster Kane, um jornalista recebe a missão de descobrir o significado da enigmática palavra, rosebud, que surge dos lábios do magnata no momento de sua morte. Mas como no livro, a história toda do personagem, será reconstruída fragmentariamente, apenas com algumas passagens cruciais de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O primeiro capitulo é um testamento, e a narrativa se dirige a um receptor que não se sabe quem é, criando como efeito, de que ele é dirigido ao leitor. Uma carta que o narrador guarda, para entregar ao seu devido destinatário. Com o passar do tempo a cidade se esquece de tudo que se sucedeu com Dr. Buell, aparece outro, sem muito mérito, para assumir a sua função, mas o narrador angustiado por não poder entregar a carta deixada pelo etnólogo ao seu devido destinatário, decide deixar um testamento relatando os motivos que o levou a guardar a carta e com isto, fará com que a narrativa comece a tomar corpo.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;faz anos que o espero, mas já não posso me arriscar ou desafiar a morte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;" (Nove Noites – Bernardo Carvalho)&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas este capítulo em formato de um testamento, não é um texto qualquer, visto que ele é uma possibilidade de expressão, de realização de um desejo, após a morte, ou seja, é uma maneira de se manter vivo no tempo através do texto. Como Bach que levou quase um século após a sua morte, cego em sua cama de nogueira, entre os mortos pobres, esquecido por todos, será ressuscitado pela Paixão. Somente em 1819, com a apresentação de sua "&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Paixão Segundo São Mateus&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;", dirigida por Mendelssohn, é que ocorreu o renascimento de Bach para a posteridade. Pois a sua mulher, depois de ver as belíssimas cantatas de seu marido serem empurradas aos montes, para dentro de sacos e levadas com se fossem lixo, ela não deixou que ninguém jogasse dentro de um saco e levasse embora a Paixão, guardou para si, a peça tão amada de Bach, que só encontrou um receptor depois de um século. O texto tem vida própria, mas precisa de um guardião para levá-lo para outras gerações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O segundo capitulo começa com um novo narrador, e com ele o personagem passeia no tempo e encontra um receptor que mergulhará em um novo texto, agora num artigo de jornal. Percebe-se que a narrativa não é pontual, ela é permanente, e mais uma vez o texto aparece dentro do texto de outro texto: "&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o artigo tratava das cartas de outro antropólogo, que também havia morrido entre os índios do Brasil, em circunstância ainda hoje debatidas pela academia e citava de passagem, em uma única frase, por analogia, o caso de Buell Quain, que se suicidou entre os índios Krahô em agosto de 1939&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;." (Nove Noites – Bernardo Carvalho) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém esta citação não é suficiente para o narrador conhecer aquele personagem, é preciso sair em busca de outros textos por causa da desfragmentação textual."&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;os papeis estão espalhados em arquivos no Brasil e nos Estados Unidos. (...) e aos poucos fui montando um quebra cabeça e criando a imagem de quem eu procurava&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;" (Nove Noites – Bernardo Carvalho). E assim, um novo texto começa a ser costurado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A narrativa não nasce do nada, mas de uma combinação de acasos, da paixão por um outro texto. É uma fórmula que se cria, porém não podemos ter controle, a partir da sua criação, sobre como ela será utilizada. "&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Bull Quain se matou na noite de 2 de agosto de 1939 – no mesmo dia que Albert Einstein enviou ao presidente Roosevelt a carta histórica em que alertava sobre a possibilidade da bomba atômica&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;" (Nove Noites – Bernardo Carvalho). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A imortalidade do personagem a partir do texto, também é mencionada neste capitulo. Haroldo de Campos escreve, na introdução do volume I, da "&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ILIADA de Homero&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;", que no canto 9 (GLÓRIA DOS HERÓIS), expressão que Homero identifica a poesia épica, Áquiles retira-se da guerra deixando de ser personagem. Segundo Haroldo de Campos "&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;esse episódio permite entender melhor o tratamento que recebe o tema da imortalidade na épica e a própria função da poesia na sociedade oral. Pouco depois da referência ao canto de Áquiles, há a famosa passagem em que o herói recorda o futuro que lhe fora previsto por Tétis: ou ele retornaria para a casa, garantindo assim a própria longevidade, ou participaria da guerra e teria morte precoce, alcançado, porém, a ‘gloria imperecível’. Em outras palavras, o herói torna-se personagem épico se aceita de antemão a brevidade da vida. (...) como ninguém luta para alcançar a primeira condição (&lt;/em&gt;morte prematura&lt;em&gt;), é lícito deduzir que o herói épico combate para atingir a imortalidade que lhe propicia a poesia e lhe nega a vida. (...) Se a poesia garante a eternidade é porque ela é eterna&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;." (Ilíada de Homero – vol I, Haroldo de Campos – 3º edição – pág. 11-12). "&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não podia ter pensado que quanto mais o homem tenta escapar da morte mais se aproxima da autodestruição&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;." (Nove Noites – Bernardo Carvalho). Ao cometer o suicídio Buell Quain tornou-se personagem, deixou de ser mortal para tornar-se imortal, junto com a estrutura narrativa, na forma de um palimpsesto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terceiro capítulo, o texto volta a ser o testamento. O narrador retorna ao fato dele ter medo de que as suas desconfianças sobre a causa do suicídio do Dr. Buell, morra com ele. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Já não posso me arriscar a que tudo desapareça comigo."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites) As palavras contidas nas cartas, segundo o narrador, foram as armas letais que penetraram no espírito de Buell, e as deixou num estado de letargia, levando-o a cometer o suicídio, para se transformar em personagem, ou seja, as palavras o mataram, para em seguida ressuscitá – lo, envolto ao mistério, levando os homens a mergulharem no mundo da imaginação. &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;"A verdade depende apenas da confiança de que ouve."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; (Nove Noites) Está frase faz referência a diversas justificativas, dada pelo personagem, para a sua tristeza e sua prostração.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No quarto capítulo, narrado pelo jornalista, ele expõe os motivos que levaram o etnológo a tirar a vida. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Todo mundo quer saber o que sabem os suicidas (...) ninguém pode estar totalmente só no mundo. Tinha que haver uma carta em que ele revelasse os seus sentimentos."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites) O texto percorre as cartas deixadas por Buell a duas mulheres, e também aborda algo bem peculiar, que é o desejo, de que algo tivesse ocorrido entre o etnológo e Dona Júlia, por parte de sua descendente, ao alegar ao jornalista que a mãe e Buell mantivera um flerte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No quinto capítulo, o jornalista encontra uma pessoa que conheceu Buell, é uma recorrência fragmentada, porém fora dos textos: a fotografia, que é capaz de fixar a imagem de um objeto . &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;"Na minha obsessão, cheguei a me flagrar várias vezes com a foto na mão, intrigado, vidrado, tentando em vão arrancar uma resposta dos olhos de Wagley, de dona Heloísa ou Ruth Landes."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"(...) perguntei sobre a aparência física dele, sobre o que no geral eu já sabia, na verdade estava mais interessado nas impressões que havia deixado e nas reações que a sua figura podia ter provocado, do que na imagem real"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites). O narrador questiona o fato de estar relacionadas com dinheiro, as cartas testamentos deixadas por Quain.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A suposta riqueza do etnólogo, como um conflito do qual ele necessitasse esconder das pessoas, com as quais ele convivia profissionalmente. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"(...) o jovem etnólogo americano ajudou a descarregar um caminhão com a bagagem de Lévi-Strauss, o que apenas reforçou na cabeça do brasileiro a idéia de que Buell Quain tinha a preocupação constante de demostrar que não era ninguém, como se fosse só um serviçal."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No sexto capítulo, o texto volta a ser o testamento. Até quando o texto suporta os acontecimentos do mundo, o personagem em seus olhos trazia com ele toda a arqueologia do homem, seus olhos passavam cenas como num cinema: &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;" (...) mas o que lhe marcou os olhos para sempre, deixando-lhe aquela expressão que ele tentava disfarçar em vão e que eu apreendi quando chegou a Carolina na distração do seu cansaço, os olhos que traziam o que ele tinha visto pelo mundo."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;"Penso em como são formadas as personalidades peculiares. Se são como as outras, se são como nós. O que pode ter passado um homem na infância para trazer uma cicatriz daquelas na barriga? Que espécie de sofrimento o pôs em sintonia com um mundo pior que o seu?"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; (Nove Noites).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No sétimo capítulo, narrado pelo jornalista, é abordado a situação delicada dos estrangeiros no Estado Novo. Estes estado de precariedade da estada dos pesquisadores no Brasil, no início da guerra, de um certo xenofobismo aos americanos no país, uma desconfiança paranóica a tudo e a todos por parte dos pesquisadores americanos, pode se ressalvar a complexidade da narrativa, que é construída em cima de um vaso quebrado, num acidente, na história da antropologia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No oitavo capítulo, o testamento, o narrador aborda como se deu a primeira noite dele, com o seu personagem. E para argüi-lo, partiu para a provocação, conseguindo com que o etnólogo disparasse a falar: &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;" se faço as contas, vejo que foram apenas nove noites. Mas foram como a vida toda. A primeira, na véspera de sua partida para a aldeia. Depois, mais sete durante a sua passagem por Carolina em maio e junho quando vinha a minha casa em busca de abrigo, e a última quando o acompanha pelo primeiro trecho de sua volta à aldeia, pernoitamos no mato, debaixo do céu de estrelas. A última noite foi por minha conta. Ele não havia requisitado a minha companhia, mas senti que devia acompanhá-lo a cavalo, nem que fosse apenas no primeiro trecho do percurso, como se de alguma maneira soubesse o que àquela altura não podia saber, que nunca mais o veria. O que agora lhe conto é a combinação do que ele me contou e da minha imaginação ao longo de nove noites. Foi assim que imaginei o seu sonho e o seu pesadelo. O paraíso e o inferno."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira noite: &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;" uma sociedade muito rígida nas suas leis e nas suas regras, onde, no entanto, cabe aos indivíduos escolher os seus papéis. (...) Na escuridão da sala de cinema, a luz de prata se acendeu na tela e uma vida impensada se descortinou diante dele, uma nova possibilidade e uma saída, como se um caminho inexplorado se abrisse à sua frente. (...) Cada um verá as suas miragens."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"O sonho de uns é a realidade de outros. E o mesmo pode ser dito dos pesadelos. (...) O sonho é um ponto de vista. É um lugar de onde se vê."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em meio a estas histórias, contadas pelo personagem ao narrador, misturam-se as vozes, entram em estado de comunhão. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Posso não ter imaginado o paraíso, mas o inferno eu pude ver. O pesadelo é um jeito de encarar o medo com os olhos de que sonha".&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No nono capítulo, o narrador jornalista faz um diálogo com Dante, o personagem desce ao inferno. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"O jovem antropólogo teria obtido o medicamento e por sorte o incluíra na sua bagagem depois de a mãe ter lido um artigo numa revista médica e lhe mandado o recorte para o Rio de Janeiro. De alguma forma, nem que fosse à distância, ela tentava ser útil e acompanhar os desígnios do filho em sua descida ao inferno."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Encontra-se neste capítulo o poder da linguagem para criar um ambiente de terror, medo e insegurança. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"os Kamayará inventam histórias e lendas para acirrar o clima de terror. Tinham uma sensibilidade muito aguçada para a maldade psicológica. (...) Os conflitos, em geral ligados ao sexo e ao adultério, ou eram substituídos por práticas, em que os envolvidos descarregavam suas diferenças emocionais por meio de ações simbólicas numa espécie de teatro improvisado no centro da aldeia."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No décimo capítulo, o texto testamento, o narrador coloca a sua versão sobre a experiência do etnólogo entre os índios Trumai. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"A ele, só restava observar, que em princípio era a única razão da sua presença entre os Trumai. Quando ele chegou aqui, estava cansado desse papel. Mas também tinha horror da idéia de ser confundido com as culturas que observava."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O conflito se apresenta, visto que o etnólogo compartilha com os que pertencem, a mesma cultura que a sua, as mesmas insatisfações, angústias e desejos. Segundo o etnólogo Bronislaw Malinowski &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"um dos refúgios fora dessa prisão mecânica da cultura é o estudo das formas primitivas da vida humana, tais como existem ainda nas sociedades longínquas do globo. A antropologia, para mim, pelo menos, era uma fuga romântica para longe de nossa cultura uniformizada."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; A dificuldade do etnólogo de compreender a alteridade, pois o outro não é considerado para si mesmo. Mal se olha para ele. Olha-se a si mesmo nele. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"(...) mas outro garoto, logo depois da primeira ereção, compareceu uma noite à casa do dr. Buel para se vangloriar e certa vez chegou a copular com uma menina sob os olhos do antropólogo, de propósito para se mostrar, sabendo que era observado. O sexo assombrava a solidão do meu amigo. Também parece ter ficado impressionado, tanto que me contou, ainda naquela primeira noite (...), que na passagem para a idade adulta, como um rito de iniciação, os meninos Trumai tinham o corpo inteiro esfolado com uma pata afiada de tatu. Era uma prova de coragem, uma recompensa e uma honra (...). Entre os Trumai, as cicatrizes eram muito admiradas. Os meninos de sete anos expunham com orgulho as marcas que as cerimônias lhes deixavam pelo corpo. Foi quando, para a minha surpresa, ele abriu a própria camisa e me mostrou uma cicatriz que ia da barriga ao peito."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"É que os Trumai vêem na morte uma saída e uma libertação dos seus temores e sofrimentos."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"E compreendendo por que quisesse tanto voltar aos Trumai e ao inferno que me relatou. Como se estivesse cego por algum tipo de abstinação. Queria impedir que desaparecessem para sempre. O livro que escreveria sobre eles seria uma forma de mantê-los vivos, e a si mesmo."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No décimo primeiro capítulo, o narrador jornalista vira um narrador personagem, nas aventuras que passará com o seu pai, quando criança no Xingu, e faz um elo com a história do antropólogo, para representar o seu inferno, que por coincidência também ficava no Xingú.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No décimo segundo capítulo, não se inicia com a frase dos outros capítulos testamentários. O personagem apresenta-se paranóico, tinha medo, pois dizia estar sendo perseguido. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"De certo modo, ele se matou para sumir do seu campo de visão, para deixar de se ver."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No décimo terceiro capítulo, o narrador jornalista em meio a suas investigações sobre o que levou o etnológo ao suicídio, desconfia que haveria uma carta que possivelmente foi extraviada. &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;"Para mim, a resposta só podia estar em uma das cartas que escreveu antes de morrer, (...) foi quando comecei a acalentar a suposição de que devia (ou ter havido) uma oitava carta&lt;/em&gt;". &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(Nove Noites)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste capitulo, se faz uma intextualidade com o poema "Elegia 1938" de Carlos Drummond de Andrade: Neste poema aparece repudiava a feiúra da usura capitalista: &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"... Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota/ e adiar para outro século a felicidade coletiva./ Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição/ porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.".&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elegia era o nome dado pelos gregos a um tipo cujo tema estava ligado à morte. Seu tom era, portanto, sempre triste, de lamentação. O ano de 1938 identifica-se com um período de grande desenvolvimento industrial e uma grave crise social e política, que teria como uma das suas decorrências a Segunda Guerra Mundial. A esse quadro o poeta refere-se como um &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"mundo caduco"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Elegia 1938&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,&lt;br /&gt;onde as formas eas ações não enceram nenhum exemplo.&lt;br /&gt;Praticas laboriosamente os gestos universais,&lt;br /&gt;sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.&lt;br /&gt;Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,&lt;br /&gt;e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.&lt;br /&gt;À noite, se neblina, abrem guardas chuvas de bronze&lt;br /&gt;ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.&lt;br /&gt;Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra&lt;br /&gt;e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.&lt;br /&gt;Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina&lt;br /&gt;e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.&lt;br /&gt;Caminhas por entre os mortos e com eles conversas&lt;br /&gt;sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.&lt;br /&gt;A literatura estragou tuas melhores horas de amor.&lt;br /&gt;Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.&lt;br /&gt;Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota&lt;br /&gt;e adiar para outro século a felicidade coletiva.&lt;br /&gt;Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição&lt;br /&gt;porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Carlos Drummond de Andrade&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No décimo quarto capítulo, a frase &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;"&lt;/strong&gt;isto é para quando você vier&lt;strong&gt;"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites), retorna como início do capitulo do testamento. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"(...) O dr. Buell confessou que viera ao Brasil com a missão de contrariar a imagem revelada naquele retrato. Como um desafio e uma aposta que fizera consigo mesmo. Havia sido traído pelo intruso e sua câmara. Não podia admitir que aquela fosse a sua imagem mais verdadeira: a expressão de espanto diante do desconhecido." (Nove Noites) E a confissão do narrador: "Eu só sei que esse estranho era você"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No décimo quinto capítulo, o narrador jornalista dar mais detalhe sobre este estranho que tirou furtivamente a foto de Buell, que o narrador reproduz numa declaração da mãe: &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"um amigo, um artista de Nova Iorque que tinha como hobby esse tipo de coisas, fez Buell prometer que um dia o deixaria fotografá-lo. O amigo se cansou de esperar e foi ao apartamento de Buell sem lhe dar a chance de se barbear ou trocar de roupa".&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites) Ou seja, não lhe deu chance de colocar uma mascara.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No décimo sexto capítulo, o narrador do testamento fala: &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"o que eu sei é o que ele me contou e o que imaginei. Você sabe de coisas dessa ilha que eu mesmo nunca poderei saber. (...) Se as coisas que tenho a dizer estão todas pela metade, e podem soar como insignificantes aos ouvidos de outra pessoa, é porque estão à sua espera para fazer sentido. Só você pode entender o que quero dizer, pois tem a chave que me falta. Só você tem a outra parte da história."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No décimo sétimo capítulo, o narrador jornalista aborda a possível homossexualidade do antropólogo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No décimo oitavo capítulo, o narrador do testamento não começa com a frase &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"isto é quando para você vier",&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; mas fica claro que é uma continuação do capítulo décimo sexto. Ele termina o testamento dizendo: &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;"o que lhe conto é uma combinação do que ele me contou e do que imaginei. Assim também, deixo-o imaginar o que nunca poderei lhe contar ou escrever."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; (Nove Noites)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No décimo nono capítulo, fica claro como a ninguém é possível saber a verdade. O texto é um dialogo constante com outros textos, porém, é sempre um outro texto. E se não quiser continuar contando as mil e uma histórias, nas mil e uma noites, só existe uma solução: virar para o lado, contrariando a natureza humana, dormir, e calar os mortos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-109387997274973434?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/109387997274973434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=109387997274973434&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109387997274973434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109387997274973434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/08/nove-noites-minhas-impresses.html' title='NOVE NOITES - MINHAS IMPRESSÕES'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-109363703028117027</id><published>2004-08-27T17:00:00.000-03:00</published><updated>2004-08-27T17:14:30.183-03:00</updated><title type='text'>BRASIL E A SUA BARBÁRIE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O texto abaixo, está excelente para demostrar o caos que nós brasileiros estamos vivendo em função de 504 anos de descaso social e manipulação do povo brasileiro. Não se pode ser ingênuo e desprezar a terceira lei de Newton, toda ação tem uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário. Mas, no contexto social as suas proporções não são previsíveis. A barbárie está em toda parte.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"O cúmulo da covardia &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Eu estava ontem caminhando em Higienópolis, simpático bairro paulistano, quando topei com um trecho da calçada em obras e tive de fazer um desvio pela rua. Olhei, o carro mais próximo estava bem longe, e fui. De repente, dois rapazes à minha frente puseram as mãos na cabeça - típico gesto diante de uma tragédia. Virei para o lado a tempo de ver, quase sentir, um carro branco passando a centímetros de mim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O motorista gritou da janela: "Quer morrer?". Eu não quero morrer, mas ele quer matar, porque jogou o carro contra mim sem motivo. Não havia carro na outra pista, nem buracos, nada. Foi a violência pela violência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Num segundo, ficou claro por que atacam mendigos a pauladas ou marretadas na cabeça. É o ódio social aliado à sensação de poder, de força. Uns jogam carros contra pessoas indefesas. Outros miram suas armas justamente contra o lado mais fraco, contra pessoas que foram abandonadas pelo Estado e pelas famílias, que não têm teto, nem saúde, nem auto-estima, nem o que comer. Não faz sentido. Ou faz?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;O ato de barbárie extrapolou São Paulo, fez escola em Pernambuco, virou questão nacional e nos faz refletir sobre onde vamos parar. Quando o Estado não faz sua parte, a elite só pensa no próprio umbigo e a classe média se digladia por migalhas públicas, o fosso social se aprofunda. E chega-se a isso: joga-se o carro contra o pedestre, mata-se por matar o mais miserável dos miseráveis.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Os seis mortos e as demais vítimas da barbárie no coração da principal cidade do mais importante Estado brasileiro são um alerta. Se foram "neonazistas", "skinheads" dessa ou daquela família, ou uns loucos do mal, é quase detalhe. O fundamental é que o espírito nazista baixa quando as instituições falham e a desigualdade social é tanta e tal. Esse, aliás, é o verdadeiro crime bárbaro."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;ELIANE CANTANHÊDE – Folha de São Paulo – Editorial – 27/08/2004&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-109363703028117027?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/109363703028117027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=109363703028117027&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109363703028117027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109363703028117027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/08/brasil-e-sua-barbrie.html' title='BRASIL E A SUA BARBÁRIE'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-109266169072250626</id><published>2004-08-16T10:05:00.000-03:00</published><updated>2004-08-16T10:08:10.723-03:00</updated><title type='text'>ACORDA BRASIL!!!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O texto abaixo, expressa de forma bem clara, o que eu vejo neste país. Compartilho com o jornalista a minha indignação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PETISMO-LULISMO, CARICATURA DA DIREITA&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Os achaques mais autoritários do governo de FHC costumavam durar pouco. Depois de uma certa grita da sociedade, as pessoas mais razoáveis do governo, a começar pelo próprio presidente, em geral davam conta do vexame e recolhiam às jaulas seus projetos de tiranetes. Coisas mefíticas como a horrenda repressão militar da greve dos petroleiros (1995), o excesso de medidas provisórias e o hábito de enterrar escândalos ficaram, é verdade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O governo Lula não só dá apoio encarniçado a macaquices autoritárias como encarna, defende, propõe e quer institucionalizar várias delas, além de herdar com gosto a mania de decretar leis e o projeto tucano de lei da mordaça, que pretende aleijar os procuradores de Justiça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O governo quer proibir servidores públicos de falar com jornalistas. Quer invadir à vontade o sigilo bancário e fiscal de empresas. Quer meter o dedo na produção audiovisual. Dá guarida ao projeto de um de seus braços sindicais de criar um comitê de salvação pública com poder de mandar à guilhotina jornalistas que não agradem à pelegada medíocre e a seus chefes no PT. Trata-se de facilidade herdada da organização sindical do país, corporativista quase fascista, mantida com gosto e usufruto pelo petismo-lulismo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não se trata de uma investida autoritária, de um ataque pontual a liberdades. É um padrão de comportamento do petismo-lulismo, sério candidato a praticante da realpolitik mais cínica que já se viu neste país de descaramentos.O petismo-lulismo encarna as caricaturas que a pior direita faz da esquerda. Mente e diz o contrário do que pregava meses antes. Aparelha órgãos e cargos públicos com voracidade rara até neste país de PFLs e PMDBs. A propaganda vai além da marquetagem e maquiagem política normais. É estratégia de governo, que se esmera na fabricação de rótulos para frascos vazios, como o Fome Zero, Primeiro Emprego etc.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lula não havia feito gesto nenhum pelo avanço institucional, democrático. Agora, quer minar as precárias liberdades do país. O que vem depois?"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;VINICIUS TORRES FREIRE – Editorial da Folha de São Paulo – 16/08/04&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-109266169072250626?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/109266169072250626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=109266169072250626&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109266169072250626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109266169072250626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/08/acorda-brasil.html' title='ACORDA BRASIL!!!'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-109231977118485350</id><published>2004-08-12T11:07:00.000-03:00</published><updated>2004-08-13T12:08:48.543-03:00</updated><title type='text'>SOMOS CEGOS OU CONVENIENTES?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A escravidão já foi considerada por Marx como um avanço na escala evolutiva das sociedades, visto que ela sucedeu os massacres ou sacrifícios humanos a que dominados eram submetidos. Desta forma, a escravidão foi uma inovação revolucionária. Entretanto, juridicamente hoje, já foi superada, mas ainda é uma prática que rende lucros a uma elite econômica, principalmente no Brasil.&lt;br /&gt;No Brasil, legalmente, faz cento de dezesseis anos que a escravidão foi extinta do Estado Brasileiro. Porém, ainda é uma prática recorrente em todo o território nacional, abrangendo vários níveis sociais. Encontram-se envolvidos como executores desta prática macabra, fazendeiros, políticos, empresários, comerciantes e famílias. Ela é tão comum, que é difícil no decorrer de um dia, não presenciarmos uma cena de exploração servil.&lt;br /&gt;Um exemplo, é no ambiente doméstico, famílias que têm algum poder de compra saem em busca de jovens do interior, ou mesmo nas periferias dos centros urbanos, que se encontram em situações de miseribilidade, para trazê-las e escravizá-las em suas residências em troca de comida, roupas e sapatos usados, descartados pelos integrantes da família, e algumas migalhas que lhes são dadas como um "agrado". Porém, elas passam mais de doze horas por dia, cuidando de todos os afazeres domésticos, que é um serviço cansativo, pesado, que requer grande atividade física. A pessoa nesta situação, se torna refém do jogo perverso que é envolvida emocionalmente. "Nós trouxemos fulano e estamos ajudando-a". "Você para nós é como se fosse da família". Tornando-se difícil fazer cobranças de direitos trabalhistas a pessoas tão boas, que tratam estas jovens como se fossem da família. Neste processo, concretiza-se o trabalho escravo no ambiente doméstico.&lt;br /&gt;Agora também, o que define um escravo não é a sua cor, raça, mas o seu poder econômico. O agregado e o escravo que Machado de Assis tão bem retratou em seus romances e contos, a sua condição na rede social, nunca esteve tão em voga no espaço social brasileiro.&lt;br /&gt;Os exploradores do trabalhador brasileiro, para driblarem a legislação, usam de um meio lingüístico, dando outras conotações para a escravidão. Pode-se afirmar que é ela é intensiva em todos os setores da sociedade, e rentosa para a elite brasileira. Com isto, burlam a legislação, a sociedade e os organismos internacionais. E infelizmente, todos somos coniventes com ela, tanto explorados quanto exploradores...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-109231977118485350?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/109231977118485350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=109231977118485350&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109231977118485350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109231977118485350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/08/somos-cegos-ou-convenientes.html' title='SOMOS CEGOS OU CONVENIENTES?'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-109210274007205352</id><published>2004-08-09T22:48:00.000-03:00</published><updated>2004-08-09T22:56:23.130-03:00</updated><title type='text'>O ÚLTIMO TANGO EM PARIS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Caminhando pelas ruas movimentadas da jaula urbana parisiense, desanimado, abatido, um tanto calejado pelos solavancos da vida, desconfiado e com medo de amar, encontrei alguém que reavivou em mim a necessidade de compartilhar algo mais do que sexo por sexo. Mas, mais uma vez, enganei-me. O amor tornou-se impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantas vezes reconfortei-me, provisoriamente, no contato quente do meu corpo em um outro corpo e, após ter o corpo aliviado pela descarga de algo preso a ele, como se estivesse sendo absolvido de todos os meus pecados, olhava para o lado e sentia uma imensa solidão. Estava apenas injetando uma droga qualquer em meu organismo e durante o seu efeito achava que viver era o máximo, quando, porém, ele acabava, não suportava o vazio da alma e embarcava numa nova onda de emoções, descargas e alívio, tudo sem nenhum sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, no meio do sem sentido da minha caminhada, encontrei um olhar sapeca e curioso, uma boca convidativa. Confesso que usei e abusei do banquete carnal a mim oferecido. Afinal, seria apenas mais um. A relação tornou-se repetitiva, a jovem dizia amar-me, procurava desvendar-me, saber das minhas estratégias, parecia ser uma excelente jogadora de xadrez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecedor, porém, deste jogo, e com medo de cair em suas garras, não disse nada. Mantive-me no decorrer de tantos encontros um estranho, como ela era para mim. Não sabia seu nome, origem, endereço, nada! Era alguma coisa que eu encontrei na rua. Uma vadia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o amor pegou-me, saí atrás daquela menina disposto a deixá-la quebrar-me, para conhecer o que de insignificante, cruel e nobre trazia meu ser. Disse-lhe o meu nome, o que fazia e que gostaria de viver ao seu lado, mas ela disse não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que eu pudesse pensar sobre a sua resposta, ela saiu correndo pelas ruas de Paris. Acreditando que eu a havia assustado, corri atrás dela, nem mesmo sabia o seu nome, mas a amava. Alcancei-a, beijei-a e começamos a dançar um tango. Pegando em seus cabelos perguntava o seu nome, enquanto começava a descer de meu pescoço um líquido viscoso, quente e vermelho. Estava perdendo os controle dos meus movimentos, ela com um olhar estranho e com um metal pontiagudo ensangüentado nas mãos me deixava cair no meio do salão. A melodia do tango ficava mais distante e finalmente encontrava o chão, sem vida, numa posição fetal. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-109210274007205352?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/109210274007205352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=109210274007205352&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109210274007205352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109210274007205352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/08/o-ltimo-tango-em-paris.html' title='O ÚLTIMO TANGO EM PARIS'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7767605.post-109094683889271081</id><published>2004-07-28T05:45:00.000-03:00</published><updated>2004-07-27T13:47:18.893-03:00</updated><title type='text'>JOGADO AOS LEÕES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é desalentador ver um profissional das ciências humanas utilizar seus conhecimentos, adquiridos ao longo de vários anos, para rotular e diagnosticar como alcoólatra, sádico, megalomaníaco e paranóico um ser humano. Em cima apenas de material coletado na imprensa, em biografias e imagens de televisão. A ética foi jogada no lixo? O ser humano não é mais importante do que o espetáculo? Ter cinco minutos de fama ao preço da execração de uma pessoa é ser profissional?&lt;br /&gt;A matéria prima da psicanálise é sem dúvida a palavra, é através desta que o analista poderá penetrar nas águas turvas em que se encontra mais que a ponta do iceberg do outro. No discurso manifesto é possível colher as reminiscências do discurso latente. É como se o analista tentasse captar a sinuosa sinfonia do vento em meio a um barulho ensurdecedor. Mas pegar a biografia de vários componentes da família Bush, notícias de jornais, documentários, programas de televisão e de rádio e fazer um diagnóstico do atual presidente dos USA, da maneira como o senhor Justin Frank o fez em seu livro "Bush on the couch" (Bush no divã), é mais do que irresponsabilidade, é a negação da subjetividade e da própria psicanálise.&lt;br /&gt;Quando Freud utilizou a psicanálise aplicada para fazer o diagnóstico de Leonardo Da Vinci, Moisés e do Pequeno Hans, eram, os dois primeiros, personagens importantes da cultura ocidental, que não sofreriam com a divulgação das hipóteses levantadas sobre suas personalidades; quanto ao terceiro, ele teve o cuidado de usar um nome fictício. Além disto, foi a maneira encontrada por ele para mostrar como era aplicado o método psicanalítico. Tendo em vista as dificuldades para o ensino da nova ciência, apresentadas em seu livro "Introdução à Psicanálise", decorrentes de não se poder assistir a um tratamento psicanalítico, restava apenas, ao futuro profissional, aprender através do ouvir falar. Esta aprendizagem de segunda mão iria depender, em grande parte, de leituras e preleções, ou, então, do estudo da própria personalidade através da auto-análise ou daquela feita por um psicanalista. No caso da divulgação do estudo da personalidade de Da Vinci, de Moisés e do Pequeno Hans, era mais uma forma de oferecer material de estudo do processo analítico, elaborado por um grande mestre, sem a pretensão de uso para a destruição de nenhum dos analisados.&lt;br /&gt;Volto agora a refletir sobre as fontes utilizadas pelo senhor Frank. O texto, ao ser escrito, fica muito diferente do que é falado e a imagem, ao ser editada, também sofre interferência, que distorce a imagem original. Para uma ciência em que a principal ferramenta de trabalho é a linguagem, tem que se estar ciente das armadilhas criadas por ela. É um terreno movediço, mesmo para um profissional, fazer diagnósticos com linguagens tão trabalhadas, envolvendo a vida de uma pessoa que tem repercussão mundial.&lt;br /&gt;É como se Bush fosse jogado aos leões e a platéia, extasiada, assistissem à sua destruição. Mas esse não deve ser o papel da psicanálise e mesmo da psiquiatria. Parece, apesar de citá-lo, que o senhor Frank não leu Freud, já que uma de suas lições diz que o tratamento analítico não comporta mais que a troca de palavras entre paciente e psicanalista. Esta conversação, porém, não tolera ouvintes. As informações de que o analista precisa o paciente só as dará se sentir uma certa afinidade com ele. Pois estes dados se referem ao que há de mais íntimo na vida psíquica do paciente, a tudo que ele deve, como pessoa autônoma, ocultar aos outros e, enfim, a tudo o que não quer confessar a si mesmo.&lt;br /&gt;Não concordo, como pessoa inserida em um mundo tão assustador, com as atitudes políticas de Bush, sustentadas por grande parte da população americana. Ele não teria feito, tudo o que fez, se não tivesse o apoio do povo norte-americano. Mesmo que ele tenha todos estes distúrbios, apresentados no livro, toda a barbárie que vemos foi compartilhada e aceita pela população. O fato da possível doença, neste caso, é secundário.&lt;br /&gt;Também gostaria que ele não fosse reeleito, mas utilizar de meios tão esdrúxulos para derrotá-lo é covarde e desumano. A ciência e a pseudo-ciência já compactuaram com muitas barbáries na história. Temos a lição de quão doloroso foi isto para todos. Portanto, devemos lutar por uma ciência em prol do homem. E não contra ele, seja quem for.&lt;br /&gt;Para pensar:&lt;br /&gt;"As palavras faziam primitivamente parte da magia, e ainda hoje a palavra conserva muito de seu poder de outrora. Com palavras um homem pode tornar seu semelhante feliz ou levá-lo ao desespero, e é valendo-se de palavras que o mestre transmite seu saber aos discípulos, que um orador impressiona os ouvintes, determinando seus juízos e decisões. As palavras provocam emoções e constituem para os homens o meio geral de se influenciarem reciprocamente."&lt;br /&gt;Sigmund Freud - Introdução à Psicanálise - Vol. VII. Obras Completas. Pag.10 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7767605-109094683889271081?l=ofiodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/feeds/109094683889271081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7767605&amp;postID=109094683889271081&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109094683889271081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7767605/posts/default/109094683889271081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofiodaspalavras.blogspot.com/2004/07/jogado-aos-lees.html' title='JOGADO AOS LEÕES'/><author><name>Maria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15455589035986532593</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/__IhSo-jl0fI/TB6YBbQHy-I/AAAAAAAAAFk/haal_by-UI4/S220/100_4279.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
